Deus se alegra.

on sábado, 30 de maio de 2009


Deus se alegra. Não porque os problemas do mundo tenham sido resolvidos, não por causa do fim da dor e do sofrimento humano, nem porque milhares de pessoas se converteram e agora estão louvando sua bondade. Não, Deus se regozija porque um de seus filhos que estava perdido foi achado.

(Henri Nowen, citado por Philip Yancey em "Alma sobrevivente", pág. 326 - Ed. Mundo Cristão)

O bem mais perdido.

on domingo, 24 de maio de 2009


... NAS PERDAS DO BEM há mais e menos; há bens mais perdidos, e bens menos perdidos. O bem perdido menos perdido é aquele que depois de perdido se pode recuperar: o bem mais perdido e totalmente perdido, é aquele que perdido uma vez, não pode recuperar-se. Perde um homem a Deus, e perde o tempo: qual é maior perda? Em razão de bem é Deus, em razão de perdido é o tempo; porque Deus perdido pode recuperar-se; o tempo perdido não se pode recuperar.






Padre Antônio Vieira em "Discurso Primeiro", Sermões, Lello e Irmãos, Volumes XIII -XV, pág. 634

Não é natural viver entre cristãos.

on terça-feira, 19 de maio de 2009


Não é natural para o cristão viver entre cristãos. Jesus Cristo viveu em meio a seus adversários. Por fim, todos os discípulos o abandonaram. Na cruz encontrou-se em solidão total, cercado de malfeitores e zombadores. Para isso viera: para trazer a paz de Deus aos inimigos. Assim também o lugar do crente não é a reclusão da vida monacal, mas em meio aos inimigos. É ali que tem sua missão, sua tarefa. "O Reino há que ser estabelecido em meio aos inimigos. Quem não quiser sujeitar-se a isso, esse não pode ter parte no Reino de Cristo, mas quer viver cercado de amigos, viver num mar de rosas, na companhia de gente piedosa, jamais de maus. Oh blasfemadores e traidores de Cristo! Se Cristo procedera como vós, quem se teria salvo?" (Lutero)


(Dietrich Bonhoeffer em "Vida em comunhão" - pág. 5 - Ed. Sinodal)

Para falar ao coração.


O pregar que é falar, faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras.


Padre Antonio Vieira

Não deixe de ler "Os miseráveis" - Victor Hugo.

on sexta-feira, 15 de maio de 2009




Ufa, até que enfim terminei de ler "Os miseráveis" - Victor Hugo (vl. 1). Foram 773 páginas de muita emoção.


Agora, é ler o vl. 2 - vêm aí mais 617 páginas. Com certeza valerá a pena.


Já vai longe o tempo em que temia livros com mais de 200 páginas. Eles já não me assustam mais. Que venham os livros "paginosos" ou "despaginados". Não tenho pressa; apenas sede de palavras...

Não deixem de ler esse monumento literário: Os miseráveis - Victor Hugo. (Ed. Martin Claret).


O livro pode ser encontado também em outros formatos e editoras.


Síntese do livro: Trata-se de um romance marcado por uma vasta análise de costumes da França do século XIX. Esse livro revela uma grande complexidade tanto sob o ponto de vista da escrita como da própria trama ficcional, misturando realismo e romantismo.
A obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean - o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão. Mais tarde, surpreendido pelo perdão do bispo que o hospedou em sua casa, depois de ter-lhe roubado seus talheres de prata, esse homem passa a não mais viver longe do amor e da misericórdia até sua morte iluminada pelo sofrimento.

Um livro inquietante, cativante e imperdível!!!!!






Da indigência ao fausto.

on terça-feira, 12 de maio de 2009


Veem-se às vezes pessoas que, pobres, e mesquinhas, parecem despertar, passando subitamente da indigência ao fausto, fazendo despesas de todo tipo, tornando-se de repente luxuosas, pródigas e magníficas. Isso é efeito de alguma quantia embolsada; o dia de algum pagamento que teria sido ontem. Aquela jovem recebera todo o seu semestre.


