Conselhos para sobreviver ao mundo gospel

on quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


Ricardo Gondim.



O mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno.
Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “ a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.
Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis.
O que fazer? Tenho algumas idéias.
Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre Cd de música ou de pregação - inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras - idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam.
Não vá a congressos - inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos "louvorzões". Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique, a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da "teologia da prosperidade". Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso.
Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo. Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério:
Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro?A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”?Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis?Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado.
Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta.
So haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira - o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar.
Concordo, ninguém agüenta o jeito como as coisas estão.


Soli Deo Gloria.




O homem, o vazio e a gaiola.

on terça-feira, 27 de janeiro de 2009


Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas.

Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas morrem. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas da gaiola estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao voo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão suas vidas.


(Rubem Alves em "Religião e repressão", pág. 9 - Ed. Loyola)

Masculinidade versus hombridade


Devemos escolher ser mais do que masculinos. Devemos optar pela hombridade, a verdadeira masculinidade.
(S. Arterburn & Fred Stoeker em "A batalha de todo homem", pág. 86 - Ed. Mundo Cristão)

Li em Janeiro de 2009


Estes são os livros que li em Janeiro de 2009.


1. A cabana - Philip P. Young - Ed. Sextante.

2. A águia e a galinha - Leonardo Boff - Ed. Vozes

3. A batalha de todo homem - Stephen Arterburn & Fred Stoeker - Ed. Mundo Cristão

A pior tristeza

on segunda-feira, 19 de janeiro de 2009




Não ter uma lágrima para ocultar;


ou um alguém para conversar;


ou um jeito de soluçar.




Não ter uma agonia para estancar;


ou um grito para soltar;


ou um jeito de amargar.




Não conseguir gritar, vem me ajudar;


ou um ombro para apoiar, ou um jeito de amuar.




Não saber soletrar o verbo esperançar;


ou um canto para cantarolar,ou um jeito de continuar.




Ricardo Gondim

Excelência versus obediência

on domingo, 18 de janeiro de 2009


É evidente que a excelência não é o mesmo que obediência ou perfeição. A busca pela excelência nos deixa muito vulneráveis a ciladas após ciladas, uma vez que ela abre espaço para misturas. Isso não acontece com a busca pela obediência ou pela perfeição.


A excelência é um padrão misturado, enquanto a obediência é um padrão fixo. Queremos ter como alvo o padrão fixo.




(Stephen Arterburn & Fred Stoeker em "A batalha de todo homem", pág. 66 - Ed. Mundo cristão)

Inspiração

on sábado, 17 de janeiro de 2009


Como explicar a inspiração? Às vezes, no meio da noite, dormindo um sono profundo, eu acordo de repente, anoto uma frase cheia de palavras novas, depois volto a dormir como se nada tivesse acontecido. Escrever, e falo de escrever de verdade, é completamente mágico. As palavras vêm de lugares tão distantes dentro de mim que parecem ter sido pensadas por desconhecidos, e não por mim mesma.


(Clarice Lispector em "Outros escritos", pág. 124 - Ed. Rocco)

Deus é pássaro encantado.


DEUS É COMO UM PÁSSARO ENCANTADO que nunca se vê. Só se ouve o seu canto... Deus é uma suspeita do nosso coração de que o universo tem um coração que pulsa com o nosso. Suspeita... nenhuma certeza. Fujam dos que têm certezas. Olhem bem: eles trazem gaiolas nas suas mãos. Os pássaros que têm presos nas suas gaiolas são pássaros empalhados. Ídolos. (1)
(...)
As religiões são instituições que pretendem haver colocado numa gaiola o pássaro encantado. E não percebem que o pássaro que têm nas suas gaiolas é um pássaro empalhado. Era por isso que no Antigo Testamento era proibido falar o nome de Deus. Hoje, ao contrário, os religiosos não só falam o nome sagrado como também escrevem tratados de anatomia e fisiologia divinas. E proclamam que o pássaro só pode ser encontrado dentro das suas gaiolas. (2)
(1) - Rubem Alves em "O melhor de Rubem alves", pág. 111 - Ed. Nossa Cultura
(2) - Rubem Alves em "Religião e repressão", pág. 9-10 - Ed. Loyola

Autenticidade versus sinceridade


Importa não confundir autenticidade com sinceridade. A sinceridade se situa no nível do eu consciente: a pessoa sincera diz o que pensa e age conforme sua idéia. Mas não necessariamente é autêntica. Pode não ouvir seu eu profundo e suas emoções. Não é inteira poque não engloba todo o seu ser consciente e inconsciente. A sintonia fina entre os dois eus a faria autêntica e transparente. Sempre que esse processo ditoso ocorre, a pessoa revela densidade e inteireza. A pessoa autêntica mostra leveza em seu ser e em tudo o que faz. Seu humor é sem amargura, seu desejo é sem obsessão, sua palavra é sem segundas intenções.


(Leonardo Boff em "A águia e a galinha", pág. 116 - 46a. edição - Ed. Vozes)

Psalm 23


The Lord is my shepherd, I shall not want.


