Coincidência?

on terça-feira, 29 de março de 2011


(Fonte: www.teologiainteligente.com)

Atitudes que agradam a Deus.

Weslei Odair Orlandi

         Nada agrada o coração de um pai ou mãe mais do que saber que seus filhos compreendem, buscam e realizam a sua vontade. Por isso o grande e mais importante alvo de Jesus sempre foi agradar o Pai. Para isso, seu empenho por fazer sua vontade era sem limites. Nada nem ninguém detiveram Jesus em seu propósito de agradar o Pai fazendo a sua vontade.
Em João 5:30 ele afirmou: “Não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou”.
Em João 6:38 reafirmou sua posição: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.
O ponto mais alto de sua determinação em fazer a vontade do Pai foi sua oração no Getsêmani: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua”, Lucas 22:42.
         Esta foi a razão porque o Pai sempre sentiu nele alegria aprovando-o e recomendando-o publicamente. Por duas vezes Deus rompeu o silêncio para dizer “este é o meu filho amado”. No ato de seu batismo, acrescentou: “em quem me comprazo”. Este também deve ser o nosso alvo: agradar a Deus fazendo a sua vontade.
         Davi, o grande rei de Israel, possuía este desejo, tanto que no Salmo 143:10 orou: “Ensina-me a fazer tua vontade, pois és o meu Deus”.
         Paulo afirmou: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, Rm 12:2.
         Paulo sempre procurou enfatizar essa verdade. Vejam o que ele escreveu aos efésios: “Não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor”, Ef 5:17.
         Aos colossenses ele disse: “não cessamos de orar por vós e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade”, Cl 1:9.
         O apóstolo João por sua vez afirmou: “o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”, 1 João 2:17.
         Está claro que a vontade de Deus é bendita, perfeita e necessária para todos nós e que cumpri-la agrada o terno coração do Pai. Por isso Marcos 1:9-13 precisa ser analisado com atenção. Temos neste texto pistas valiosíssimas sobre como Jesus agradou o Pai e, portanto, indícios claros da vontade de Deus. Se Jesus fez e o Pai se agradou, então também devemos fazer.
         Vejamos quais são estas dicas:

1. Jesus foi obediente ao Pai não deixando de fazer aquilo que todos deviam fazer.

“e aconteceu, naqueles dias, que Jesus, tendo ido de Nazaré, da Galiléia, foi batizado por João, no rio Jordão.”

 O batismo de Jesus sempre foi alvo de muita discussão. Por que Jesus quis ser batizado? Se o batismo é sinal de que estamos assumindo uma nova vida deixando para trás o pecado, por que ele que nunca pecou teve de passar por este mesmo processo?
Em Mateus 3:15 ele mesmo dá a explicação: “convém cumprir toda a justiça”, isto é, convém que eu obedeça ao Pai na sua totalidade. Em outras palavras: é bom que todos nós façamos aquilo que o Pai requer. Esse sempre foi o estilo de Jesus: obedecer.
 Em Filipenses 2:8 Paulo escreveu: “e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz”. O escritor aos Hebreus afirmou: “ainda que era Filho aprendeu a obediência por aquilo que padeceu”, Hb 5:8.
 Aí está o princípio fundamental da nossa experiência cristã. Não agradaremos a Deus se não vivermos em obediência a ele; e não o obedecermos se não entendermos sua grandeza, seu amor e sua dedicação por nós. A obediência de Jesus ao Pai era o resultado da intimidade que possuíam. Quanto mais intimidade, mais desejo de obediência!

2. Jesus sempre teve sua vida guiada pelo Espírito Santo.

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto.”

A vida de Jesus guiada pelo Espírito Santo é um assunto fascinante. Como Deus ele jamais prescindiu da necessidade de ser guiado e levado pelo Espírito de um lado para outro.
Jesus foi gerado pelo Espírito. Foi cheio do Espírito. Guiado pelo Espírito. Realizou seu ministério no poder do Espírito e depois de morto foi ressuscitado pelo Espírito. Nada disso foi teatral ou mera casualidade. Jesus assim viveu, primeiro por ser homem e carecer realmente do Espírito e também para deixar-nos a lição poderosa da necessidade que temos de assim viver.
 Nenhum cristão pode tornar-se agradável senão pelo Espírito. Ele é o perfume que torna desejável o nosso coração. Sem ele nos tornamos tudo aquilo que jamais deveríamos desejar. Precisamos do Espírito Santo para nos moldar, nos manter afastados do pecado e centrados na vontade de Deus revelada em Sua Palavra. Essa é a necessidade mais urgente que a igreja possui: ser cheia do Espírito Santo, Ef 5:18; Gl 5:16. O Espírito precisa tornar-se pleno em todas as áreas do nosso viver se desejamos permanecer agradáveis diante do Pai.