(Victor Hugo em "Os miseráveis" - vl. 1, pág. 669 - Martin Claret)

Um colégio inesquecível.

on quarta-feira, 6 de maio de 2009


Weslei Odair Orlandi



Dias atrás estive viajando e fui há um grande, singelo, mas sofisticado colégio. Pela aparência devia ter sido construído há alguns séculos, embora não parecesse velho. No pátio, milhares de crianças, adolescentes, jovens, homens e mulheres de meia-idade e também velhos caminhavam entusiasmados. Havia entre todos uma euforia contagiante. Também quis estar entre eles.
Aproximei-me de um senhor sorridente, falante e muito simpático. Ele estava explicando a uma criança o significado de algumas palavras que na aula do dia anterior não haviam ficado muito claras. Não parecia estar cansado nem mesmo com pressa. Vi nele, ao contrário do que estou acostumado a ver, uma sincera devoção e desejo de que o menino, de verdade, entendesse o que não ficara esclarecido. Depois de alguns segundos ouvindo-o, interrompi-o e perguntei-lhe que escola era aquela e o que eles estavam cursando. Com um gesto educado e envolvente, ele prontamente se dispôs a me explicar que escola era aquela, convidando-me para caminhar com ele. O que vi e ouvi foi simplesmente inesquecível.
A princípio ele me informou que aquela não era uma escola convencional como as que já conhecia, mas sim um centro de convivência e educação com propósitos bem definidos. Eles estavam ali todos os dias e apesar das diferenças de idade e nível de conhecimento, todos utilizavam o mesmo Livro para aprender. Na verdade, ninguém julgava saber mais do que o outro. A escola funcionava a partir de princípios que podiam ser facilmente colocados em prática sempre que a aula acabava. Algum dos alunos, me informou o simpático ancião, eram às vezes teimosos e insistiam em não levar a sério o que ouviam. Ainda assim, no decorrer dos dias, muitos deles acabavam por entender a grandeza do que lhes fora ensinado e passavam a também praticar as lições das aulas anteriores.
Eu estava boquiaberto. A estrutura física do colégio ia ficando cada vez mais insignificante na medida em que era informado sobre os corpos docente e discente da escola, sobre a perseverança, paciência e brandura do Diretor principal e também do Proprietário da escola que era Pai do Diretor. Quis saber o que aprendiam e então ele me explicou. A princípio não compreendi muito bem, mas com a ajuda de um dos Professores, que se aproximou de nós – mais tarde eu soube que aquele Professor também era um dos Donos da escola – na medida em que o ancião me falava fui tendo uma ideia cada vez mais aclarada do que ouvia. Foi sublime. Era tudo tão simples, tão fácil, tão libertador, tão verdadeiro... Pensei e lamentei silenciosamente não ter conhecido antes aquela escola. Ali estava tudo o que eu sempre quis.
Soube que entre os alunos do colégio havia concórdia, paz, genuína preocupação com o bem estar uns dos outros, companheirismo, igualdade e, principalmente, amor. Nada era falso. Às vezes tinham problemas entre eles, nada que não pudesse ser rapidamente resolvido.
Quis conhecer o alfabeto que estudavam e descobri que as letras eram as mesmas que eu já utilizava. A diferença estava no modo como eram ensinadas. Não havia no colégio a preocupação de que os alunos aprendessem a técnica da escrita, mas sim o poder dos princípios que fluíam de cada letra. Como tudo ali era poderosamente contagiante não me esqueci até agora dos princípios que eram ensinados a partir de cada uma delas. Penso que todos deveriam conhecê-los. Assim o mundo seria inevitavelmente melhor. Pacientemente aquele senhor sorridente e seu Professor me levaram a uma sala de aula e me mostraram o Livro e os princípios contidos nele. Eram mais ou menos assim:
A – Ame a Deus sobre todas as coisas; B – Busque ao Senhor enquanto se pode achar; C – Clama a mim e responder-te-ei (aqui, palavras do próprio Diretor); D – Dos teus pecados já não me lembro mais (estas são palavras do Pai do Diretor); E – Entrega o teu caminho ao Senhor; F – Faça tudo sem murmuração; G – Guarda o teu pé quando entrares na Casa do Senhor; H – Habitem estas palavras abundantemente em seu coração; I – Inclina os teus ouvidos para ouvir as palavras do Livro; J – Jamais desista; L – Lança o teu cuidado sobre o Senhor; M – Maneja bem a palavra da verdade; N – Não te desvies nem para a direita nem para a esquerda; O – Olhe para mim e seja salvo (novamente, palavras do Diretor); P – Pedi e dar-se-vos-á; Q – Qualquer que pede, recebe; R - Resista ao diabo e ele fugirá de você; S – Santifique-se na verdade; T – Transforme-se pela renovação do seu entendimento; U – Unge os seus olhos com discernimento; V – Vigie e ore sempre; Z – zele por sua integridade física, moral e espiritual.
Meu deslumbramento aumentava a cada segundo. Era como se aqueles princípios possuíssem vida própria. Pareciam saltar para dentro de mim na medida em que eram lidos e explicados. Não pude me conter. Pedi para ser matriculado naquela escola e quando perguntei pelos custos que teria soube que Alguém já pagara os estudos de todos; não custaria nada a mim – depois, soube que na verdade o preço das mensalidades e todos os demais gastos haviam sido pagos pelo Diretor Principal, o filho do Dono da escola.
O passeio pelo colégio ainda não acabara. Na verdade estava apenas começando, mas então, ao longe ouvi um som de campainha; era o despertador à cabeceira da minha cama. Acordei e vi que tudo não passou de um sonho. Um lindo e inesquecível sonho.
Mais tarde, já acordado e de volta à vida comum pensei que aquela Escola, seus Dirigentes, aquele senhor sorridente e todos os outros alunos bem podiam ser a Igreja de Cristo aqui na terra. Foi então que decidi lutar, não por fama, saúde e prosperidade, mas por uma comunidade de fé alfabetizada na Palavra de Deus de Gênesis a Apocalipse.

