Li e recomendo

on domingo, 28 de dezembro de 2008






"Leia tudo que puder, mas não se esqueça jamais: a Bíblia Sagrada é o Livro dos livros, a santa e bendita Palavra de Deus. Leia-a hoje; leia-a sempre."

Leituras 2008

1. A cidade do sol - Khaled Hosseini - Ed. Nova Fronteira

2. Quando Niestzche chorou - Irvin D. Yalom - Ediouro

3. À procura de Deus - A.W. Tozer - Ed. Betânia

4. Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados - Philip Yancey - Ed. Mundo Cristão

5. Jesus - o maior de todos - Charles Swindoll - Ed. Mundo Cristão

Leituras 2007

1. Lições de Mestre - Mark Shaw - Ed. Mundo Cristão

2. Iracema - José de Alencar

3. O caçador de Pipas - Khaled Hosseini - Ed. Nova Fronteira

4. Igreja - por que me importar? - Philip Yancey - Ed. Sepal

5. Outra espiritualidade - Ed René Kivitz - Ed. Mundo Cristão

6. O monge e o executivo - James C. Hunter - Ed. Sextante

7. O pastor aprovado - Richard Baxter - Ed. PES

8. Uma igreja sem propósitos - organizado por Jorge Henrique Barros - Ed. Mundo cristão

9. Uma nação sob a ira de Deus - Martin Lloyd-Jones - Ed. Textus

10. A verdade do Evangelho - John Stott - Ed. ABU

11. O velho e o mar - Ernest Hemingway - Ed. Bertrand Brasil

12. Milagres - C.S. Lewis - Ed. Vida

13. Liderança em tempos de crise - Charles Swindoll - Ed. Mundo cristão

14. O grande abismo - C.S. Lewis - Ed. Vida

15. O sentimento do mundo - Carlos Drumond de Andrade (poesias)

16. D. Pedro II - ser ou não ser - José Murilo de Carvalho - Ed. Cia. das Letras

17. Por que quatro evangelhos? - David Alan Black - Ed. Vida

18. A viagem do descobrimento, vl. 1 - Eduardo Bueno - Ed. Objetiva

19. Os quatro amores - C.S. Lewis - Ed. Martins Fontes

20. Conversa com Lutero - Elben M. Lenz Cesar - Ed. Ultimato

21. Alma sobrevivente - Philip Yancey - Ed. Mundo cristão

22. Cartas de um diabo a seu aprendiz - C.S. Lewis - Ed. Martins Fontes

C.S. Lewis


CLIVE STAPLES LEWIS (1898-1963) foi um dos gigantes intelectuais do século XX e indubitavelmente o mais influente escritor cristão de seus dias. Foi professor da Universidade de Oxford e da Universidade de Cambridge. Suas valiosas contribuições nos campos da crítica literária, literatura infantil, literatura de ficção e teologia trouxeram-lhe notoriedade e prestígio.

C.S. Lewis começou sua vida intelectual como solitário adolescente, preso na penumbra de um internato inglês. Diante do peso dos conflitos que levariam à I Guerra Mundial, evaporou-se repentinamente sua fé.

Começou, então, a longa trajetória do escritor - um caminho tortuoso cheio de armadilhas e labirintos. Lewis quis redescobrir a alegria que experimentara quando criança. Almejava o momento mágico de epifania que daria sentido à vida. Até que finalmente pudesse voltar ao pleno cristianismo, sua jornada pelo ateísmo foi árdua. O resultado é um mapa de travessia pelo caminho minado da filosofia secular.

Seus livros já venderam mais de cem milhões de exemplares em todo o mundo. Dentre outros escritos seus destacam-se "As crônicas de Nárnia, Os quatro amores, Carta de um diabo a seu aprendiz, Cristianismo puro e simples, Anatomia de uma dor, O problema do sofrimento, Cartas a uma senhora americana, O grande abismo, A abolição do homem, Peso de glória, Milagres, Peso de Glória e Surpreendido pela alegria".
Nascido em Belfast, Irlanda, no dia 29 de novembro de 1898, C.S. Lewis faleceu em 22 de novembro de 1963 no mesmo dia em que o presidente John Kennedy foi assassinado.


Já LI vários livros seus e RECOMENDO cada um deles. São simplesmente fantásticos!


Declarações sobre C.S. Lewis:


"If wit and wisdom, style and scholarship are requisites to passage through the pearly gates, Mr. Lewis will be among the angels." (Se inteligência e sabedoria, estilo e erudição são requisitos para passar pelos portões de pérola, o Sr. Lewis estará entre os anjos.)
The New Yorker


"The point about reading C.S. Lewis is that he makes you sure, whatever you believe, that religion accepted or rejected means something extremely serious, demanding the entire energy of mind." (A questão principal sobre ler C.S. Lewis é que ele o convence, qualquer que seja sua crença, de que a religião aceitada ou rejeitada significa algo extremamente sério, requerendo toda a energia da mente."

Harper´s


"C.S. Lewis is the ideal persuader for the half-convinced, for the good man who would like to be a Christian but finds his intellect getting in the way". (C.S. Lewis é o convencedor idela para o mais ou menos convencido, para o bom homem que gostaria de ser um cristão mas que encontra seu intelecto preso no caminho.)

The New York Times Book Review


"C.S. Lewis perhaps more than any other twentieth-century writer, forced those who listened to him and read his works to come to terms with their own philosophical presuppositions." (C.S. Lewis talvez mais do que qualquer outro escritor cristão do século vinte, forçou aqueles que o ouviram e leram suas obras a entrarem em acordo com seus próprios pressupostos filosóficos.)

