Para 2010 há bons e maus conselhos: a escolha é sua.

on quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Weslei Odair Orlandi


Todos os fins de ano são parecidos. Quando avistamos dezembro somos tomados por um sentimento de dever cumprido; desaceleramos, realizamos balanços, fazemos as pazes com a balança para não termos de nos sentir culpados com os excessos que certamente virão, recebemos o décimo terceiro salário, pagamos contas antigas, viajamos, recebemos parentes em casa, vamos às compras (alguns preferem esperar pelas liquidações), fazemos planos para o ano novo...

Ah, os planos! Como bons brasileiros, somos teimosos, esperançosos, otimistas; não desistimos nunca. O fim de um ano difícil jamais é tido como prenúncio de dias ainda mais críticos; sempre estamos no aguardo de dias melhores. Isto é saudável e está inclusive de acordo com a Bíblia. No livro de Eclesiastes somos desafiados a isso mesmo, afinal de contas “quem está entre os vivos tem esperança” (Ec 9:4).

Outra presença indispensável no final de ano é a dos conselhos e dicas de auto-ajuda. Esses nunca faltam e nem poderiam. É salutar atentarmos à sabedoria, ainda que seja a popular. Um pouco a mais de sabedoria nunca é demais.

Na condição de pastor e conselheiro este é um momento no qual me sinto inclinado a também dar conselhos. Este ano resolvi ser um pouco mais ousado. Cansado de dizer os mesmos chavões de sempre, pretendo ser mais democrático com todos. Assim, minha decisão foi a de preparar uma lista não só de bons conselhos, mas também de maus conselhos (vinte ao todo). Não sei se vou conseguir ser tão bom e tão mau ao mesmo tempo. Vou tentar ser o mais claro possível.

Os meus dez bons conselhos para quem quer fazer uso deles não são na verdade meus. Pincei-os da Bíblia (confira se estou certo lendo Êxodo 20:1-17). São eles: Não substitua Deus por absolutamente nada. Jamais idolatre qualquer coisa ou pessoa. Não trate Deus como se ele fosse comum. Jamais se esqueça de que descansar é uma ordem divina e não um sinal de fraqueza ou de preguiça. Honre seus pais e respeite aqueles a quem você deve isso. Jamais cometa um assassinato (isso inclui não odiar, 1 Jo 3:15). Não cometa adultério. Não se apodere do que não é seu. Não conte mentiras e nem passe uma falsa impressão. Jamais cobice o que é dos outros.

Esta é uma lista repleta de bons presságios. Quem examinar com cuidado cada um desses conselhos e colocá-los em prática será feliz em todos os seus caminhos. Agora, se você acha que essa lista é densa demais e impossível de ser praticada, então deixa eu lhe dar a lista dos dez conselhos maus que alguns corajosa ou irresponsavelmente, não sei bem ao certo, preferem gerir ao longo dos meses. São eles (Ah, sim! Antes de lê-los é bom que se saiba que eles não podem ser encontrados na Bíblia): Preocupe-se bastante; comece a fazer isso amanhã mesmo. Acredite severamente nas suas previsões pessoais. Lute com todas as suas forças para ficar rico. Compare-se com outros pelo menos uma vez por dia. Aumente sua lista de inimigos. Fique irritado com todos; suspeite deles; não perdoe ninguém e jamais leve desaforo pra casa. Seja extremamente radical com suas imperfeições. Nunca deixe de se sentir culpado por tudo. Gaste mais do que você ganha. Não leve tão a sério o que a Bíblia diz, afinal, Deus é amor. Procure cumprir todos os nove itens citados acima e assim em um ano você provavelmente conseguirá se “libertar” para sempre da enfadonha tarefa de fazer listas, ouvir conselhos e tentar ser melhor cada vez que o ano novo chega.

Uma última palavra: antes de achar cômico esse texto ou de péssimo mau gosto reflita um pouco no que você fez em 2009 e com qual das duas listas suas ações foram mais parecidas. Também pare e pense no que você sinceramente está preparando para os próximos 365 dias! Agora que você já tem a lista dos bons e maus conselhos, a escolha é sua. A todos os meus leitores graça, misericórdia, paz e que 2010 seja realmente 10!

É natal, e daí?

on quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Weslei Odair Orlandi

Parece que o natal anda chegando mais cedo do que esperávamos. Lembro-me de quando era criança e ele demorava uma eternidade para se repetir. Quando finalmente o mês de dezembro era anunciado começavam os preparativos, os primos em férias que vinham para casa, os comes e bebes; o refrigerante voltava à mesa, as luzes, os presentes, o parque na cidade, as peças teatrais sobre o nascimento de Jesus. Doces lembranças de quando o natal era mesmo uma data muito especial. Hoje, parece que ele já não encanta tanto. Também, parece que foi ontem que falávamos dele e agora já o temos à nossa frente de novo.

Mas, enfim, é natal outra vez, e daí? Mais um ano se foi, águas turbulentas passaram sob pontes teimosas que não se deixaram sucumbir. Todo ano é a mesma coisa: canções alegres, luzes coloridas, comércio em ebulição, papai noel roubando a cena, viagens, encontros, reencontros...