He makes me lie down in green pastures,


he leads me beside quiet waters,


he restores my soul.


He guides me in paths of righteousness for his name´s sake.


Even though I walk


through the valley of the shadow


of death,


I will fear no evil, for you are with me;


your rod and staff, they comfort me.


You prepare a table before me


in the presence of my enemies.


You anoint my head with oil;


my cup overflows.


Surely goodness and love will follow


me


all the days of my life,


and I will dwell in the house of the Lord


forever.




(Scripture taken from Holy Bible, NIV. Used by permission of Zondervan)

Entropia

on quarta-feira, 14 de janeiro de 2009


O drama se agrava em face da realidade da entropia*, do desgaste das energias, do envelhecimento natural e da inevitabilidade da morte. O dia ensolarado caminha lentamente para a noite escura. O ridente vedrdor da primavera desliza preguiçosamente para o vermelho alegre do verão. Para o amarelo sereno do outono. E para o cinzento desbotado do inverno. Todos os seres vivos nascem, crescem, maduram, envelhecem e morrem. Nenhuma força poderá deter esse curso irrefragável das coisas.




* Entropia - desgaste natural e irreversível de energia de um sistema ou de todo o universo tendendo a zero = morte térmica (o calor todo se perde).




(Leonardo Boff em "A águia e a galinha", pág. 86 - 46a. edição - Ed. Vozes)




A trindade de terrores: religião, política e economia

on terça-feira, 13 de janeiro de 2009



Jesus fez uma pausa e retomou, com a voz firme e paciente: - Como eu disse, não crio instituições. Essa é uma ocupação dos que querem brincar de Deus. Portanto, não, não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia. (...) E por que deveria gostar? É a trindade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto. Quantos tormentos e ansiedades relacionados a uma dessas três coisas as pessoas enfrentam! (...) Falando de modo simples, religião, política e economia são ferramentas terríveis que muitos usam para sustentar suas ilusões de segurança e controle.



(William P. Young em "A cabana", pág. 166 - Ed. Sextante)

Os estrangeiros que são todos.

on sábado, 10 de janeiro de 2009


Paulo Brabo




Certo de estar a ponto de ferir a sensibilidade de alguns, quero deixar clara minha posição sobre determinado assunto: o Estado de Israel não representa qualquer continuidade, mesmo que honorária, com a tradição religiosa judaico-cristã registrada nas duas metades desiguais da Bíblia. Historicamente e espiritualmente falando o Estado de Israel não representa a religião que se convencionou chamar de judaísmo, e creio que pelo menos lá todos sabem disso. Há muitos judeus devotos ao redor do mundo, muitos desses em Israel, mas não cabe identificar israelitas com israelenses ou o associar o Estado de Israel à Terra Prometida (e muito menos ao reino de Davi); qualquer tentativa em contrário é engano ou esforço de marketing e de relações públicas, sendo esses últimos patrocinados em grande parte pelos Estados Unidos, com o consentimento embaraçado de Israel.
Tenho amigos em Israel e estou muito longe de ser anti-semita; tenho também queridos amigos muçulmanos, e não sou ingênuo o bastante para crer que a tensão entre Israel e o mundo árabe seja simples de recapitular, de equacionar, de assimilar ou de solucionar. Também não tenho qualquer antipatia pelos israelenses que não são judeus, e tampouco creio haver qualquer diferença de mérito entre as categorias igualmente arbitrárias que acabo de mencionar.
Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.
Tenho ainda a dizer que apenas as guerras me enfurecem mais do que Estados e nações; apenas as guerras soam-me mais atrozes e arbitrárias do que rótulos.
Mas a guerra é um demônio que não pára: seu emblema é o símbolo alquímico das duas salamandras devorando incessantemente uma a cauda da outra. O terrorista de um lado é o herói da resistência do outro. Cada ataque confirma as piores suspeitas que um adversário tem do seu antagonista; cada ofensiva é redimida com novos recrutamentos, que garantem a perpetuação do conflito. Os Estados Unidos permanecem liberando indiscriminadamente o Iraque, fomentando indignação igualmente justificada entre muçulmanos letrados e chãos. Israel, sentindo-se ameaçado como nunca pelo Hezbollah (que é por sua vez patrocinado por implacáveis rancores iranianos e sírios), está atacando de formas sujas e limpas palestinos e libaneses – que estão longe de ser inocentes, mas que morrem com a facilidade atroz de qualquer um – enquanto na América cristãos queimam cópias do Corão em austera homenagem ao Príncipe da Paz. Morrem quase quatrocentos libaneses num único dia da semana passada, ao mesmo tempo em que os israelenses abandonam em massa o norte do país temendo velhos ataques e novas retaliações.
* * *
É comum associar o cristianismo e a mensagem de Jesus a uma compreensão nova, inclusiva e compassiva sobre a natureza do “outro”. Isso é em grande parte muito acertado, mas é bom lembrar por exemplo que “amai o próximo como a ti mesmo” é injunção da Bíblia hebraica – curiosa exigência que precede a Jesus e da qual o judaísmo não prescinde.
Se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo.
Na verdade, são inúmeros os mandamentos da Lei de Moisés explicitamente desenhados para proteger o desavisado outro – o estrangeiro – que se encontrasse em terras de Israel. E o motor dessa tolerância, o declarado motivo para essa misericórdia, deveria ser segundo o texto a recorrente lembrança do passado de Israel como povo estrangeiro e oprimido no Egito, antes do Êxodo e da independência e da Lei: “amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito”.
O israelita é dessa forma desafiado constantemente pela sua Lei a recordar a abjeção da sua condição anterior, bem como a dispensar ao estrangeiro a misericórdia que no passado não obteve:
Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.
Se o estrangeiro peregrinar na vossa terra, não o oprimireis.
Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.(Levítico 19:10, 23:22, 19:33-34)
Outras passagens sustentam que o verdadeiro patrocinador desse amor tolerante pelo estrangeiro/outro é o caráter singular de Deus, que não aceita suborno e não faz distinção entre as pessoas:
Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno;
que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes.
Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.
Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão; nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra.
Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em penhor a roupa da viúva.
Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem.(Deuteronômio 10:17-19, 23:7, 24:17, 26:12)
Porém o mundo dá voltas, e os palestinos são hoje hóspedes impossivelmente incômodos dos israelenses, da mesma forma que Israel é refém do mundo árabe, embora conte com a proteção dos americanos, graças aos quais os iraquianos são também estrangeiros em sua própria terra. Só me resta pedir que Deus proteja os estrangeiros que são todos, porque não posso esperar que judeus e cristãos e muçulmanos honrem suas Escrituras ou neguem sua história.
* * *
Ninguém me venha, finalmente, acusar de anti-semitismo: se Deus não faz acepção de pessoas, todos os genocídios são o mesmo. Quanto a judeus e cristãos e muçulmanos que derramam sangue ao mesmo tempo em que alegam possuir alguma intimidade com a Misericórdia, façam-me um favor: vão para o inferno.
Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva. E todo o povo dirá: Amém!(Deuteronômio 27:19)