Los Angeles Times

A estrada


"A ESTRADA é sempre melhor que a estalagem". Essas palavras do grande escritor espanhol Cervantes significam uma maneira de viver. Em meus dias de moço, sempre achei muito difícil alcançar determinado objetivo, acabar determinado trabalho. Quando chegar lá, pensava, sentirei satisfação e recompensa. Mais tarde, porém, vim a compreender que toda realização, como toda estalagem, é somente um ponto na estrada. O real valor da vida vem com a própria jornada, com o esforço e o desejo de mantermo-nos em movimento. Agora descubro que, com meus 84 anos, posso olhar para trás com prazer e, o que é ainda mais importante para mim, olhar para frente com esperança e desejo. Aprendi a considerar cada estalagem ao longo da estrada não como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida para um novo e melhor esforço.


Maurice Maeterlinck em "Os mais belos pensamentos de todos os tempos" - ACIGi - Rio de Janeiro, p.38.

Dores Agudas

on domingo, 28 de setembro de 2008


Ricardo Gondim

Não me ressinto pelo que já sofri. Não me inquieto com a angústia que me assedia. Não esperneio, não fujo, não reluto, com o desespero que ainda vai chegar. (Deus teve apenas um filho sem pecado, mas nenhum sem sofrimento). Depois de mais de meio século de vida, descobri, finalmente, o que me magoa.
Querer repartir verdades que me entusiasmam e perceber que produzo inquietação.
Não encontrar ouvidos interessados nas descobertas que iluminam a minha alma.
Sentir-me estrangeiro entre antigos irmãos.
Ofertar o melhor do meu coração e acabar sob suspeita de ser manipulador.
Tentar fazer o bem e ver-me odiado.
Não conseguir transformar vaidade em admiração, coleguismo em amizade, bajulação em honra, ousadia em sensibilidade e zelo em delicadeza.
Saber que me retalharam junto com a pizza do domingo. Saber dos boatos que pessoas más inventaram e não ter como desmenti-los. Perder possíveis irmãos porque fui infeliz com uma palavra mal escrita ou com uma colocação tempestiva em alguma palestra.

Soli Deo Gloria.

O que o cristianismo é


NO ANO 180 o mártir Speratus respondeu ao cônsul Saturnino que lhe perguntara o que era o cristianismo: "Si tranquillas praebueris aures tuas, dico mysterium simplicitatis". Traduzindo: "Se mantiveres os ouvidos atentos, revelar-te-ei o mistério da simplicidade".

(Leonardo Boff em "Experimentar Deus" - Verus Editora, p.141)

Sexo e espiritualidade


Será que podemos substituir de forma tão direta um impulso (o da união espiritual) por outro (o da união física)? Duvido disso. Afinal, no jardim do Éden, quando Adão tinha perfeita comunhão espiritual com Deus, mesmo naquela época sentiu solidão e anseios que não encontraram alívio antes de Deus criar Eva.

Em vez de contrapor a sexualidade à espiritualidade, uma rivalizando com a outra, eu as vejo profundamente relacionadas. Quanto mais observo a obsessão de nossa sociedade com a sexualidade, mais percebo nisso uma sede de transcendência.

(...)

Quando a sociedade obstrui de forma tão abrangente a sede humana por transcendência, devemos nos surpreender que tais anseios se redirecionem para uma expressão de mero apego ao físico? Talvez o problema não seja que as pessoas estejam se despindo, mas que elas não estejam se despindo o suficiente: paramos na pele em vez de ir mais fundo, de ir até a alma.

(Philip Yancey em "Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados", pág. 26-27 - Ed. Mundo Cristão)

O dia D

on sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Weslei Odair Orlandi


Tenho para mim que a maior lição que a China ensinou para o mundo na realização dos jogos olímpicos de 2008 foi sobre como preparar-se bem para o dia de um grande evento. Desde a meticulosa construção do deslumbrante Ninho dos pássaros até os mais imperceptíveis detalhes, nada escapou do golpe de vista chinês. A necessidade de provar para o mundo sua capacidade de superação histórica e seu potencial para lidar com grandes desafios levou-os quase à perfeição. No entanto, as olimpíadas passaram e os elogios à China também. Todavia, nós, Igreja de Jesus, continuamos os preparativos para o grande evento que na linguagem bíblica recebe, ora o nome de “Aquele Dia”, “Último Dia”, “Dia do Fim”, ora “Dia do Senhor”.
Como cristão creio que Deus está no controle de tudo, não porque manipule os processos históricos o tempo todo, mas porque tem poder e autoridade para intervir quando, onde e da forma que quiser. Para mim, três elementos são indiscutíveis: a história caminha em determinada direção; essa direção é determinada por Deus; Deus age na história para garantir essa direção.
Nunca foi intenção de Deus permitir segurança e descanso plenos no presente histórico, seja de Israel seja da Igreja. Todos os objetivos alcançados tanto por um quanto por outro nesta presente era recebem o carimbo “ainda não”. A fé bíblica está claramente orientada para o futuro e é para lá que estamos caminhando. Há que se ressaltar, contudo, que o ponto mais emblemático dessa discussão não é saber sobre o dia em que o Dia do Senhor encontrará seu lugar ao sol, mas sobre como estar preparado para fazer parte dele sem surpresas desagradáveis.
Que o Dia do Senhor virá, não me restam dúvidas. Eu creio nele e o aguardo com expectativas apesar de não me atrever a dizer quando será (se hoje ou amanhã não sei, Deus o sabe). Julgo, por esse motivo, necessário provocar continuamente a minha fé com as palavras do inspirado apóstolo Paulo: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios”, 1 Ts 5:4-5. As razões para essa contínua necessidade são simples: constantemente sou tentado a me acomodar e a tornar secundário aquilo que é de inquestionável relevância. O perigo de me deixar abater pelo cansaço e pela aparente demora ronda continuamente meu coração. Satanás, nas penumbras da minha fé, quer anestesiar toda espécie de discernimento que há em mim. Por isso, cada segundo de vigilância é vital. Embora o Dia do Senhor seja uma incógnita, não me apanhará desprevenido. A idéia básica das Escrituras é a de que esperemos incansavelmente o “ladrão” – de pé, armados, e prontos para o ataque. É como um esperar atento atrás da porta.
Sobre o “dia D” do Dia do Senhor, Paulo disse aos Tessalonicenses: “não necessitais de que se vos escreva”, 1 Ts 5:1. Era-lhes suficiente saber que ele se cumpriria a qualquer momento. Quanto, porém, ao modo como deveriam esperá-lo, o apóstolo foi preciso, contundente e grave: “Nós que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade e tendo por capacete a esperança da salvação”, 1 Ts 5:8.
Oxalá você, eu e todos os cristãos aqui e em todos os lugares, estejamos sensíveis e preparados diante da iminente volta de Jesus Cristo. Que nosso brado seja retumbante e cheio de fé. Que em todos os rincões da terra sejam ouvidas as palavras finais do Apocalipse: “Ora, vem Senhor Jesus!”.
Que o “D” do dia do Senhor signifique para mim e para você desfecho divino, deslumbramento diante de Deus, dignidade, dança de alegria, doçura, delícia, e não desesperança, decepção, desmaio, derrota, dor...

