Receita para uma igreja bem sucedida.

on quinta-feira, 21 de outubro de 2010


Ricardo Gondim


Gabriel Andrada é jovem, seminarista, recém casado, e cheio de ideais. Evangélico desde o berço, diz que só se converteu de fato com 17 anos em um acampamento de carnaval. Desde a experiência de conversão, que o levou às lágrimas, participa de eventos evangelísticos de sua igreja. Agora se sente vocacionado para ser pastor. Ávido por ser “usado” por Deus, Gabriel matriculou-se em um pequeno instituto bíblico. 

Gabriel me conheceu na internet e escreveu pedindo ajuda. Precisa que eu lhe ensine o “caminho das pedras” para começar uma igreja do zero. Pensei, pensei!  Sem conhecê-lo, sem saber exatamente aonde o noviço quer chegar, resolvi correr o risco de responder. Disse que para uma igreja ser bem sucedida no Brasil são necessários a combinação de pelo menos dois, de quatro ingredientes. 

1) Um pastor carismático. Que tenha traquejo para falar em público com desenvoltura. Que cante afinado, ou que pelo menos comece os hinos no tom certo. Que tenha boa memória para decorar versículos e saiba citá-los sem tomar fôlego. Que seja simpático e bem humorado no trato pessoal.

2) Um bom prédio em uma boa localização. Que a igreja seja em um lugar de fácil acesso. Que tenha bom estacionamento. Que seja confortável, preferivelmente com cadeiras acolchoadas, climatizado com ar condicionado. Que os banheiros limpos não cheirem a creolina.

3) Acesso à mídia. Que a nova igreja tenha programa de rádio ou de televisão. Mas que a programação ressalte as qualidades especiais do líder como o apóstolo escolhido de Deus para os últimos dias. Que repita sem parar que a igreja é especial, diferente de todas as outras. É bom que o locutor fale em línguas estranhas (glossolalia) e profetize sobre detalhes da vida dos crentes. Que crie uma aura de “poder” pentecostal e curiosidade nas pessoas de comparecerem aos cultos. 

4) Teologia da Prosperidade. Que o pastor não tenha escrúpulo de prometer milagre à granel. Que a maior parte do culto seja gasto colhendo testemunhos de gente que enricou com as campanhas dos sete dias, com os jejuns da conquista, com as rosas santas, com os cultos dos Gideões, com as maratonas de oração. Quanto mais relatos, melhor. 

Ressalto. Gabriel não precisa se valer de todos os pontos para se tornar o novo fenômeno gospel brasileiro. Entretanto, sem o quarto ingrediente, ele não vai a lugar nenhum. Basta que combine qualquer um com o último e seguramente se tornará um forte concorrente nos disputadíssimo mercado gospel.


Entretanto, como vai concorrer com expoentes bem consolidados, terá que trabalhar muito. Talvez precise fazer o programa de rádio ou de televisão na madrugada.  No começo, para pagar o horário, terá que fazer merchandise de Ginka Biloba. Gabriel não deve ter receio de oferecer, por uma pequena oferta, lenço ungido, óleo sagrado ou água do rio Jordão. Se necessário, pode até vender cadernos escolares com a capa espiritual; tipo, um rapaz surfando e uma frase ao lado: “Cristo é ‘sur-ficiente’ para mim”.
Não sei se Gabriel entenderá a minha ironia. Caso leve os meus conselhos a sério, logo teremos uma nova igreja de nome bizarro. Contudo, quando estiver nos píncaros da glória, todos saberão que a trajetória de Gabriel Andrada não foi tão espiritual quanto se poderia supor. “Há algo de podre no reino da Dinamarca” – Shakespeare.


Soli Deo Gloria.


(Fonte: www.ricardogondim.com.br)

O inferno e eu... e também você!

on quarta-feira, 13 de outubro de 2010


Em todas as discussões acerca do Inferno, devemos conservar o tempo todo diante dos olhos a condenação possível, não a de nossos inimigos nem a de nossos amigos (uma vez que podem perturbar a razão), mas a de nós mesmos. [A discussão acerca do inferno] não versa sobre sua mulher ou seu filho, tampouco sobre Nero ou Judas Iscariotes: ele versa sobre mim e você.