(importei esse artigo do site http://www.ricardogondim.com.br/)

O cadafalso

on sexta-feira, 9 de janeiro de 2009



"O cadafalso, com efeito, quando está lá, preparado e aprumado, tem qualquer coisa que alucina. Podemos ter certa indiferença em relação à pena de morte, podemos não nos pronunciar, dizer sim ou não, enquanto não virmos com os próprios olhos uma guilhotina; mas, se encontrarmos uma, o abalo é violento, temos de nos decidir a favor ou contra. Uns admiram, como De Maistre, outros maldizem como Beccaria. A guilhotina é a concreção da lei, chama-se vingança, não é neutra nem permite que se fique neutro. Quem a vê estremece com o mais misterioso dos estremecimentos. Todas as questões sociais levantam em torno desse cutelo seu ponto de interrogação. O cadafalso é uma visão. O cadafalso não é uma viga de madeira, o cadafalso não é uma máquina, o cadafalso não é um mecanismo inerte feito de madeira, ferro e cordas. Parece ser uma espécie de criatura que possui alguma sombria iniciativa; parece que essa viga vê, que essa máquina ouve, que esse mecanismo compreende, que essa madeira, esse ferro e essas cordas têm querer. No devaneio medonho em que sua presença joga a alma, o cadafalso surge, terrível, e envolvido com o que faz. O cadafalso é o cúmplice do algoz; ele devora; ele ingere a carne, ele bebe sangue. O cadafalso é uma espécie de monstro fabricado pelo juíz e pelo carpinteiro, um espectro que parece viver de um tipo de vida espantosa, feita de todas as mortes que gerou".


(Victor Hugo em "Os miseráveis" - vl. 1, pág. 40-41 - Ed. Martin Claret)

Milagres


Fica difícil selecionar trechos de um livro que é 100% excelente. Minha admiração por C.S. Lewis cresce a cada novo livro que leio. Ler e meditar nos escritos desse fantástico pensador cristão é como descobrir a cada passo um novo oásis nos desertos da vida.




Leiam alguns dos pensamentos de Lewis em "Milagres" - Ed. Vida.