Cegueira branca

on quinta-feira, 18 de setembro de 2008


Weslei Odair Orlandi

Esta semana chega aos cinemas do Brasil a versão cinematográfica do livro “Ensaio sobre a cegueira”, escrito pelo Nobel de literatura José Saramago. A história baseia-se numa tal “cegueira branca” que atinge primeiro os moradores de uma cidade não identificada e que, lentamente, se espalha país afora. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos à obscuridade, a meros seres lutando por seus instintos.
Desde que tomei esse livro em minhas mãos pela primeira vez e o li, lembrei-me de Laodicéia, a sétima igreja mencionada por João no Apocalipse. Infelizmente não sabemos se essa igreja usou o colírio prescrito por Jesus para recobrar a sua visão, entretanto sabemos com certeza que ela estava sofrendo de uma grave patologia comunitária – um tipo (infelizmente) não muito raro de cegueira coletiva.
Apesar de ser uma igreja importante na Ásia, os cristãos de Laodicéia estavam enfermos e nem se davam conta disso. Faltava-lhes a capacidade de perceber com clareza o seu verdadeiro estado de vida espiritual. Dizendo-se ricos, não passavam de miseráveis, pobres, cegos e nus. Não eram mais capazes de discernir coisa alguma. Como os moradores da cidade fictícia do livro de Saramago, os crentes de Laodicéia também haviam sido infectados por uma cegueira branca; seus olhos espirituais estavam cobertos por uma superfície leitosa, o que não lhes permitia ver nada mais que um clarão indecifrável.
Sinceramente eu espero que os esforços de Jesus Cristo em restaurar a visão daqueles irmãos tenham obtido êxito, pois desconfio que a igreja brasileira também esteja sob os efeitos dessa epidemia destruidora – os indícios são realmente fortes.
Pense comigo nos sintomas apontados pelo Médico Celestial daquela igreja e veja se não tenho razão em estar alerta.
O primeiro sintoma apontado como característico daquela doença foi a presença de uma gritante indiferença na vida deles – “sei que você não é frio nem quente”. Esse é o mal que se alastra Brasil afora. Um número cada vez maior de cristãos acredita que não fazer nada de mal é o suficiente para Deus, e assim “vivem” suas vidas numa terrível atmosfera de marasmo espiritual. Estão errados. Deus não faz vista grossa à indiferença. Ele nos quer vibrantes, participantes, ávidos por um crescimento cada vez mais intenso na sua graça e no conhecimento de Seu Filho Jesus. Alfredo dos Santos Oliva, professor no Sul-Americano de Londrina – Pr, fez a seguinte observação: “Podemos passar um verniz de crente em nossas vidas e até convencer as pessoas de que somos supercrentes, mas não vamos conseguir enganar a Deus, que tudo vê e tudo conhece”.
Outro sintoma percebido por Jesus na vida dos Laodicenses foi o da arrogância espiritual – “estou rico e não preciso de nada”. Haviam se esquecido de um ponto fundamental da fé cristã: humildade. George Ladd lembra-nos de que “se gabavam de uma acomodação espiritual pautada no esforço próprio; uma propensão materialista e de aparência havia conseguido enganar os seus corações”. Para surpresa geral de todos, os Laodicenses haviam perdido o foco, dando ênfase exagerada a um modelo de cristianismo nada ortodoxo quanto aos ideais de vida social, comunitária e fraterna; estavam mais preocupados com a aparência do que com a essência da fé cristã.
O quadro geral era caótico e uma intervenção medicamentosa agressiva era urgente, urgentíssima. O tratamento deveria incluir desde um retorno imediato ao primeiro amor até à compra de “ouro refinado no fogo, roupas brancas para vestir-se e colírio para ungir os olhos e poder enxergar”. Não seguissem essa prescrição e o fim seria trágico.
Por isso persevero na minha insistência. Desconfio cada vez mais que o mal de Laodicéia ainda não foi totalmente erradicado da Igreja hodierna. Acredito piamente que precisamos aceitar resignados o diagnóstico duro de Jesus e nos lançarmos de novo no pó do arrependimento para que possamos ser incendiados pelo fogo do Espírito Santo, tendo assim não mais o “brilho branco da cegueira”, mas o resplendor faustoso da verdadeira riqueza espiritual que são a presença de vestimentas alvejadas e do gotejar contínuo do colírio do discernimento e da visão espiritual. Uma igreja que canta, aplaude, faz manifestações pacíficas em defesa da liberdade de expressão, lota estádios e avenidas, mas que não tem ouvidos para ouvir e nem olhos para enxergar jamais poderá ser o tão necessário farol que brilha à noite