O inevitável cadinho de todos nós.


Na idade em que a mocidade nos enche o coração de um orgulho imperial, ele abaixou mais de uma vez os olhos para suas botas furadas, e conheceu as vergonhas injustas e as pungentes humilhações da miséria. Admirável e terrível provação da qual os fracos saem infames e os fortes saem sublimes. Cadinho em que o destino lança um homem todas as vezes que quer obter um miserável ou um semideus.


(Victor Hugo em "Os miseráveis" - vol. 1, pág. 647 - Martin Claret)

As grandes infelicidades da vida humana.

on sábado, 2 de maio de 2009


A questão pertence a um modo de pensamento que para mim é muito estranho. Consiste em supor que as grandes infelicidades permanentes da vida humana devem ser curáveis se tão-somente pudermos encontrar a cura certa... Eu, porém, não tive nenhuma garantia de que qualquer coisa que possamos fazer erradicará o sofrimento. Acredito serem os melhores resultados os obtidos por gente que trabalha em silêncio e diligentemente com objetivos restritos, como a abolição do tráfico de escravos ou a reforma do sistema prisional, as leis de proteção aos trabalhadores das indústrias ou o combate à tuberculose, não por aqueles que acham que podem alcançar a justiça, a saúde, ou a paz universal. Acredito que a arte da vida consiste em enfrentar, da melhor maneira, cada mal imediato. (...) O dentista que pode estancar uma dor de dente merece mais da humanidade que todos os homens que julgam ter um plano para produzir uma raça perfeitamente saudável.


(C.S. Lewis em "O peso de glória" - Por que não sou pacifista, pág. 80-81 - Ed. Vida)

Unidade reencontrada.

on sexta-feira, 1 de maio de 2009



Quem quer que leia o Novo testamento, ainda que superficialmente, há de notar que aqui o mundo da divisão, do conflito, da problemática ética está como que desaparecido. Não a desintegração do ser humano em relação a Deus, ao semelhante, às coisas, a si mesmo, mas a unidade reencontrada, a reconciliação é a base de onde se fala, tornou-se o "ponto decisivo da experiência especificamente ética". A vida e a ação das pessoas não têm nada de problemático, penoso, sombrio, mas algo natural, alegre, certo, claro.







(Dietrich Bonhoeffer em "Ética", pág. 20 - Ed. Sinodal)