3. Jesus nunca buscou privilégios aceitando sempre as duras realidades da vida.

“E ali esteve no deserto, quarenta dias, tentado por satanás.”

Eu quero retornar ao texto de Hebreus 5:8: “Ainda que era Filho [o que lhe conferia privilégios incomparáveis], aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. Jesus nunca reivindicou para si o fato de ser Filho. Nunca blindou sua vida dos problemas comuns aos demais seres humanos, antes aceitou-os, encarou-os e experimentou-os com dignidade, humildade, hombridade e resignação. Deixou ser levado pelo Espírito (outro detalhe importante no texto: o Espírito também nos leva aos desertos da vida) ao deserto e ali como qualquer cidadão terreno sujeitou-se às privações e provações tanto naturais quanto demoníacas.
 Jesus poderia ter escolhido aprender sobre a obediência de maneiras muito menos traumáticas, apenas observando de longe, sem se expor ou ter de pôr mão à obra, entretanto uma vez que aceitara a condição de homem não se valeu de qualquer prerrogativa divina. Aceitou as condições comuns a todos e assim viveu: chorou, angustiou-se, teve medo, teve fome, sentiu cansaço, sofreu, padeceu, foi humilhado, rejeitado e morto.

4. Jesus nunca cedeu às pressões e ofertas de satanás.

“E vivia entre as feras, e os anjos o serviam”

Aqui está mais uma das razões porque agradou o Pai. Como homem “em tudo foi tentado, mas sem pecado”, Hb 4:16. Também em Hebreus 2:17 encontramos a seguinte declaração: “convinha, que em tudo, fosse semelhante aos irmãos”; e ele assim viveu: sem blindagens, sem privilégios, sem imunidades. Apenas sujeitando-se integralmente à vontade do Pai.
A humanidade de Jesus, porém, não foi usada como explicação para pecar. Ele não pecou! Faminto e vivendo entre feras, preferiu ser guardado, aguardar e ser servido pelos anjos de Deus. Sempre que satanás o tentou, revidou dizendo “está escrito” e, assim, manteve-se limpo, íntegro e agradável ao Pai.
Que belíssimos exemplos a serem seguidos por nós que queremos por gratidão agradar o Pai. Que Ele nos ajude!


Preparando caminhos para o Senhor

on quinta-feira, 24 de março de 2011

Weslei Odair Orlandi

         No último final de semana os olhos da imprensa e de todos os brasileiros estiveram voltados para a visita do Presidente Barack Obama ao Brasil, mas poucos prestaram atenção naqueles que vieram antes fazer os preparativos para sua chegada. Sem eles, porém, a “obamania” não teria sido possível. Todo evento – grande ou pequeno – é precedido por pessoas que se ocupam dos preparativos. É assim em casamentos, na chegada de um filho e etc. Até para a morte há hoje pessoas que se ocupam com os preparativos e isso bem antes dela acontecer como é o caso dos planos funerários.
         A chegada de Jesus na Terra também foi precedida por preparativos e preparadores. João Batista foi o principal encarregado de Deus para essa missão. Marcos inicia seu Evangelho discorrendo sobre esse assunto; ele não narra o nascimento e a infância de Jesus, mas destaca o serviço e as ações de arauto.
É interessante meditarmos sobre o papel de precursor desempenhado por esse que foi a transição entre os profetas e o Messias, pois se um dia ele preparou o caminho para a chegada de Jesus na Terra, hoje o mesmo caminho precisa ser preparado para Ele chegar aos corações. Há muitos corações – lares, famílias, cidades e países – aonde Ele ainda não chegou e é tarefa nossa tornar possível esse evento ao maior número possível de pessoas. O que João Batista fez para preparar o caminho para Jesus é o que nós também devemos fazer.
         Vejamos à luz de Marcos 1:1-8 o que ele fez:

1. João Batista pregou o arrependimento.


"Apareceu João no deserto e pregando o batismo de arrependimento , para remissão de pecados."