Deus estava descendo uma estrada de terra

on terça-feira, 19 de agosto de 2008


Estou no início da minha história, mas acredito que chegarei à eternidade; e no paraíso refletirei sobre esses velhos dias, dias em que parecia que Deus estava descendo uma estrada de terra na minha direção. Anos atrás, ele era um ponto oscilante e distante; agora ele está perto o bastante para que eu consiga ouvi-lo cantar. Logo verei os traços do seu rosto.

(Donald Miller em "Como os pingüins me ajudaram a entender Deus", pág. 11 - Ed. Thomas Nelson Brasil)

Pobres em Espírito

on terça-feira, 12 de agosto de 2008


Weslei Odair Orlandi

Segundo o dicionário Aurélio "pobre"é toda pessoa que não tem o necessário à vida; sem recursos.
Acredito que Jesus também pretendeu essa conotação, embora em termos espirituais, quando afirmou "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus."
De acordo com suas palavras "felizes são aqueles que sabem que não têm em si mesmos os recursos necessários para conquistarem o Reino dos Céus".
Jesus excluiu qualquer possibilidade de que alguém se apodere do Reino por meio de ações meritórias. O Reino de Deus não será dado àqueles que julgam possuir alguma virtude que os torne aptos para tal façanha.
Será destinado àqueles que não têm a mínima condição (e que sabem disso) de possuirem com ações particulares de justiça as moradas eternas e que por isso dependem inteiramente da graça bendita de nosso Senhor Jesus.

Escrever, escrever.

on quinta-feira, 7 de agosto de 2008


Graciliano Ramos

DEVE-SE ESCREVER da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

(Graciliano Ramos na última capa de "Angústia" - Editora Record)

Ainda outros conselhos (in)viáveis.


Ricardo Gondim.

Mesmo se as trancas não cederem, os corredores escuros alongarem e as pontes penderem inacabadas, cubra-se com os matizes da coragem. Transforme-se em levedo que se infiltra na massa que descansa. E tenha paciência para crescer.
Mesmo quando as trincheiras inundarem, o fogo inclemente alastrar-se e as ambulâncias enguiçarem, revista-se com os jalecos da dignidade. Assuma o comando dos veleiros rotos. E siga por mares inexplorados.
Mesmo quando as datas se mostrarem aborrecidas, as lâmpadas bruxulearem e os sacerdotes fizerem greve, colonize-se com as regras da poesia. Lidere excursões pelos labirintos da eternidade. E repita os adágios do profeta do metrô.
Quando as pedreiras resistirem a dinamite, balance o dedo na cara da desilusão e grite: não desistirei. Jogue os escrúpulos sociais pela janela e grite: não estou nem aí. Aproveite o instante fugidio e grite: como ninguém vai acrescentar um côvado à minha vida, vou viver.

Soli Deo Gloria.

Philip Yancey fala sobre "Deus"


Nossas impressões costumeiras de Deus podem ser muito diferentes do que a Bíblia realmente retrata. Nos livros de teologia lemos sobre os decretos de Deus, e características como onipotência, onisciência e imutabilidade. Estes conceitos encontram-se na Bíblia, mas bem escondidos, e é necessário esforço para vê-los. Leia as Escrituras e você encontrará não uma névoa indistinta, mas uma Pessoa Real. Deus sente prazer, raiva e frustração. Uma vez após outra se choca com o comportamento humano. Algumas vezes, depois de decidir agir de uma forma, Ele "muda de idéia".

(Philip Yancey - "Perguntas que precisam de respostas", pág. 13 - Ed. Textus)