Acho que está na hora de aprendermos uma nova maneira de pensar sobre o assunto. O natal não é – e jamais deverá ser – esse frenesi capitalista que quer vender em um mês o que não vendeu em um ano. O natal transcende a tudo isso: é divino, dinâmico, encantadoramente amoroso. Nele, e por causa dele, é possível falarmos de esperança, de vida, de paz, de eternidade, de alegria, de superação, de recompensa. Precisamos reconfigurar em nossas mentes cristãs a verdadeira mensagem natalina.

Lendo as Escrituras e estudos sérios feitos sobre a época exata do nascimento de Jesus não podemos afirmar que Ele de fato nasceu em 25 de dezembro. Na verdade as evidências mostram mesmo o contrário. Entretanto, o natal existe, pois Jesus nasceu, e isso é fato comprovado. Uma verdade como essa não pode passar despercebida e já que ficou convencionado que dezembro é o mês natalino, então falemos sobre o nascimento de Jesus e o que ele significa para nós.

Entregar seu Filho para encarnar a natureza humana não foi um gesto que soou natural, descomplicado e corriqueiro mesmo para Deus. Ele não tomou essa decisão por considerá-la fácil, pouco onerosa ou mesmo heroica. Não devemos pensar assim. O nascimento de Jesus foi, na verdade, o gesto apaixonado de um pai que não quer admitir a perda de um só filho seu ainda que tenha muitos. Quando falamos do nascimento de Cristo precisamos entender primeiro o coração turbilhonado de Deus pelo amor que extravasando as fronteiras do céu veio como um meteoro veloz em direção à terra dos homens maus.

Em seu livro “O evangelho maltrapilho”, Brennan Manning escreve: “Seria mais fácil encerrar as cataratas do Niágara numa xícara de chá do que compreender o amor selvagem e irrefreável de Deus”. É isso o que muitos ainda não sabem quando vivem o clima natalino de todos os anos. Não sabem o quanto Deus os ama. Não compreendem que natal significa Deus o Filho esvaziando-se de si mesmo para oferecer aos homens a maior de todas as dádivas: o retorno aos braços de Deus o Pai.

Na fraqueza da carne humana, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, na noite do seu natal inaugurou e apontou para um novo e vivo caminho de retorno ao lar. Ali, na manjedoura desprezível e habitada por animais estava tendo início a mais sublime, apaixonante, marcante e transformadora saga que os homens jamais haviam imaginado. Seu nascimento não foi singular apenas porque anjos apareceram cantando ou porque magos do oriente vieram de longe presenteá-lo e adorá-lo. O nascimento de Jesus foi e sempre será único porque ali, naquela noite estranha, Deus deixou de lado o justo direito de condenar os condenáveis, para que num ato minuciosamente pensado e arquitetado por milênios, as trancas de ferro da perdição eterna fossem quebradas dando a nós prisioneiros da úmida, fria e solitária cela do pecado a liberdade de poder olhar nos seus olhos marejados de lágrimas e repletos de amor e novamente dizer “abba, pai” sem que para isso tivéssemos de remoer o constrangimento da culpa e da traição.

Este é o verdadeiro sentido do natal. No passado, há dois mil anos, a conturbada Palestina recebeu seu mais importante hóspede. No presente, e neste natal, é nossa a vez de hospedarmo-lo em o nosso coração. No futuro, quando o Dia do Senhor fulgurar seus raios produzidos pelo Sol da justiça, será a sua vez de hospedar. Em sua casa entrarão todos aqueles que sabiamente discerniram o natal e entregaram suas vidas, seus corpos e suas esperanças ao único personagem legalmente possuidor da mensagem do natal.

Seu nome?! J.E.S.U.S C.R.I.S.T.O!

O homem, o barril e o abismo.


Esta é a história de um homem que chegou à beira de um abismo. Enquanto ficava lá pensando o que faria em seguida, o homem surpreendeu-se ao ver uma corda bamba esticada sobre o abismo. E devagar, com segurança, vinha pela corda um acrobata empurrando antes de si um barril com outro artista dentro. Quando chegaram finalmente à terra firme, o acrobata sorriu diante do espanto do homem.

- Você não acredita que consigo fazer de novo? - perguntou ele.
- Mas claro, com certeza acredito que você consegue - respondeu o homem.
O acrobata perguntou novamente, e quando a resposta foi a mesma, ele apontou para o barril e disse:
- Tudo bem. Então, entre no barril que eu o levo para o outro lado.

Pergunta: O que o viajante fez?

Aliás, é exatamente essa a pergunta que devemos fazer a nós mesmos a respeito de Jesus Cristo.

(História de Morton Kelsey, citado por Brennan Manning em "O evangelho maltrapilho", pág. 176-177 - Ed. Mundo Cristão).

A fábula do porco-espinho.

on quarta-feira, 2 de dezembro de 2009


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Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Sem alternativa, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.

E assim sobreviveram.

Moral da História

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com a individualidade do outro, e a aquecer-se nas coisas que têm em comum.