Essa é a porta de entrada para Jesus. Sem arrependimento nos corações é impossível que Jesus entre e ache morada. Arrependimento (metanoia) é mudança de atitude que nos leva a um novo comportamento. Arrepender-se é parar de fugir da realidade, é parar de assumir desculpas para o pecado e simplesmente admiti-lo. No texto o arrependimento é demonstrado de três maneiras, uma completando a outra: a) “Iam ter com ele” – isto é, não ignoravam sua mensagem; não fugiam da realidade, antes, encaravam-na; b) “confessando seus pecados” – não escondiam seus erros, mas traziam-nos à tona, tornavam-nos público; c) “eram batizados” – assumiam publicamente a decisão de viver uma nova vida.
É urgente que restauremos a mensagem do arrependimento. É urgente que você [eu, nós...] se arrependa!

2. João Batista exaltou a pessoa de Cristo.


"e pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias."

 Seu maior empenho sempre foi mostrar a todos sua insignificância em relação a Cristo.  Para ele o importante era a exaltação de Cristo e não a sua. “Importa que ele cresça eu diminua” (Jo 3:31) foi sua afirmação mais contundente.
Em nossos dias Jesus não tem podido chegar ao coração de muitos porque exaltamos não a Ele, mas aos homens. Muitos têm sido trazidos a nós, mas poucos têm sido levados a Jesus.  Preparamos os corações das pessoas para amarem os homens, para se tornarem seus admiradores, fãs, adeptos e seguidores. Por isso, se o líder da Igreja vem, o povo vem; se ele falta o povo também falta. Se ele cai, muitos também caem.
 Precisamos resgatar diante dos homens a visão do Cristo que foi morto e ressuscitou em favor dos homens. Quanto a nós, importa que Ele cresça enquanto diminuímos. Quando o sol brilha forte, as estrelas [que continuam no céu] desaparecem. Somente quando os homens percebem a real grandeza de Cristo é que o desejam e o convidam para entrar em suas vidas.

3. João Batista exaltou a obra de Cristo.


"Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo."

 Mostrou-lhes que tudo quanto Jesus faz em nós e por nós é sempre superior ao que podemos fazer. Nada do que fazemos é suficiente ou comparável ao que Jesus fez e faz.
Semelhantemente ao que João fez a carta aos Hebreus foi escrita justamente para cumprir este propósito: mostrar a superioridade de Cristo em relação a todas as coisas. Na visão corretíssima do autor da carta Jesus é incomparável. Eu prego; por meio do Espírito Ele convence. Os anjos ajudam; Ele salva. Moisés foi servo; Jesus é Filho. Os sacrifícios precisavam ser repetidos; Ele ofereceu um único e decisivo sacrifício.
Assim é que João salientava sempre: eu batizo com água, ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.

Em suma, essa é a mensagem que devemos pregar se desejamos preparar caminhos que possibilitem a chegada de Jesus aos corações.
 Preguemos o arrependimento. Mostremos aos homens o quão grande é o Senhor e também a superioridade, valor e qualidade de suas ações!

É normal ser normal.

