Máximas de Brennan Manning sobre "Confiança"

on sábado, 12 de junho de 2010


1. Confiança é nossa dádiva que devolvemos a Deus, e ele, a considera tão maravilhosa, que Jesus morreu por amor a ela.

2. Confiança inabalável é uma coisa rara e preciosa, pois quase sempre exige um grau de coragem que beira o heroísmo.
3. É preciso coragem de herói para confiar no amor de Deus não importa o que nos aconteça.
4. O ato de confiar com base na graça é a grande decisão da vida.
5. O caminho da confiança é um movimento em direção à obscuridade, ao indefinido, à ambiguidade, e não a um plano indeterminado e claramente delineado para o futuro. O plano seguinte revela-se a partir do discernimento de Deus agindo no deserto do momento presente.

O Deus de Israel, os deuses do Egito ou deuses de Canaã?

on quinta-feira, 3 de junho de 2010


Weslei Odair Orlandi

“Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates [os do Egito], ou aos deuses dos amorreus [os de Canaã], em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha casa serviremos ao Senhor”

Servir única e exclusivamente o Deus de Israel deveria ser simples, óbvio e natural, mas não é. Que o digam nossos antepassados, irmãos de fé e de luta.

A nação de Israel foi essencialmente formada entre deuses e crenças por séculos cultuados, temidos e respeitados. Ao longo dos árduos anos de escravidão no Egito o conceito monoteísta de Abraão foi se tornando mais e mais tênue. Na medida em que um século dava lugar a outro (quatro deles ao todo) a clareza teológica que possuíam os descendentes de Jacó foi se esvaindo e os contornos da força politeísta dos egípcios tornando-se cada vez mais definidos. No pensamento dos escravos começou a surgir algo como “deus por deus tudo é deus”. Dessa forma, foram capitulando diante de ídolos, crenças e práticas absolutamente contrárias ao Deus que aparecera aos patriarcas.

De repente, anos depois, lá estava ele: Moisés, o fujão, o assassino exilado, o homem que pretendera salvar seus irmãos usando o muque de seus próprios braços com uma mensagem do alto. Segundo afirmava, o Deus de seus pais aparecera a ele no deserto dizendo, dentre muitas outras coisas, que era para se prepararem para o dia da libertação total. A princípio creram, depois recuaram quando Faraó resolveu não facilitar em nada. Finalmente, depois de muitas idas e vindas, foram convencidos da veracidade das palavras do persistente Moisés e então, partiram rumo ao totalmente desconhecido.

Assim começaram os desafios. A multidão de israelitas que havia deixado o Egito ainda não estava totalmente liberta. Com eles e seus filhos partiram também as crenças, os deuses e as abominações espirituais. Por que não podiam servir a outros deuses se todas as nações o faziam? Por que um só Deus?

Anos de deserto e de provações não foram capazes de erradicar completamente o mal. Quase meio século depois de terem deixado o Egito, Josué já velho e à beira da morte, precisou reuni-los e desafiá-los, talvez pela centésima vez, a um posicionamento: “se não lhes agrada servir a Deus, então escolham ao menos se vão ficar com os deuses do Egito ou se com os deuses de Canaã. Quanto a mim, porém, e à minha casa, serviremos ao Senhor”, Josué 24:15.

Não me parece muito diferente hoje. Embora não tenhamos que decidir entre ficar com Deus ou com algum dos deuses do Egito e Canaã, temos, contudo, que decidir diariamente entre ficar com a santidade do Filho de Deus ou com os pecados antigos e outros não tão antigos assim.

Ocorreu-me durante uma de minhas devocionais dessa semana que a exemplo da história do povo de Israel também temos que fazer nossas escolhas diárias. Se por um lado deixamos os antigos pecados (deuses do Egito) e decidimos viver na companhia de Deus, por outro lado sofremos todos os dias ataques, recebemos ofertas e somos tentados a abraçar novos – e quase sempre sutis – pecados (deuses de Canaã). E essa não parece ser uma escolha fácil. Somos taxativos na recusa da vida pregressa, mas sempre acabamos por achar que há lugar para pequenas concessões. Classificamos como terrível aquilo que deixamos no Egito enquanto acreditamos na inocência do que Canaã oferece.

É ponto passivo que a conversão não exclui a possibilidade de novos erros. Assim abraçar ou não novos pecados é uma questão de escolha, de decisão voluntária. Já estamos escolados e bastante crescidinhos para saber que nem uma nem outra das práticas que se opõem a Deus é lícita, mesmo assim relutamos em ser radicais. Flertamos com o perigo e até tentamos esconder dentro de casa ainda que seja uma capa ou uns poucos gramas de prata e ouro, Josué 7:1,21.

Não pode! Ou somos dele (Deus de Israel) ou somos deles (deuses do Egito e Canaã)! Por mais que Israel tenha tentado, Deus nunca aceitou a indecisão sempre reincidente entre eles. Foi por essa razão que Elias, séculos mais tarde, vociferou no Monte Carmelo: “até quando vocês vão oscilar para um lado e para o outro? Se o Senhor é Deus, sigam-no; mas, se Baal é Deus, sigam-no”, 1 Reis 18:21. Paulo também deixou sua exortação: “Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Porventura provocaremos o ciúme do Senhor? Somos mais fortes do que ele?”, 1 Coríntios 10:21-22.

Não sei quanto a você; eu já fiz a minha escolha. Infelizmente não posso decidir por ninguém, mas fica aqui o meu apelo: decida-se, e rápido, por aquele que é o único caminho, a única verdade e a única fonte inesgotável de vida. Ele, e somente Ele é “o verdadeiro Deus e a vida eterna”, 1 João 5:20. O pecado qualquer que seja ele, não deve apenas ser decifrado como também detestado. É na possibilidade de fazermos escolhas que repousa nossa liberdade de querermos Deus, o único Deus. Decida-se agora mesmo!

Tudo fez formoso.


Eclesiastes insiste em afirmar que até as pedras em que tropeçamos são boas em si. "Tudo fez formoso em seu tempo" (3.11). Mas, ao assumirmos um fardo para o qual não fomos feitos, transformamos nudez em pornografia, vinho em alcoolismo, comida em glutonaria e diversidade humana em racismo e preconceito. O desespero toma conta à medida que abusamos das boas dádivas de Deus; já não parecem dádivas, e muito menos boas.

(Philip Yancey em A Bíblia que Jesus lia, pág. 153 - Ed. Vida)