(C.S. Lewis em "O problema do sofrimento", pág. 144 - Ed. Vida)

Razão porque as aflições não podem cessar.

on terça-feira, 12 de outubro de 2010


Dessa forma, a terrível necessidade da tribulação mostra-se por demais evidente. Deus me teve por apenas 48 horas, e somente à força de me tirar tudo, mas basta que Ele guarde a espada por um momento para eu me comportar como um animal de estimação quando o banho odiado termina. Sacudo-me até secar-me ao máximo e corro para reassumir minha cômoda imundície, se não no monte de esterco mais próximo, ao menos no mais próximo canteiro de flores. Essa a razão por que as aflições não podem cessar enquanto Deus não nos vir transformados ou que não há esperança de transformação para nós.


(C.S. Lewis em "O problema do sofrimento", pág. 121 - Ed. Vida)

Meu twitter

on segunda-feira, 11 de outubro de 2010



Acesse e siga: www.twitter.com/wesleiorlandi

Não deixe de ser o que deve ser, mesmo que...

on sexta-feira, 8 de outubro de 2010

No lar de crianças pobres de Calcutá, na Índia, há, afixado no muro um texto que afirma o seguinte:
As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as mesmo assim!
Se você tem sucesso nas suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso mesmo assim!
O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem mesmo assim!
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto e franco mesmo assim!
Aquilo que você levou anos para construir pode ser destruído de um dia para outro.
Construa mesmo assim!
Se você der ao mundo o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor.
Mesmo assim!

Por falta de assunto.

on segunda-feira, 4 de outubro de 2010

                                                                   Weslei Odair Orlandi

         Por falta de assunto, resolvi escrever. Mas escrever o quê? Assunto não falta, o que falta é saber sobre que assunto escrever. Assunto é aquilo de que se trata, que é matéria ou objeto de consideração. Assunto é aquilo que desperta interesse, que chama atenção.
         Resolvi escrever. Mas escrever o quê? Assunto não falta, o que falta é saber que assunto interessa quem lê. Existem muitas formas de assunto e muitos assuntos sem forma, sem informação, sem eira nem beira, que servem pra tudo menos pra ser chamado de assunto.
         Outro dia me vi em apuros. Encontrei-me com um amigo, desses que acha assunto e tempo pra tudo. No primeiro instante decidi que não iria agüentar muito daquela tagarelice sem fim, verborragia inútil, palavrório em cascata, mas com poucas idéias. Maquinei um jeito de escapar; disse a ele que o assunto era bom, mas que precisava ir embora. Ele, de empolgado que estava, nem me ouviu, ou se ouviu, fingiu não ouvir. Continuou falando, e falando falou até que, de tanto falar se engasgou com saliva. Nem assim se deu por vencido: lembrou-se de um outro dia em que se engasgara com uma semente de jabuticaba. “Foi assunto pra semana inteira”, falou meu amigo ainda pigarreando por causa do engasgo recente.
         Sentei-me e, resignado, tentei encontrar conforto nas palavras de Tiago, o apóstolo: “Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar”.
         “Uma hora ele vai se cansar” – pensei, e antes que pudesse fazer alguma interpolação, vi aproximar-se de nós um outro rapaz, um outro amigo meu que também gosta de falar e acha assunto e tempo pra tudo. Foi pura sorte, na verdade um golpe de misericórdia que pôs fim ao meu sofrimento. Eles, de tão empolgados que ficaram com os assuntos do dia, acabaram se despedindo de mim, misturando adeus com risada, risada com salada de fruta (que era o assunto que eles haviam começado a tratar) e então se foram. E eu, bem... Eu, depois de tanto ouvir meus amigos tarelos acabei descobrindo que em vez de falar queria escrever.
         Então, tentei escrever. Mas, escrever sobre o quê?
         “Assunto não falta – argumentei mentalmente – o que falta é saber sobre que assunto escrever”. E depois, de tanto pensar, acabei escrevendo sobre a incapacidade de escolher sobre que assunto falar, quando não se sabe escolher um assunto que seja assunto para o assunto em questão.

A liberdade requer independência.

As inexoráveis "leis da natureza", que operam a despeito do sofrimento ou do merecimento humano e que não são afastadas pela oração, parecem, à primeira vista, fornecer um forte argumento contra a bondade e o poder de Deus. Pretendo alegar que nem mesmo a Onipotência poderia criar uma sociedade de almas livres sem ao mesmo tempo criar uma Natureza relativamente independente e "inexorável".
(...)
A liberdade de uma criatura deve significar liberdade de escolha, e esta implica a existência de coisas as quais escolher. Uma criatura sem ambiente não teria escolhas a fazer, de modo que a liberdade, a exemplo da consciência de si mesmo (se é que elas não são, na verdade, a mesma coisa), uma vez mais requer para o eu a presença de alguma coisa além do eu.

(C.S. Lewis em "O problema do sofrimento", pág. 36 - Ed. Vida)