“A suposição de que coisas associadas no passado estarão associadas no futuro é o princípio que orienta não o comportamento racional, mas o animal”. pág. 37
“A mente humana é um ramo, um broto, uma incursão da realidade Sobrenatural na Natureza”. pág. 50
“Milagre – algo contrário à ordem conhecida da natureza”. pág. 78
“Cristo não morreu pelos homens por eles serem intrinsecamente dignos dessa morte, mas porque Ele é intrinsecamente amor e, por isso, ama infinitamente”. pág. 85
“O que gostamos de chamar “erros primários” não desaparecem: apenas mudam de forma”. pág. 87
“Se não temos noção alguma do motivo pelo qual algo acontece, então naturalmente não conhecemos nenhuma razão pela qual não deveria ser de outro modo e, portanto, nenhuma certeza de que algum dia possa acontecer de maneira diferente”. pág. 91
“É incorreto definir um milagre como algo que quebra as leis da Natureza. Não quebra. (...) Trata-se de um pouco mais de matéria-prima na qual aplicar as leis, e elas se aplicam. Eu simplesmente inseri um acontecimento na corrente geral de acontecimentos, e ele se enquadra ali perfeitamente e adapta-se a todos os outros”. pág. 95
“A arte divina do milagre não é uma arte de suspensão do padrão a que os eventos obedecem, mas a de canalizar novos acontecimentos nesse padrão”. pág. 96
“Falemos de beleza, verdade e bondade ou de um Deus que é simplesmente o princípio de habitação interior desses três atributos; falemos de uma grande força espiritual que permeia todas as coisas, uma mente comum da qual todos somos parte, um reservatório de espiritualidade generalizada para o qual podemos todos fluir. Iremos deparar com um amigável interesse. No entanto, a temperatura sobe quando mencionamos um Deus que tem planos e realiza atos notáveis, que faz uma coisa e não outra, um Deus concreto que escolhe, dá ordens, proíbe e tem caráter definido”. pág. 128
“Jamais houve um tempo em que nada existia. Do contrário, nada existiria agora”. pág. 138
“É a própria Razão que nos ensina a não confiar somente na razão porque ela sabe que não pode operar sem a matéria. Quando se fica claro que não podemos descobrir pela Razão se o gato está ou não no armário, a própria Razão sussurra: “Vá e olhe. Essa não é minha função, é uma tarefa para os sentidos”. pág. 141
“Ele (Deus) é impronunciável não por ser indefinido, mas por ser definido demais para a inevitável falta de precisão da linguagem”. pág. 142
“A razão porque Deus não tem paixões é que elas implicam passividade e intermissão. A paixão do amor é algo que acontece em nós, como “ficar molhado” é algo que acontece ao corpo. Deus está isento dessa “paixão”, da mesma forma que a água está isenta de “se molhar”. Ele não pode ser afetado pelo amor, porque Ele é amor”. pág. 144
“O silêncio no mundo material ocorre nos espaços vazios, mas a Paz suprema é silenciada por meio da própria densidade da vida”. pág. 145
Ele (Deus) pode operar milagres. Mas será que o faz? Muitas pessoas sinceramente consagradas acreditam que não, pois acham que não seria digno dEle. Déspotas cruéis e instáveis quebram as próprias leis; reis sábios e bons obedecem a elas. Só um trabalhador incompetente produziria uma obra que precisasse ser retocada”. pág. 147
“A teologia oferece uma opção que dá ao cientista liberdade para continuar suas experiências, e ao cristão, suas orações”. pág. 164
“O principal milagre professado pelos cristãos é a Encarnação. Afirmam que Deus se fez homem e que todos os outros milagres são uma preparação para isso, manifestam esse fato ou dele resultam”. pág. 167
“Os milagres não se relacionam com uma série de incursões independentes na Natureza, mas com várias fases de uma invasão estrategicamente coerente – uma invasão que busca uma conquista completa, a “ocupação” de todos os espaços. A adequação e, portanto, a credibilidade de milagres específicos dependem de sua relação com o Grande Milagre”. pág. 167-168
“Em toda parte, o grande acolhe o pequeno, e essa capacidade é praticamente a prova de sua grandeza”. pág. 172
“A morte, de fato, é o que alguns indivíduos chamam hoje de “ambivalente”. Ela é a grande arma de satanás e também a grande arma de Deus. É sagrada e profana. Nossa suprema desgraça e nossa única esperança, aquilo que Cristo veio conquistar e o meio pelo qual Ele efetuou a conquista”. pág. 191-192
“O pecado dos homens foi possível porque Deus lhes concedeu livre-arbítrio, abdicando assim de Sua onipotência (trata-se novamente de um movimento de esvaziamento ou rebaixamento, porque Ele viu que num mundo de criaturas livres, mesmo que elas caíssem, Ele poderia extrair (e esta é a reascensão) uma felicidade mais profunda e um esplendor maior do que um mundo de autômatos admitiria”. pág. 186
“A humanidade deve aceitar a morte, submeter-se a ela com total humildade, bebê-la até o fim e, então, convertê-la naquela morte enigmática, que é o segredo da vida”. pág. 198
“A mente que exige um Cristianismo sem milagres é aquela que se encontra no processo de rebaixar o Cristianismo a simples “religião”. pág. 203
“Cada milagre escreve para nós em letras miúdas aquilo que Deus já escreveu ou escreverá com letras quase que grandes demais para serem notadas na ampla tela da Natureza”. pág. 205
“Uma das glórias do Cristianismo é podermos responder a essa questão: “Não importa”. Quaisquer que tenham sido os poderes do homem antes da Queda, os do Homem remido, ao que tudo indica, serão praticamente ilimitados”. pág. 205
“Outra forma de expressar o verdadeiro caráter dos milagres seria dizer que (...) eles agem em escala reduzida, fazendo aquilo que Deus outras vezes realiza em tão grande escala que os homens nem prestam atenção. (...) Eles antecipam poderes que todos os homens terão quando forem também “filhos” de Deus e entrarem nessa “gloriosa liberdade”. pág. 206
Em relação aos milagres: “O isolamento de Cristo não é o de um prodígio, mas o de um pioneiro. Ele é o primeiro de sua espécie, mas não será o último”. pág. 206
“Cuidem-se, pois os demônios riem triunfantes, daquele que aprende meias verdades”. (C. Patmore (The victories of love) – citado por C.S. Lewis. pág. 217
“A ressurreição e suas conseqüências eram o evangelho ou as boas novas que os cristaos transmitiam”. pág. 218
“Quase seria possível definir o futuro como o período em que aquilo que estamos fazendo agora estará morto e no qual a ordem que ainda existe diminuirá”. pág. 230
“Além-sexual seria um termo melhor que assexuado para a vida sexual”. pág. 242
“A oração e a meditação feitas sob vento cortante ou debaixo de um sol tranqüilo, na alegria da manhã ou na resignação da tarde, na juventude ou na velhice, na saúde ou na doença, podem ser igualmente abençoadas, embora de modo diferente”. pág. 244

