Ladainha - Lourenço Diaféria

on sábado, 26 de setembro de 2009










"Dizem que vai faltar o açúcar, todo
mundo corre a procurar o doce.
Dizem que vai faltar o óleo, todo
mundo corre a procurar a fritura.
Dizem que vai faltar o trigo, todo
mundo corre a procurar a broa.
Dizem que vai faltar o fubá, todo
mundo corre a procurar o angu.
Dizem que vai faltar o ferro, todo
mundo corre a procurar a treliça.
Dizem que vai faltar o cimento, todo
mundo corre a procurar o concreto.
Dizem que vai faltar a água, todo
mundo corre a procurar o balde.
Dizem que vai faltar o sarilho, todo
mundo corre a procurar o poço.
Dizem que vai faltar o vinagre, todo
mundo corre a procurar o vinho.
Dizem que vai faltar a luz, todo
mundo corre a procurar a vela.
Dizem que vai faltar a carne, todo
mundo corre a procurar o bife.
Dizem que vai faltar o orégano, todo
mundo corre a procurar a pizza.
Dizem que vai faltar a galinha, todo
mundo mundo corre a procurar a canja.
Dizem que vai faltar o peixe, todo
mundo corre a procurar a moqueca.
Dizem que vai faltar a paz, todo
mundo corre a procurar as armas.
Dizem que vai faltar o samba, todo
mundo corre a procurar o pandeiro.
Dizem que vai faltar o sol, todo
mundo corre a procurar a praia.
Dizem que vai faltar a chuva, todo
mundo corre a procurar o chuveiro.
Dizem que vai faltar o dinheiro, todo
mundo corre a procurar o banco.
Dizem que vai faltar o cometa, todo
mundo corre a procurar a luneta.
Dizem que vai faltar o horóscopo, todo
mundo corre a procurar a cartomante.
Dizem que vão faltar estrelas, todo
mundo corre a procurar o firmamento.
Dizem que vão faltar eleições, todo
mundo corre a procurar candidatos.
Dizem que vão faltar governos, todo
mundo corre a procurar revoluções.
Dizem que vai faltar a liberdade, todo
mundo mundo corre a procurar prisões.
Dizem que vão faltar navios, todo
mundo corre a procurar o porto.
Dizem que vão faltar os fatos, todo
mundo corre a procurar boatos.
Agora: quando dizem que vai faltar
vergonha, ninguém se toca.
Está todo mundo acostumado".

Deus usa os fracos.

on quinta-feira, 24 de setembro de 2009


Estou convencido de que se Deus quisesse fazer a obra por outros meios e outros modos não teria chamado Abraão, mas Faraó; não teria começado com um povo insignificante, mas com um povo que sabia construir pirâmides. A história do povo de Deus é a história daqueles que não têm história na História da civilização. Ela só é história para nós, povo de Deus. Vá até a Síria e veja se lá há alguma coisa escrita sobre os profetas de Israel. Você sofrerá uma grande decepção. Faça o mesmo no Egito, na Assíria, e em todo o mundo antigo. Faça isso em relação àquele que rachou a História no meio (Jesus) e você verá que as poucas referências históricas à sua pessoa (extrabíblicas) são razoavelmente insignificantes. Neste ponto estamos diante do fato de que o povo de Deus só tem história no curso futuro da História, nunca na sua contemporaneidade. O que se deu com os profetas dá-se também com o povo de Deus. Para ambos, a História só os reconhece quando já foram. Sendo assim, eles não sabem que fizeram a História. Por isso saúdam as promessas de longe, e morrem em esperança, e fé.


(Caio Fábio em "Elias está nas ruas", pág. 38-39 - Ed. Betânia)

Eu falo é da vida.


Alguém diz que escrevo demais sobre a morte.

(...)
Nem é da morte que falo quando escrevo a palavra "morte": falo da vida, que um dia será declarada irreversível e irrevogável, com tudo o que fizemos e deixamos de fazer até a hora daquela enigmática visita: desde o nosso primeiro grito ao chamado último suspiro.

(Lya Luft em "Pensar é transgredir", pág. 121-123 - Ed. Record)

Três dias para não esquecer.

on terça-feira, 22 de setembro de 2009

Weslei Odair Orlandi


Sexta-feira: a vida não é justa. Esse é o momento da cruz, da entrega, da tragédia, da dor e do sofrimento. CRUZ, MALDITA CRUZ, ENTARDECER.

Sábado: a vida em silêncio, expectativa, frustração. É o som sepulcral, das pedras que se interpõem. É o reinado sombrio da incerteza. SEPULTURA, DESILUSÃO.

Domingo: a vida reconduzida por Deus ao seu devido lugar. RESSURREIÇÃO, TRIUNFO.


Não é bom nos olvidarmos dessa roda viva. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos viver nossa sexta-feira particular, nosso sábado de solidão e (Aleluia!!!!) nosso domingo de triunfo.

A crucificação, sepultura e ressurreição de Jesus revelou que tipo de mundo e de vida nós temos.

Você precisa saber disso.

on terça-feira, 8 de setembro de 2009


Weslei Odair Orlandi


De vez em quando meu filho mais velho quer saber algumas coisas sem respostas sobre Deus. Na mente dele ainda não cabe a idéia de que Ele (Deus) nunca nasceu, de que nunca teve um começo, ou de que Ele pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo coisas diferentes e etc.

Mas não são apenas as crianças que fazem essas perguntas. Alguns adultos também acham impossível que Deus sendo tão grande esteja preocupado com coisas pequenas, ou que sendo tão ocupado possa interessar-se por cada um de nós.

