Weslei Odair Orlandi Imagine sua vida podendo ser rebobinada, refeita, rebatizada, reorganizada e totalmente repaginada. Todos os seus erros seriam esquecidos; as bobagens seriam superadas; as lágrimas evaporadas; as cicatrizes apagadas; tudo, absolutamente tudo o que foi tragicamente feito seria desfeito. Só há um detalhe: as coisas boas também teriam de serem desfeitas. O sorriso apagado, as alegrias sopradas para longe, as emoções afetuosas diluídas e extintas; tudo seria nada. Não restaria existência, a não ser o ponto zero para então recomeçar de novo. Se isso acontecesse pergunto, que bom propósito haveria nisso? Qual a vantagem de se apagar tudo o que foi feito na vida? Outra pergunta: que garantias eu teria de que ao recomeçar (se bem que eu não saberia estar recomeçando, pois para recomeçar é preciso lembrar-se de que começou uma vez, mas até isso foi apagado) não refaria os...
Weslei Odair Orlandi No último final de semana os olhos da imprensa e de todos os brasileiros estiveram voltados para a visita do Presidente Barack Obama ao Brasil, mas poucos prestaram atenção naqueles que vieram antes fazer os preparativos para sua chegada. Sem eles, porém, a “obamania” não teria sido possível. Todo evento – grande ou pequeno – é precedido por pessoas que se ocupam dos preparativos. É assim em casamentos, na chegada de um filho e etc. Até para a morte há hoje pessoas que se ocupam com os preparativos e isso bem antes dela acontecer como é o caso dos planos funerários. A chegada de Jesus na Terra também foi precedida por preparativos e preparadores. João Batista foi o principal encarregado de Deus para essa missão. Marcos inicia seu Evangelho discorrendo sobre esse assunto; ele não narra o nascimento e a infância de Jesus, mas destaca o serviço e as ações de arauto. É int...
Ricardo Gondim Meu pai lia obsessivamente. Todas as vezes que o surpreendia, abrindo a porta do seu quarto sem bater, eu o flagrava com um livro na mão. Ele assinava pelo menos duas revistas de notícias semanais e vários pasquins. Ele comprava folhetos subversivos não sei onde e os trazia perigosamente para casa. Papai era professor de história, mas seu fascínio maior era a II Guerra Mundial. Em sua biblioteca, sobravam tomos, fotografias e artigos sobre o conflito que marcou sua infância. Só há um tipo de consumismo que não me oponho: comprar livros. Aliás, todas as vezes que entro numa livraria, gasto mais do que posso – divido em prestações o que não consigo pagar à vista. Não cogito fazer qualquer viagem de avião sem ler o tempo todo...
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