Nossa Terra


"Nossa terra é como uma criança que cresceu sem pais, não tendo ninguém para guiá-la e orientá-la (...) alguns tentaram ajudá-la, mas a maioria simplesmente procurou usá-la. Os seres humanos, que receberam a tarefa de guiar amorosamente o mundo, em vez disso o saquearam sem qualquer consideração. E pensaram pouco nos próprios filhos, que vão herdar sua falta de amor. Por isso usam e abusam da Terra e, quando ela estremece ou reage, se ofendem e levantam os punhos contra Deus".



(William P. Young em A cabana, pág. 131-132 - Ed. Sextante)

Principais mudanças na ortografia

on sexta-feira, 2 de janeiro de 2009





Trema – desaparece em todas as palavras.

antes: Freqüente, lingüiça, agüentar
agora: Frequente, linguiça, aguentar

* Fica o acento em nomes como Müller

Acentuação 1 – some o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima sílaba mais forte).

antes: Européia, idéia, heróico, apóio, bóia, asteróide, Coréia, estréia, jóia, platéia, paranóia, jibóia, assembléia
agora: Europeia, ideia, heroico, apoio, boia, asteroide, Coreia, estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia

* Herói, papéis, troféu mantêm o acento (porque têm a última sílaba mais forte).

Acentuação 2 – some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas.

antes: Baiúca, bocaiúva, feiúra
agora: Baiuca, bocaiuva, feiura

* Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí.

Acentuação 3 – some o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos) .

antes: Crêem, dêem, lêem, vêem, prevêem, vôo, enjôos
agora: Creem, deem, leem, veem, preveem, voo, enjoos

Acentuação 4 – some o acento diferencial.


antes: Pára, péla, pêlo, pólo, pêra, côa
agora: Para, pela, pelo, polo, pera, coa

* Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber acento circunflexo.

Acentuação 5
– some o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar, arguir, redarguir, enxaguar.

antes: Averigúe, apazigúe, ele argúi, enxagúe você
agora: Averigue, apazigue, ele argui, enxague você

Observação: as demais regras de acentuação permanecem as mesmas.

Hífen – veja como ficam as principais regras do hífen com prefixos:

a. USA HÍFEN:


- Prefixo: Agro, ante, anti, arqui, auto, contra, extra, infra, intra, macro, mega, micro, maxi, mini, semi, sobre, supra, tele, ultra... + palavra seguinte começa com H ou com vogal igual à do último prefixo. Ex: auto-hipnose; auto-observação.


* não usa hífen em todos os demais casos. Exemplo: autorretrato, autosustentável, minirreforma.


- prefixo HIPER, INTER, SUPER + palavra seguinte começa com H ou com R. Exemplo: super-homem; auto-retrato.


* não usa hífen em todos os demais casos. Exemplo: hiperinflação, supersônico.


- prefixo SUB + palavra seguinte começa com B, H ou R. Exemplo: sub-base; sub-reino; sub-humano.


* não usa hífen em todos os demais casos. Exemplo: subsecretário, subeditor.


- prefixo VICE - usa-se sempre o hífen. Exemplo: vice-rei; vice-presidente.



- prefixo PAN, CIRCUM + palavra seguinte começa com H, M, N ou VOGAIS. Exemplo: pan-americano, circum-hospitalar.


* não usa hífen em todos os demais casos. Exemplo: pansexual, circuncisão.
Alfabeto - agora o K, Y e W são oficiais, mas utilizados apenas em palavras de origem estrangeira.



Fonte: professor Sérgio Nogueira

O risco de amar



Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar - ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar ... onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e pertubações do amor é o inferno.

(C.S. Lewis em "Os quatro amores" - Ed. Martins Fontes.)