Possibilidades que a conversão não exclui

on quinta-feira, 31 de julho de 2008


Weslei Odair Orlandi

Gostaria de poder dizer que o “tudo se fez novo” de 2 Coríntios 5:17 inclui também a impossibilidade de cometer novos erros na caminhada. Não posso. Pelo menos não para aqueles que ainda não se desvencilharam do invólucro terreno. É claro que Paulo estava certo ao dizer que “se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Porém, preciso fazer aqui algumas considerações. O que de fato passa e o que não passa no momento da nossa inserção mística no corpo de Cristo?
A conversão a Cristo é realmente um grande mistério. Nela está a gênese do grande e maior propósito de Deus para a humanidade: resgatar em nós a imago Dei, patrimônio espiritual que perdemos em Adão. A conversão é um instante singular na vida de quem a experimenta. Num piscar de olhos, isto é, um segundo depois de sua entrega a Cristo e, pronto, as coisas velhas passam, o que era velho se faz novo, o pecador torna-se ex-pecador. Ainda que os seus pecados eram muitos e gravíssimos, o sangue de Jesus o torna mais alvo que a neve. Ele deixa de ser cidadão do reino das trevas para ser cidadão do Reino de Deus. Deixa de ser criatura para ser verdadeiramente filho. Deixa de ser um bastardo para ser um herdeiro legítimo. Fica para trás a miséria espiritual, a incontinência, a impiedade, a morte, as ofensas, a ira e etc.
Porém, a conversão não elimina tudo, pois a ação de Deus não é arbitrária. Ninguém fica esterilizado depois da conversão. Ela não elimina nossas vontades. Um encontro com Deus garante novos rumos, mas não exclui algumas das possibilidades pouco desejáveis para quem quer andar na luz. Por exemplo, um cristão nascido de novo não deixa de conviver com a possibilidade, ainda que remota, de cometer novos pecados, desagradar a Deus ou de desobedecê-lo. Deus não interrompe o fluxo da livre escolha em nenhum dos seus filhos. Esse é o preço da liberdade. A vontade de Deus é que nunca pequemos, todavia ela não é repressiva ou persecutória. O Senhor bem poderia agir assim, mas então o acusariam de subserviência. Embora correndo o risco de nos ver cair, preferiu deixar-nos livres.
Bem, a essa altura você pode estar achando que me tornei herege. Não. Tornei-me ainda mais ortodoxo. O que ocorre é que interpretamos mal alguns textos bíblicos e daí passamos a viver uma fé manquitola. Alguns cristãos por acharem que textos como os de João que afirmam que “o que é nascido de Deus não peca” são verdades que podem ser aceitas sem contexto e literalmente estão vivendo uma vida espiritual hipócrita. São estes os que vivem sinceramente enganados. Precisamos ordenar as idéias.
Primeiro, está escrito que se alguém está em Cristo, as coisas velhas já passaram, isto é, seus antigos pecados já foram perdoados. Deus não se lembra mais deles.
Segundo, está escrito que tudo se fez novo, isto é, um novo jeito de viver, com novas e reais possibilidades foi inaugurado.
Terceiro, está escrito que o Espírito Santo agora é companhia constante e que à luz do seu amor podemos dizer não para os velhos hábitos da natureza caída sempre que o desejarmos.
Quarto, está escrito que a despeito da força da natureza caída somos capazes de nos tornarmos semelhantes àquele que nos salvou, pois foi plantada em nós a semente da vida.
Dessa forma tanto o “tudo se fez novo” de Paulo quanto o “não peca” de João, significam na verdade que como um barquinho levado pelas correntezas do mar, nos afastamos do pecado e de suas arestas, mas que ainda assim se não formos criteriosos, corremos o risco de nos chafurdarmos de novo nas areias movediças do pecado.
Resta-nos o bom conselho de Cristo: “vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca”, Mt 26:41.
Restam-nos as ações de graça por seu amor infinito e sua incansável e santa teimosia de nos querer para si mesmo.
É de Deus a força suprema que recebemos para viver de modo santo e agradável; é dele a porção diária que nos garante forças para conviver sem pecar apesar das muitas possibilidades que aí estão.

Excerto de "A metamorfose"

on sábado, 26 de julho de 2008


Quando certo manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto mosntruoso. (Cap. 1)
(...)
O grave ferimento de Gregor, que o fez sofrer mais de um mês - a maçã ficou alojada na carne como uma recordação visível, já que ninguém ousou removê-la -, parecia ter lembrado ao pai de Gregor, a despeito de sua atual figura triste e repulsiva, era um membro da família que não podia ser tratado como um inimigo, mas diante do qual o mandamento do dever familiar impunha engolir a repugnância e suportar, suportar e nada mais. (Cap. 3)

(Franz Kafka em "A metamorfose", pág. 7,59 - Cia das Letras)

Borbulhar de igualdade


Este deslocamento, que dá ao plebeu um nome "elegante", e um nome camponês ao aristocrata, nada mais é que um borbular de igualdade".

(Victor Hugo em "Os miseráveis - vl. 1, pág. 168 - Ed. Martin Claret)

Figuras Suspeitas


Essas pessoas pertenciam àquela classe bastarda, composta de gente grosseira que subiu na vida e de gente inteligente decaída, que está entre as chamadas classe média e classe inferior, e que combina alguns dos defeitos da segunda com quase todos os vícios da primeira, sem ter o generoso impulso do operário, nem a honesta ordem do burguês.
Eram dessas figuras anãs, que se tornam monstruosas se por acaso forem aquecidas por algum fogo sombrio. Havia na mulher um fundo tosco e no homem um estofo de velhaco. Amnbos eram extremamente suscetíveis àquele tipo de progresso abjeto que se faz no sentido do mal. Exsitem almas que, como os caranguejos, recuam continuamente para as trevas, retrocendendo mais do que avançando na vida, empregando a experiência para aumentar sua deformidade, piorando sem cessar, e impregnando-se mais e mais com uma crescente perversidade. Aquele homem e aquela mulher eram almas assim.
(...)
Basta olhar para certos homens e desconfiar deles, porque logo pode-se senti-los tenebrosos dos pés à cabeça. São ameaçadores na frente dos outros e medrosos por trás. Há neles algo de obscuro. Não se pode ter mais certeza em relação ao que fizeram do que em relação ao que farão. O sinistro que trazem no olhar os denuncia. Só de ouvi-los dizer uma palavra, ou vê-los fazer um gesto, já se entrevêem sombrios segredos em seu passado e sombrios mistérios em seu futuro.

(Victor Hugo em "Os Miseráveis - vl. 1", pág. 167 - Ed. Martin Claret)

A vida é...

on sábado, 5 de julho de 2008


A vida é...

"A vida é uma mesa posta, com venenos mortais, pratos insossos e outros deliciosos. Alguns conscientemente escolhem veneno, achando que viver é sofrer, e ponto final. Outros comem - e vivem - sem sal.
Mas há os que, quando podem, pegam as delícias da vida e assim se salvam da areia movediça da depressão".

(Lya Luft em "Pensar é transgredir", Ed. Record - pág. 46)

Pensar é transgredir.




"Quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente de tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.

Sem ter programado, a gente pára para pensar.

Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para um absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.

Pensar pede audácia, pois refletir é trasngredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.

(...)

Pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar".


(Lya Luft em "Pensar é transgredir", Ed. Record - pág. 21-22)

A onda e a sombra

on sexta-feira, 13 de junho de 2008


Ainda não me descobri um escritor. Que pena. Falta-me berço, base e erudição. Quem escreve capta o que todos sabem, mas não conseguem dizer. Quando lemos nos tornamos parte de um mundo que nos parece familiar, mas ao mesmo tempo desconhecido. Fui afortunado nestes últimos dias ao iniciar a leitura de “Os miseráveis”, clássico mundial escrito por Victor Hugo em 1862. Sua pena foi lancinante. Suas idéias profundas e reveladoras. Em meio a tantas riquezas oriundas de sua obra, garimpei um trecho para compartilhá-lo com você. Por favor, leia essa metáfora, sem pressa, e com a alma desprotegida.
(...)
“Homem ao mar!
Que importa? O navio não pára. O vento sopra, o sombrio navio continua em sua rota forçada e passa.
O homem desaparece, depois reaparece, mergulha e volta à tona, chama, estende os braços; ninguém o ouve. O navio, estremecendo sob o tufão, está voltando a suas manobras; nem os marujos nem os passageiros vêem mais o homem submerso; sua cabeça é apenas um ponto escuro na imensidão das ondas.
Grita desesperadamente das profundezas. Que espectro essa vela que lhe foge! Olha freneticamente para ela. E ela se afasta, vai desaparecendo, some. Havia pouco ele estava lá, fazia parte da tripulação, ia e vinha no convés com os outros, tinha sua porção de ar e de sol, vivia. Agora, o que havia acontecido? Escorregara, caíra, tudo se acabara.
Está dentro da água, que é monstruosa. Sob os seus pés, nada mais que ruína, nada encontra. As vagas envolvem-no pavorosamente, rasgadas e sacudidas pelo vento; o vai-e-vem do abismo o empurra; os farrapos das águas agitam-se em volta de sua cabeça; uma multidão de ondas rebenta sobre ele; estranhas aberturas quase o devoram; cada vez que afunda, entrevê precipícios escuros; uma medonha vegetação o prende, emaranha-se em seus pés, o atrai para ela; ele sente-se transformar em abismo, fazer parte da espuma; as ondas jogam-no de um lado para o outro; ele bebe o amargo; o oceano, covarde, se empenha em afogá-lo; a imensidão brinca com sua agonia. Parece que toda essa água é o ódio.
Mas ele luta.
Tenta defender-se, tenta sustentar-se, esforça-se, nada. Ele, pobre força logo esgotada, combate o inesgotável.
Onde está o navio? Longe. Mal se avista por entre as trevas pálidas do horizonte.
Sopram rajadas; a espuma das ondas o vence. Levanta os olhos e não vê mais que a lividez das nuvens. Assiste agonizante ao imenso delírio do mar e ele é o castigado por essa loucura. Ouve ruídos estranhos ao homem, que parecem vir de fora da terra e de algum lugar terrível.
Há pássaros nas nuvens, assim como há anjos por cima dos infortúnios humanos. Mas o que podem fazer por ele? Os pássaros voam, cantam, planam, e ele, agoniza.
Sente-se sepultado ao mesmo tempo por estes dois infortúnios: o oceano e o céu; um é sepulcro, o outro, mortalha.
Vem a noite. Há horas que ele nada, está no fim de suas forças; aquele navio, aquele vulto longínquo onde havia homens, apagou-se; ele está só num formidável turbilhão crepuscular; afunda, se debate, se retorce, sente abaixo monstruosas vagas do invisível; chama.
Não há mais homens. Onde está Deus?
Grita. Alguém! Alguém! Grita sem parar. Nada no horizonte, nada no céu.
Implora ao espaço, à onda, à alga, ao recife; são surdos. Suplica à tempestade; a tempestade, imperturbável, só obedece ao infinito.
Em torno dele, escuridão, névoa, solidão, tumulto tempestuoso e inconsciente, redemoinho incessante das águas bravias. Dentro dele horror e cansaço. Abaixo dele, a desgraça. Nenhum ponto de apoio.
Pensa nas tenebrosas aventuras de um cadáver na escuridão sem limites. Um frio imenso o paralisa. Suas mãos crispam-se, fecham-se e agarram o nada. Ventos, nuvens, turbilhões, rajadas, estrelas inúteis. Que fazer? Desesperado, abandona-se, cansado, deixa-se morrer, não se importa, deixa-se ir, larga mão, para sempre avança pelas lúgubres profundezas da voragem que o engole.
Ó implacável marcha das sociedades humanas! Perda de homens e de almas no meio do caminho! Oceano, onde desaparece tudo o que a lei desampara! Sinistro sumiço de socorro! Ó morte mortal!
Mar, a inexorável escuridão social onde a penalidade arremessa seus condenados. Mar, a imensa miséria!
A alma, na correnteza desse abismo, torna-se cadáver. Quem a ressuscitará?”

(“Os miseráveis”, vol. 1 – Victor Hugo – Martin Claret, pág. 112-114).

Quando terminei de ler esse trecho, senti-me impelido a repartir com você o tipo de vida que todos vivem. Afinal, esse odioso mar bravio, está implacavelmente assolando as entranhas de nosso amado país. Que Deus nos ajude!