Não podemos tentar compreender Deus com medidas de compreensão humana na tentativa de nos decidirmos se vamos crer nele ou não. Deus não pode ser explicado nem dimensionado.

Se você é daqueles que perguntam “como é que um Deus tão ocupado pode se interessar por mim?” ou “como é que Deus – Aquele mesmo que criou e cuida de Antares, a estrela gigante que se colocada no lugar do sol a uma distância de 150 milhões de quilômetros ainda assim engoliria a terra – pode gastar tempo se importando com um homem como eu, uns poucos quilos de terra?” então preste atenção para a seguinte afirmação de Agostinho: “precisamos crer para compreender”. Isso deve bastar: crer.

Ainda que Deus seja tão grande, tão poderoso, tão ocupado o certo é que “como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. Pois Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó”, Salmo 103:13-14.

É sobre esse desvelo e percepção de Jesus para conosco que Marcos procurou tratar em seu evangelho quando registrou o milagre que Jesus operou no físico da sogra de Pedro que estava ardendo em febre e também na vida de outros moradores de Cafarnaum. Em um só dia muitos foram alcançados pelo poder do Verbo feito carne.

Embora Jesus tenha vindo ao mundo com uma missão extremamente importante – a de salvar o povo dos pecados – nem por isso deixou de também se preocupar e de se ocupar com questões “menos importantes”.

A narrativa de Marcos converge para as seguintes conclusões:

Primeiro: Para Jesus não há problemas mais ou menos relevantes. Ele também se importa com pequenas causas. É verdade que não sabemos a origem da febre que acometera aquela anciã, mas podemos afirmar que nas categorias dos problemas atuais uma febre sempre é considerada problema não muito relevante. Geralmente lidamos com esse quadro sem maiores preocupações. Não damos muita atenção a um caso de febre a não ser que ele persista por longas horas ou aumente em intensidade. Sua reação diante da noticia de que alguém está com febre será com certeza diferente se comparada a uma notícia de câncer ou de parada cardíaca. No entanto, Jesus deu atenção ao quadro febril da sogra de Pedro. A verdade é que para Ele não existem problemas grandes ou pequenos, não existem casos urgentes, nem situações de risco. Para Ele nada é difícil. Nada é sem importância.

Segundo: Jesus não é Senhor de uma elite especial de seres humanos e por isso todos gozam da sua máxima atenção. Ele nunca teve discípulos ou seguidores prediletos. A sua predileção sempre foi a raça humana, não importando para isso a cor, o sexo, a idade ou a condição financeira. Ele nunca foi o líder dos ricos, dos pobres ou dos religiosos. Ele pertencia a todos mesmo não sendo pertencido por todos. Marcos registra que Ele curou a sogra de Pedro, mas também a dezenas de outros moradores.

Jesus sempre olhou e olha em todas as direções. Respondeu aos clamores de gente rica, mas deu atenção ainda mais especial aos fracos e oprimidos.

Terceiro: Jesus é incansável na sua missão de socorrer os necessitados e aflitos. Há um detalhe na narrativa de Marcos que merece nossa atenção. Depois de afirmar que “ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados” Marcos segue dizendo que “de madrugada quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando”. O que há de relevante nessas duas declarações? A que conclusão podemos chegar senão à de que Ele sempre sensível aos males à sua volta sem jamais perder o foco central da sua missão e que jamais deixou de estar pronto para ajudar quem quer que fosse? Ele não mediu esforços como homem e agora como Senhor glorificado, está à direita de Deus e incansavelmente intercede por nós.

Benditas palavras do profeta: “Ele não se cansa nem fica exausto” – Isaías 40:28.

Apesar de sua enorme “lista de afazeres” nada foge ao seu controle; nada o detém; nada o espanta; nada o surpreende; nada o deixa esgotado; nada o põe em xeque-mate. Sua sabedoria é insondável, seu fôlego é inigualável, sua paciência é infinita, seu amor inesgotável. Deus é infinitamente bom e infinitamente poderoso. Se falo tanto sobre isso é porque acredito piamente nessa verdade e também porque você precisa saber disso.

Grandes perguntas - o abridor de latas da consciência.

on terça-feira, 1 de setembro de 2009


(...) A maioria das grandes descobertas e revelações caras à nossa sociedade foi produto de perguntas.

(...) Perguntas são a única forma de chegar lá - do outro lado do desconhecido.


Por que fazer uma grande pergunta? Perguntar é um convite à aventura, a uma viagem de descobrimento. Partir para uma nova aventura é emocionante; há o profundo encantamento da liberdade, a liberdade de explorar um território novo.

Então, por que não fazemos essas perguntas? Perguntar abre a porta para o caos, o desconhecido e o imprevisível. No momento em que fazemos uma pergunta cuja resposta desconhecemos, despertamos para todas as possibilidades. Estamos prontos para receber uma resposta que não gostamos ou com a qual não concordamos? E se a resposta nos deixar desconfortáveis ou nos tirar da área de segurança que construímos para nós mesmos? E se a resposta não for o que desejamos ouvir?


Para fazer uma pergunta não é preciso força; é preciso coragem.


Uma grande pergunta é isso: algo que pode mudar a direção da sua vida.


Portanto, mais uma vez, por que não as fazemos? A maioria das pessoas prefere permanecer na sergurança do que sabe a procurar desafios. (...) Se sempre julgamos conhecer a resposta, como iremos crescer? Como poderemos estar abertos para aprender?


(William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente em "Quem somos nós?", pág. 3-5, Prestígio Editorial)