A cabana




Weslei Odair Orlandi
Escrito por William P. Young (Ed. Sextante) - esse é mais um daqueles livros que para sempre deixará marcas profundas em minha alma. Como disse Michael W. Smith: "Esta história deve ser lida como se fosse uma oração - a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A Cabana."


O livro todo é de um primor inigualável, mas algumas porções merecem destaque ainda maior:


Pág. 12 - "Acho que, assim como a maior parte das nossas feridas tem origem em nossos relacionamentos, o mesmo acontece com as curas, e sei que quem olha de fora nao percebe essa bênção."
Pág. 61 - "Há ocasiões em que optamos por acreditar em algo que normalmente seria considerado absolutamente irracional. Isso não significa que seja mesmo irracional, mas certamente não é racional. Talvez exista a supra-racionalidade: a razão além das definições normais dos fatos ou da lógica baseada em dados. Algo que só faz sentido se você puder ver uma imagem maior da realidade. Talvez seja aí que a fé se encaixe."
Pág. 83-84 - (palavras proferidas por Deus a Mackenzie): "Eu não sou masculino nem feminina, ainda que os dois gêneros derivem da minha natureza. Se eu escolho aparecer para você como homem ou mulher, é porque o amo. Para mim, aparecer como mulher e sugerir que você me chame de Papai é simplesmente para ajudá-lo a não sucumbir tão facilmente aos seus condicionamentos religiosos. Se eu me revelasse a você como uma figura muito grande, branca e com aparência de avô com uma barba comprida, simplesmente reforçaria seus estereótipos religiosos. É importante você saber que o objetivo deste fim de semana não é reforçar esses estereótipos."
Pág. 84 - "Assim que a Criação se degradou, nós soubemos que a verdadeira paternidade faria muito mais falta do que a maternidade. Não me entenda mal, as duas coisas são necessárias, mas é essencial uma ênfase na paternidade por causa da enormidade das conseqüências da ausência da função paterna."
Pág. 85 - "Será que a liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer? Ou poderíamos falar sobre tudo o que limita a sua liberdade. A herança genética de sua família, seu DNA específico, seu metabolismo, as questões quânticas que acontecem num nível subatômico onde só eu sou a observadora sempre presente. Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram, as influências sociais externas, os hábitos que criaram elos e caminhos sinápticos no seu cerébro. E há anúncios, as propagandas e os paradigmas. Diante dessa confluência de inibidores multifacetados - ela suspirou -, o que é de fato a liberdade?"
Pág. 87 - "A maioria dos pássaros foi criada para voar. Para eles, ficar no solo é uma limitação de sua capacidade de voar, e não o contrário. (...) Você por outro lado, foi criado para ser amado. Assim, para você, viver como se não fosse amado é uma limitação, e não o contrário. (...) Viver sem ser amado é como cortar as asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar."
Pág. 89 - "Ainda que por natureza Jesus seja totalmente Deus, ele é totalmente humano e vive como tal. Ainda que jamais tenha perdido sua capacidade inata de voar, ele opta, momento a momento, por ficar no chão. Por isso seu nome é Emanuel, Deus conosco, ou Deus com vocês, para ser mais exata."
Pág. 90 - "Os seres humanos não são definidos por suas limitações, e sim pelas intenções que tenho para eles. Não pelo que parecem ser, mas por tudo que significa ser criado à minha imagem".
Pág. 97 - "Os relacionamentos não têm nada a ver com poder. Nunca! E um modo de evitar a vontade de exercer poder é escolher se limitar e servir. Os humanos costumam fazer isso quando cuidam dos enfermos, quando servem os idosos, quando se relacionam com os pobres, quando amam os muito velhos e os muito novos, ou até mesmo quando se importam com aqueles que assumiram uma posição de poder sobre eles".
Pág. 115 - "A verdadeira falha implícita de sua vida, Mackenzie, é que você não acha que eu sou bom. Se soubesse que eu sou bom e que tudo - os meios, os fins e todos os processos das vidas individuais - é coberto por minha bondade, mesmo que nem sempre entenda o que eu estou fazendo, confiaria em mim. Mas não confia. (...) A confiança é fruto de um relacionamento em que você sabe que é amado."
Pág. 119 - "Não é o trabalho, e sim o propósito que o torna especial".
Pág. 131-132 - "Nossa Terra é como uma criança que cresceu sem pais, não tendo ninguém para guiá-la e orientá-la (...) alguns tentaram ajudá-la, mas a maioria procurou simplesmente usá-la. Os seres humanos, que receberam a tarefa de guiar amorosamente o mundo, em vez disso o saquearam sem qualquer consideração. E pensaram pouco nos próprios filhos, que vão herdar sua falta de amor. Por isso usam e abusam da Terra e, quando ela estremece ou reage, se ofendem e levantam os punhos contra Deus".