Ovelhas e ovelhas

on sexta-feira, 7 de março de 2008


Weslei Odair Orlandi

Tomo a liberdade de parafrasear o escritor Ed René Kivitiz para dizer que há além de pastores e pastores também ovelhas e ovelhas. Não é difícil perceber isso. Basta olhar um pouco à nossa volta para chegar-se à conclusão de que existem, pelo menos, dois tipos de ovelhas no aprisco.
O primeiro tipo chamo de “ovelha-lobo”. São ovelhas corrompidas. Algumas conscientemente, outras sinceramente enganadas. São corrompidas no entendimento da Palavra. Utilizam a fé para alcançar seus objetivos egoístas, servir seus próprios interesses. Para elas Cristo é apenas um detalhe e sua mensagem um obstáculo incômodo. Vivem entre seus irmãos de fé, mas não têm sentimentos próprios de uma ovelha. No papel que representam junto aos demais conseguem enganar os menos esclarecidos. Fingem amar a Deus, mas negam-no com suas ações. Estão sempre aprendendo, mas jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade. Não irão longe, porém; por resistirem à verdade e à transformação que deveriam experimentar, as suas mentiras se tornarão evidentes a todos e muito especialmente no último dia, quando Jesus, o Supremo Pastor, chamar para si aqueles que lhe pertencem. Não é difícil identificar uma “ovelha-lobo”. Elas quase nunca dão ouvidos à voz do Bom Pastor, quase nunca sentem desejo de orar, evangelizar, santificar a vida, envolver-se nas causas do Reino de Deus. Enfim, nunca foram regeneradas pelo Espírito, isto é, o Espírito nunca as transformou em novas pessoas.
O segundo tipo chamo de “ovelha-ovelha”. Aquelas são lobos vestidos de ovelhas. Estas são iluminadas. Rompem a linha que nivela os mortais. São resolvidas em sua alma. Vivem no patamar que a Bíblia chama de “vida no Espírito”. Apesar das contradições e angústias da vida, Deus sabe que elas o amam e que entusiástica e conscientemente repetiriam as palavras de Dostoievski: “Caso me dissessem que Cristo não é verdade, eu diria: ‘Vai-te, verdade, pois tudo o que quero é Cristo’”. As ovelhas-ovelha são compreendidas por Deus mais do que por elas mesmas. Deus as ama de um jeito diferente pois elas o conhecem e quando um estranho aparece nunca o seguem; na verdade, fogem dele, porque não reconhecem a voz de estranhos, Jo 10:5.
Ovelhas assim nos fazem perceber a tolice de viver enganosamente. A sensação que passam é a de que Deus conta tudo para elas. São bem-aventuradas porque jamais deixam o verdadeiro caminho. Não se sentiriam confortáveis...
Ah, sim. Antes de pôr um ponto final, permita-me perguntar-lhe: “você é uma ovelha-ovelha, não é”?

Porque não paro de ler

on domingo, 2 de março de 2008


Weslei Odair Orlandi


Segundo André Perissé “ler é bom demais. Ler é ótimo. Ler é mais do que necessário. Enriquecedor. Imprescindível”. Por isso eu leio. Por isso eu não paro de ler.
As minhas primeiras lembranças sobre livros que manuseei remontam aos meus dias de analfabetismo. Eu ainda era um incauto absoluto na arte das letras quando já me sentia dominado por uma paixão avassaladora por elas. Costumava brincar com um caderno e uma caneta, rabiscando páginas e páginas. Depois que aprendi ler e escrever, comecei usar uma placa de ferro utilizada pelo governo para anunciar suas obras para escrever com pequenos torrões encontrados no quintal da minha casa e também a escrever no ar. Aluno assíduo da escola bíblica, sempre li a Bíblia e outros livros infantis. Quando inauguraram a biblioteca pública da minha cidade, tornei-me um verdadeiro “rato”. Costumava passar horas e horas lendo. Lia tudo, desde literatura infantil até os clássicos, passando também pelas biografias, teses, poesias e livros educacionais. Aos dezessete anos, já havia lido mais de trezentos volumes daquela instituição. Hoje, já perdi as contas.
Costumo encarar cada parágrafo que leio como uma conquista na escada do saber. Cada palavra, cada oração, cada pensamento, tudo é informação, prazer, conhecimento; tudo é tesouro que não se pode perder.
Leio por necessidade. Leio por prazer. Leio para aprender. Leio para desaprender. Leio para reaprender. Leio para descobrir que sei. Leio para descobrir que nada sei.
Já fiz muitas viagens ao redor do mundo. Já fui à Lua, a Marte e até aos mundos ainda não descobertos. Já fui ao centro da terra. Já enfrentei desertos ferozes. Já sobrevivi em mares atrozes. Já conheci muitos amores. Já lidei com gente feroz e com bicho feroz. Já fui ao passado, já retornei do futuro. Já fui ao infinito, já perscrutei o finito. Já estive com os pobres, com os famintos, mas também já me encontrei com reis, rainhas, príncipes e princesas. Já dormi ao relento, já comi pão bolorento, já comi caviar. Já estive com Deus. Já andei de carruagem. Já fui e já voltei, muitas vezes, de muitos jeitos; e o melhor de tudo é que nunca tive de tirar passaporte, nunca gastei meu dinheiro. Foi tudo de graça; foi tudo uma graça.
Outro dia fui até o museu de Louvres; acabei assistindo um crime bárbaro; tudo em nome da crença ou descrença de que Jesus foi marido de Maria Madalena. Por sorte consegui reunir provas a favor da minha fé. Foi um tremendo sufoco, não fosse a habilidade que já consegui de discernir que papel aceita tudo. Neste momento estou ajudando Neemias reconstruir os muros de Jerusalém e a desvendar os segredos de uma liderança eficiente. A obra ainda não foi concluída, mas já deu para perceber que só se pode liderar quando é capaz de influenciar.
Quem lê sabe mais, inclusive sabe que quanto mais sabe menos sabe ainda. Por isso não paro de ler. Cada livro que leio gera em mim a certeza de que quase não avancei, de quase não cresci, de que quase não amadureci.
E é assim que pretendo seguir: um livro aqui, um conhecimento acolá. Um livro aqui, uma descoberta ali.
Por isso não paro de ler. Quanto mais leio, mais pequeno fico. Quanto mais pequeno fico, mais carente me torno.
Outro dia um amigo meu disse que sou compulsivo. Eu respondi: “compulsivo eu não sou; eu sou é consciente”. Por isso eu não paro de ler.