on quinta-feira, 3 de março de 2011

Weslei Odair Orlandi

         Você já se sentiu inquieto ou esquisito por ser apenas “normal”? Lembro-me de já ter me sentido assim algumas vezes. Quando iniciei meu ministério sentia-me pequeno diante daqueles que narravam grandes histórias. Nasci num lar cristão, meus pais nunca se separaram, em casa nunca faltou comida, nunca vi meu pai desempregado, nunca roubei, nunca matei, nunca fui preso. Evangélico de berço fui levado desde cedo para a escola bíblica o que me manteve sempre afastado de rituais macabros. Logo, nunca tive “testemunhos” fantásticos para contar. Confesso: isso me fez sentir acuado algumas vezes. Queria ter alguma história “interessante” para contar.
         Também já me senti desconfortável com o sucesso, talento e popularidade dos outros enquanto eu não passava de um reles mortal. Creio que com um pouco de honestidade todos acabaremos admitindo já ter tido essas crises pelo menos uma vez na vida. Inúmeras vezes e pessoas já fizeram perguntas do tipo “por que eu não sou diferente? Por que eu não sou o(a)  mais bonito(a) da sala? Por que nunca me aplaudiram? Por que não sou famoso e rico? Por que não tenho uma voz extraordinária? Por que não sou um grande orador? Por que não consigo escrever livros? Por que Deus não me usa para fazer grandes milagres? Por que não pastoreio uma grande igreja e não ganho um excelente salário? Por que tenho que levantar cedo todos os dias, trabalhar muito e ganhar pouco?” A lista de perguntas poderia ficar cada vez maior, mas por ora basta. Cada um tem sua lista o que é compreensível.
         Eu já fiz essas perguntas. Hoje não faço mais. Aprendi que a regra é ser normal. Aliás, aprendi que não são os grandes talentos, predicados e popularidade de uma pessoa que impressionam Deus. Isso nada é aos Seus olhos.
         Foi lendo – acredite – as desprezadas e complicadas genealogias da Bíblia que alcancei minha libertação. Vi que elas não estavam ali apenas ocupando espaço e desafiando aqueles que se propõem a ler a Bíblia inteira versículo por versículo. Percebi que a lição proposta por aquelas listas intermináveis de nomes impronunciáveis estava não no que lia, mas no que não lia, isto é, no que por falta de motivos justificáveis não foi narrado.
         As genealogias deixaram de ser inúteis; elas me mostraram que todos têm uma origem, seja ela qual for, e que somos o resultado inegável daqueles que foram antes de nós.
         As genealogias deixaram de ser inúteis; elas me lembraram que a história da humanidade sempre foi e sempre será construída a partir de milhares de micro histórias de pessoas cujas realizações nunca foram e nem nunca serão contadas. Quem foram elas? Que nome seus pais lhes deram? O que elas fizeram? Quais foram seus sonhos? O que realizaram? A quem amaram? Por que choraram e também riram? A resposta é que simplesmente não sabemos. Muito pouco ou nada sabemos sobre nossos bisavós e tataravós. Quem foram seus primos, amigos, tios e avós? O mundo já acolheu bilhões de pessoas até hoje, mas apenas algumas centenas delas tornaram-se alvos dos biógrafos e historiadores.
         As genealogias deixaram de ser inúteis; elas me auxiliaram com a compreensão de que o normal da vida é ser normal. O ser pífio não é crime nem sinônimo de incompetência; é apenas não fazer sucesso, não distribuir autógrafos e não ser alvo dos holofotes. É normal fazer coisas corriqueiras como brincar, crescer, estudar, trabalhar, amar, casar, ter filhos, envelhecer, morrer e nunca mais ser lembrado senão por alguns e por alguns anos. Cair no esquecimento dentro de algumas décadas é o que está reservado para a maioria. Essa é a regra, não a exceção.
         Não sofro mais com a ausência de histórias emocionantes e homéricas. Contento-me agora em ler a história de terceiros enquanto a minha não vai além do simplesmente trivial. Aprendi a viver um dia de cada vez. Acalmei meu coração e sou grato a Deus pelo que sou e pelo que não sou. Procuro ser o melhor normal possível entre os anônimos que me rodeiam. No meu pacto com a vida não há mais uma cláusula que priorize o estrondoso. Quero apenas desempenhar com alegria, excelência e amor a tarefa que me for confiada, seja ela qual for.

Médico, afaste-se.

on quarta-feira, 2 de março de 2011


A peça, de um único ato, baseada em João 5:1-4, The angel that troubled the waters, de Thornton Wilder, dramatiza o poder de cura do tanque de Betesda sempre que um anjo agitava-lhe as águas. Um médico vem periodicamente ao tanque, esperando ser o primeiro da fila e ansiando ser curado de sua melancolia. O anjo finalmente aparece, mas impede o médico quando está prestes a entrar na água. O anjo manda o médico se afastar, pois esse momento não é para ele. O médico implora por ajuda numa voz entrecortada, mas o anjo insiste que a cura não está destinada a ele.

O diálogo continua, e  então chega a palavra profética do anjo: "Sem suas feridas, onde estaria o seu poder? É a sua melancolia que faz sua voz baixa estremecer dentro do coração de homens e mulheres. Nem mesmo os próprios anjos conseguem convencer os filhos miseráveis e desajeitados na terra como consegue um ser humano quebrado pelas rodas do viver. A serviço do Amor, apenas soldados feridos podem se alistar. Médico, afaste-se".

(Thornton Wilder, citado por Brennan Manning em "O impostor que vive em mim", pág. 31 - Ed. Textus)