Pág. 133 - "Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência. Tem a ver com relacionamentos de amor e respeito."
Pág. 136-137 - (Jesus a Mackenzie) - "Minha vida não se destinava a tornar-se um exemplo a copiar. Ser meu seguidor não significa tentar 'ser como Jesus', significa matar a sua independência. Eu vim lhe dar vida, vida real, minha vida. Nós viveremos nossa vida dentro de você, de modo que você comece a ver com nossos olhos, ouvir com nossos ouvidos, tocar com nossas mãos e pensar como nós".
Pág. 142 - "Dentre os mistérios de uma humanidade ferida, este também é bastante notável: aprender, permitir a mudança".
Pág. 143 - "Muitos acreditam que é o amor que cresce, mas é o conhecimento que cresce, e o amor simplesmente se expande para contê-lo. O amor é simplesmente a pele do conheciemento".
Pág. 166 - "Jesus fez uma pausa e retomou, com a voz firme e paciente: - Como eu disse, não crio instituições. Essa é uma ocupação dos que querem brincar de Deus. Portanto, não gosto muito de religiões e também não gosto de política nem de economia. (...) E por que deveria gostar? É a trintade de terrores criada pelo ser humano que assola a Terra e engana aqueles de quem eu gosto. Quantos tormentos e ansiedades relacionados a uma dessas três coisas as pessoas enfrentam! (...) religião, política e economia são ferramentas terríveis que muitos usam para sustentar suas ilusões de segurança e controle".
Pág. 173 - "A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras."
Pág. 178 - "Todo o mal decorre da independência e a independência foi a escolha que vocês fizeram. Se fosse simples anular todas as escolhas de independência, o mundo que você conhece deixaria de existir e o amor não teria significado. O mundo não é um playground onde eu mantenho todos os meus filhos livres do mal. O mal é o caos, mas não terá a palavra final. Agora ele toca todos os que eu amo, os que me seguem e os que não me seguem. Se eu eliminar as consequências das escolhas das pessoas, destruo a possibilidade do amor. O amor forçado não é amor."
Pág. 185 - "Você pode me ver numa obra de arte, na música, no silêncio, nas pessoas, na Criação, mesmo na sua alegria e na sua tristeza. Minha capacidade de me comunicar é ilimitada, vivendo e transformando, e tudo isso sempre estará sintonizado com a bondade e o amor de Papai. E você irá me ouvir e me ver na Bíblia de modos novos. Simplesmente não procure regras e princípios. Procure o relacionamento: um modo de estar conosco."
Pág. 189 - "Ele (Jesus) obedeceu a letra da lei e realizou completamente o espírito dela. Mas entenda, Mackenzie: para fazer isso, ele teve de confiar totalmente em mim e depender totalmente de mim.
- Então por que vocês nos deram esses mandamentos?
- Na verdade, queríamos que vocês desistissem de tentar ser justos sozinhos. Era um espelho para revelar como o rosto fica imundo quando se vive com independência".
Pág. 193 - "O problema de viver segundo prioridades é que se vê tudo como uma hierarquia, uma pirâmide, e você e eu já falamos sobre isso. Se você puser Deus no topo, o que isso realmente significa? Quanto tempo você me dá antes de poder cuidar do resto do seu dia, da parte que lhe interessa muitíssimo mais? (...) Eu não quero simplesmente um pedaço de você e de sua vida. Mesmo que você pudesse, e não pode, me dar o pedaço maior, não é isso que eu quero. Quero você inteiro e todas as partes de você e de seu dia. (...) Não quero ser simplesmente o primeiro numa lista de valores. Quero estar no centro de tudo. Quando vivo em você, podemos viver juntos tudo que acontece com você. Em vez de uma pirâmide, quero ser como o centro de um móbile, onde tudo em sua vida - seus amigos, sua família, seu trabalho, os pensamentos, as atividades - esteja ligado a mim, mas se movimente ao vento, para dentro e para fora, para trás e para a frente, numa incrível dança do ser".
Pág. 218-219 - "Se alguma coisa importa, tudo importa. Como você é importante, tudo que faz é importante. Todas as vezes que você perdoa, o universo muda; cada vez que estende a mão e toca um coração ou uma vida, o mundo se transforma; a cada gentileza e serviço, visto ou não visto, meus propósitos são realizados e nada jamais será igual."
Pág. 236 - "A maioria de nós tem suas próprias tristezas, sonhos partidos e corações feridos, cada um viveu perdas únicas, nossa própria "cabana". Rezo para que você encontre a mesma graça que eu recebi lá e que a presença constante de Papai, Jesus e Sarayu (Espírito Santo) preencha seu vazio interior de alegria indizível."






