Livros que li em julho e agosto 2010.

on segunda-feira, 30 de agosto de 2010









Julho

1. Muito além da grande muralha - Randy Alcorn (Betânia)
2. O que estão fazendo com a igreja  - Augustus Nicodemus (Mundo cristão)
3. A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstoi (Editora 34)

Agosto

1. A insustentável leveza do ser - Milan Kundera (Nova Fronteira)
2. Salvos da perfeiçao - Elienai Cabral Jr. (Ultimato)
3. A varanda do frangipani - Mia Couto (Cia. das Letras)

Eu, pássaro

on sábado, 28 de agosto de 2010



Weslei Odair Orlandi


Quem és tu, pássaro
Voando assim tão alto
Tão calmo
Tão solitário
Visível
(Invisível)
Dono do céu
Do azul
Do sul
Do norte
Tão forte
Tão frágil
Tão ágil

Quem és tu, pássaro
Voando assim tão alto
Roçando o céu
Rasgando o véu
Leva-me contigo
Amigo
Pra o lugar o vento vai

Quem és tu, pássaro
Voando assim tão alto
Senão prenúncios do adeus
Da viagem: minha, sua, nossa


Quem és tu, pássaro
Voando assim tão alto
Que vem
Que vai
Altaneiro
Livre
Vendo o nada
O tudo
O mundo
O aqui
O ali

Quem és tu, pássaro
Voando assim tão alto
Senão eu
Que vou
Que venho
Que tenho
Que sou
Que não sou
Estou:
Hoje aqui
Depois lá
No céu
Pássaro livre
Assim
Sem fronteiras
Sem olheiras
Só pássaro
Voando
Passando
Flutuando
Sem passado
Sem presente
E...
Sem futuro


8 motivos para apostar nos livros

on sexta-feira, 27 de agosto de 2010




Quem não lê bons livros não exerce influência alguma sobre quem não saber ler.



Li a lista dos 8 motivos para apostar nos livros essa semana na Revista Aventuras na história.Conheça-os você também:

1. Amplia o conhecimento geral.
2. Melhora a comunicação.
3. Estimula a criatividade.
4. Aumenta o vocabulário.
5. Emociona e provoca.
6. Muda sua vida.
7. Faz pensar nas coisas.
8. Facilita a escrita.

"Os benefícios da leitura são incontáveis. Por isso ler sempre é fundamental."

Meu voto vai para...

on segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Weslei Odair Orlandi

Sou ministro, mas não político. Meu ministério é outro. Minha vocação pastoral tem mão única. Embora respeite meus colegas que optam por viver uma vida dupla – refiro-me ao ministério e à política – não penso jamais em enveredar-me por esse universo às vezes sombrio demais para não causar medo. Ainda assim, penso em política. Honrosamente também sou brasileiro, eleitor e parte dessa história.

Apesar das sucessivas desilusões com a política e seus políticos, nossa fé é invencível; não desistimos nunca. Basta sabermos que é ano de eleições municipais, estaduais ou para presidente, para que voltemos a sonhar novamente. Mesmo que boa parte dos discursos não passe de retórica meticulosamente arquitetada e que não apresente nada de novo, reunimos forças para continuar acreditando e lá vamos nós em mais uma aposta.

Para os políticos (ainda acredito em exceções) parece que somos mesmo massa de modelar; bastam alguns abraços seguidos de impostação vocal carismática para que as metas eleitorais sejam atingidas. Para os eleitores (que somos nós, a turma na outra ponta da corda) resta sonhar, votar, esperar, deixar correr e aguardar novas eleições. É assim que, tristemente tem sido, em grande parte, até agora. Ao que parece, gostamos mesmo é de pizza!

Creio ter chegado a hora de repensarmos esses nossos gostos pouco saudáveis. Nesse contexto, a Igreja, que nem sempre quer se envolver com as “coisas desse mundo”, tem falhado. Argumentar, pensar, orientar e viabilizar conhecimento político aos fiéis para podermos então mudar não é só uma questão de consciência; é também um dever cívico e cristão.

No livro “Diálogos criativos”, Frei Betto faz uma observação no mínimo exata (talvez franca demais para alguns) sobre nossa falta de bate-papos sobre o assunto. Segundo ele “política é como sexo: quanto menos se fala em casa e na escola, mais bobagem se faz na rua”. Triste. Medonhamente lastimoso. Não dá para fechar os olhos (o que, aliás, fazemos muito) e fingir que isso não é verdade. Ou admitimos nosso pecado de omissão e de sucessivas “bobagens” e tomamos como obrigação a tarefa de ensinar o povo ou então, paciência. Nesse caso restará resignar-se e deixar que os maus continuem a nos governar. Afinal, quem se importa?