Por falta de assunto

on domingo, 24 de fevereiro de 2008


Weslei Odair Orlandi

Por falta de assunto, resolvi escrever. Mas escrever o quê? Assunto não falta, o que falta é saber sobre que assunto escrever. Assunto é aquilo de que se trata, que é matéria ou objeto de consideração. Assunto é aquilo que desperta interesse, que chama atenção.
Resolvi escrever. Mas escrever o quê? Assunto não falta, o que falta é saber que assunto interessa quem lê. Existem muitas formas de assunto e muitos assuntos sem forma, sem informação, sem eira nem beira, que servem pra tudo menos pra ser chamado de assunto.
Outro dia me vi em apuros. Encontrei-me com um amigo, desses que acha assunto e tempo pra tudo. No primeiro instante decidi que não iria agüentar muito daquela tagarelice sem fim, verborragia inútil, palavrório em cascata, mas com poucas idéias. Maquinei um jeito de escapar; disse a ele que o assunto era bom, mas que precisava ir embora. De empolgado que estava, nem me ouviu, ou se ouviu, fingiu não ouvir. Continuou falando, e falando falou até que, de tanto falar se engasgou com saliva. Nem assim se deu por vencido: lembrou-se de um outro dia em que se engasgara com uma semente de jabuticaba. “Foi assunto pra semana inteira”, falou meu amigo ainda pigarreando por causa do engasgo recente.
Sentei-me e, resignado, tentei encontrar conforto nas palavras de Tiago, o apóstolo: “Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”.
“Uma hora ele vai se cansar” – pensei, e antes que pudesse fazer alguma interpolação, vi aproximar-se de nós um outro rapaz, um outro amigo meu que também gosta de falar e acha assunto e tempo pra tudo. Foi pura sorte, na verdade um golpe de misericórdia que pôs fim ao meu sofrimento. Eles, de tão empolgados que ficaram com os assuntos do dia, acabaram se despedindo de mim, misturando adeus com risada, risada com salada de fruta (que era o assunto que eles haviam começado a tratar) e então se foram. E eu, bem... eu, depois de tanto ouvir meus amigos tarelos acabei descobrindo que em vez de falar queria escrever.
Então, tentei escrever. Mas, escrever sobre o quê?
“Assunto não falta – argumentei mentalmente – o que falta é saber sobre que assunto escrever”. E depois, de tanto pensar, acabei escrevendo sobre a incapacidade de escolher sobre que assunto falar, quando não se sabe escolher um assunto que seja assunto para o assunto em questão.

Pensamentos


Weslei Odair Orlandi

Fitafuso, o experiente diabo velho e tio do jovem diabo Vermebile, é apenas um personagem no imaginário da obra de C.S. Lewis, porém as palavras que foram postas em seus lábios pela habilidade excêntrica do autor em “Cartas de um diabo a seu aprendiz” deixam lições surpreendentes a todos os leitores.
Num discurso zombeteiro e irônico sobre os humanos Fitafuso adverte Vermebile que o grande propósito deles não é enfiar idéias em suas cabeças, mas deixá-las de fora. O que eles querem é evitar que olhem para Deus e voltem-se para si mesmos.
É engraçado como nos vemos fazendo parte desta engrenagem sutil sem que demos conta disso.
O homem jamais vive à margem dos pensamentos. Descartes afirmou: “Cogito ergo sum” (Penso, logo existo); assim, existimos porque pensamos.
Os pensamentos jamais podem ser aniquilados ou preteridos em nossas mentes. Precisamos, em vez de lutar para apagá-los, usar a esperteza que Deus nos deu e reorganizar nossas mentes substituindo pensamentos negativos por pensamentos positivos.
Somos sim, capazes de treinar e redirecionar nossos pensamentos mirando-os noutras direções.
Não podemos impedir que um pensamento nos alcance, mas podemos proibi-lo de ficar conosco.
A grande arma de satanás não é gerar em nós pensamentos hediondos, mas privar-nos daqueles que nos fazem saber quem somos (somos mais do que vencedores), de onde viemos (de Deus) e para onde vamos (para o céu). Por isso nesse ano de 2008 mentalize as palavras de Paulo aos Colossenses e aos Filipenses:

Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas.
Colossenses 3:2 (NVI)

Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nestas coisas.
Filipenses 4:8 (NVI)

Tragamos de volta os bons e edificantes pensamentos que se foram. Ocupemo-nos com aquilo que pode nos dar esperanças (Lm 3:21). Treinemos nossas mentes predispondo-as para olhar sempre adiante e também para cima. Entreguemo-nos à Presença completamente real do Deus todo-poderoso; certifiquemo-nos sempre de que ela está focada no Altíssimo. Firmemo-nos no propósito de nunca perder o alvo. O resultado será excepcional: O Deus de paz será conosco, e esta paz, que excede todo o entendimento guardará os nossos corações e os nossos sentimentos, em Cristo Jesus.

Feliz pensamentos para todos!