Bem-vindos a 2009



Weslei Odair Orlandi



Ufa, finalmente 2008 chegou ao fim! Ficamos cansados pelo trabalho, exauridos pelo corre-corre, boquiabertos diante dos acontecimentos, assombrados com as previsões, comovidos pelas catástrofes, revoltados com a impunidade, felizes com as conquistas. Viajamos, compramos, vendemos, sorrimos, choramos, reencontramos pessoas, despedimo-nos de gente querida, muito querida. Mas, enfim, o ano acabou e nós sobrevivemos a tudo isso. Agora, é começar tudo de novo. Outros trezentos e sessenta e cinco dias nos aguardam e a história continuará, ou para ser mais exato, se repetirá com algumas poucas nuances. Experimentaremos de novo a ambigüidade da vida. Sorrisos e lágrimas, luto e festa, nascimento e morte, dor e felicidade, conquistas e perdas. Nem sempre essas ‘dádivas’ da vida respeitarão nossos limites, esperarão pelo melhor momento. Dias normais, poderão ser tragicamente modificados por notícias avassaladoras ou, para não ser pessimista, alvissareiras.
Nesse emaranhado de atos e fatos, gerações virão enquanto outras se despedirão. O sol se levantará e se porá, a meu ver, cada vez com mais pressa de cumprir o seu ritual.
Haverá algo de que possamos dizer: “Veja, isso é novo!”? Espero, sinceramente, que sim. Apesar das sombras que pairam sobre o futuro, espero por dias melhores. Continuo acreditando que podemos nos tornar pessoas melhores; que podemos celebrar a vida sem evocar a angústia do que passou. O pregador, filho de Davi, ao olhar para os anos idos de sua vida, descobriu-se enfadado de tudo; dedicara-se a realizar muitas coisas, mas nenhuma delas o tornara realizado. Suas apostas no jogo da vida levaram-no a experimentar muitas frustrações. Assim, na sua análise retrospectiva da vida, afirmou: “o que é torto não pode ser endireitado; o que está faltando, não pode ser contado”. Ele devia ter lá suas razões, porém foi extremamente negativo, chegando quase que às raias da depressão. Viver não é tão difícil assim, muito menos tão decepcionante. Tudo depende da maneira como decidimos perceber o mundo à nossa volta. O que sei, e isso com absoluta certeza é que a vida é rara, isso sim, uma verdade inexorável. Só passamos por ela uma única vez. Nunca mais – repito, NUNCA MAIS – colocaremos os pés em dois mil e oito. Restarão apenas a nostalgia, as lembranças engraçadas e as marcas das feridas que já sararam.
A vida é rara, por isso, desperdiçar dois mil e nove com ressentimentos, preciosismos e caprichos banais é inadmissível. Não aceite ficar agoniado com picuinhas. Trancafiar-se num quarto escuro então, nem pensar. Eduardo Gianetti em seu livro O valor do amanhã nos lembra de algo importante. Ao escrever sobre a vida, ele chega à conclusão de que vivemos a lógica do empréstimo e do juro. Quem empresta abre mão do hoje em nome do futuro. Ao preço de abrir mão do hoje ele chama de juro. Quem toma emprestado, toma do futuro para ter hoje. A dor de cabeça começa quando a conta chega. Tudo na vida funciona assim. Quem fuma hoje, por exemplo, está abrindo mão do futuro. Um dia a conta virá.
Que em dois mil e nove nenhum de nós seja irresponsável. Que nenhum de nós faça empréstimos que mais tarde não poderá pagar. Quatro conselhos que não são meus, mas absolutamente sábios e praticáveis, me vêm à mente nesse momento. Se puder e quiser, use-os sem medo. Eles servirão com certeza de amparo e direção para o ano novo.
Primeiro, não perca o senso crítico. Não absorva tudo, não pare de pensar. Não se encante com tudo (nem se desencante com tudo). Analise. Diga sim, e não. Não aceite ser robotizado pela mídia e pela religião. Você pode, e deve, manter-se livre dos poderes manipuladores. Recuse-se saber apenas o que os outros querem que você saiba. Vá além. Pense fora da caixa. Procure a verdade; ela o libertará.
Segundo, não perca a auto-estima. Cuide de sua dignidade. Reconheça-se a si mesmo. Encante-se com os seus acertos. Sorria com os seus desacertos. Não seja não duro consigo mesmo. Não se subestime. Ghandi disse certa feita: “Ninguém sobe nas costas do outro, a não ser que ela esteja encurvada”.
Terceiro, não perca de vista a percepção de que a vida é efêmera. Ela não é eterna enquanto terrena. Tudo passa, e com que velocidade! Preste mais atenção nas pessoas que estão à sua volta. Elas, ou você, poderão não chegar a dois mil e dez.
Quarto, não perca o interesse pelo caminho da sabedoria. Lute por dias melhores, por melhores decisões. Lute para ser mais flexível em questões secundárias. Aprenda a brincar com a vida. A sabedoria não está no radicalismo da existência humana, mas no vôo desconcertado da borboleta e no sacolejar contínuo da criança em seu colo.
Sua felicidade em 2009, dependerá cem por cento, de suas decisões. Por isso, sempre que se deparar com as impossibilidades da vida, sorria para elas. Graças a Deus, Salomão estava errado. Tem jeito sim. Dois mil e nove pode ser melhor do que dois mil e oito. Jesus veio – e virá sempre – para endireitar o que estiver torto (Lucas 3:5).
Deus o abençoe com um ano repleto de paz, mesmo que se necessário, no meio da guerra. Desejo a você alegria e contentamento. Que as ações de graça e o som de canções festivas o cerquem todos os dias da sua vida.