Entendam-me. Meu objetivo básico aqui é simples: esclarecer que não podemos nos limitar a orar pelos que estão em eminência (o que também não fazemos com a assiduidade necessária) deixando para Deus o que é dever nosso: o voto com seriedade. Enquanto não nos libertarmos das paixões arrebatadoras por indivíduos pouco qualificados que movem a massa votante no Brasil; enquanto não deixarmos de nos importar com popularidade, abraços, carismas e sorrisos e, enquanto não passarmos a votar movidos pela razão e não pela emoção, seremos sempre uma nação frágil e ridiculamente manipulável. Não será, obviamente, de uma hora para outra que isso vai mudar. Não. Isso leva tempo, muito tempo. Já temos lastro histórico suficiente para sabermos que as mudanças são implacavelmente lentas. Não acredito, porém, que chegaremos a um nível mínimo de maturidade política se não dermos em algum dia (por que não dia três?) o primeiro passo.

Precisamos nos lembrar sempre (e também nos convencermos de tal fato) que sim, por detrás dos rótulos da propaganda há uma máquina poderosa e pouco sensível chamada marketing e que ela não está de todo preocupada com os conteúdos programáticos dos candidatos, mas sim em fazer uma boa campanha rumo à vitória não só dos postulantes, mas também dela própria, o que lhe garantirá fama, serviços futuros e respeito no mercado. Essa não é uma ação isolada, mas generalizada, teimosamente presente e publicamente (às vezes nem tão publicamente assim) assumida.

A nós cumpre saber que os sonhos não foram patenteados por Martin Luther King. Nesse ano também devemos sonhar com algo mais para o nosso país. O meu sonho é o de que no fim das contas tenhamos podido ao menos nos libertar das garras sutis dos marqueteiros. Tomara que a máxima dos publicitários segundo a qual a melhor propaganda é sentença de morte para o mau produto funcione mesmo.

Não me iludo com um futuro sem males. Não ignoro nossas limitações e muito menos a escatologia bíblica. Não acredito em descontaminação absoluta. Não penso que nosso Brasil possa chegar ao ideal paradisíaco sem serpentes que falam. Acredito, porém, que há um mínimo necessário – isso que chamamos de consciência política - que ainda não estamos exercendo e é por ele que luto.

Insisto em dizer que não sou político. Não peço voto e por enquanto pretendo fazer valer o direito de não precisar me posicionar publicamente. Entretanto, peço aos meus irmãos e amigos eleitores que nesse ano façamos escolhas menos humilhantes. Não admitamos outro caminho senão o da elevação moral. Ou isso, ou nossa dignidade já não será mais tão digna assim.

Que no dia 03 de outubro mandemos um recado claro: aprendemos votar. Eu, mesmo sem a fatídica exibição política obrigatória no rádio e na televisão, já fiz as minhas escolhas. Ao menos já sei em quem não vou votar.

Nesse ano, não será tão simples dizer “meu voto vai para...”. Por isso, um último apelo se faz necessário antes do ponto final: Senhores candidatos, parem de querer nos enganar! (.)

Sigam-me no Twitter.

on sexta-feira, 13 de agosto de 2010


Sigam-me no twitter:


www.twitter.com/prweslei


A gente se tuíta!!!

Esta é toda a nossa liberdade.

on sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O que Fânia me escreveu era mais ou menos o seguinte: que a hereditariedade e o meio que nos alimenta, assim como a nossa classe social, são como as cartas de baralho que nos são distribuídas aleatoriamente, antes de o jogo começar. Até aí não há nenhuma liberdade de escolha - o mundo dá, e você apenas recebe o que lhe foi dado, sem nenhuma outra opção.

Entretanto, assim sua mãe me escreveu de Praga, a grande pergunta é o que cada um de nós consegue fazer com as cartas recebidas. Pois há os que jogam muito bem com as cartas nem tão boas, e há, pelo contrário, aqueles que desperdiçam e perdem tudo, mesmo com cartas excepcionais! E esta é toda a nossa liberdade...

Amós Oz em "De amor e trevas"

Viver


Weslei Odair Orlandi


Ter vida; existir; durar; perdurar. Estas são algumas das principais definições do verbo intransitivo “viver”. Parece simples, nem precisa de preposição ou de complementos. Não nos iludamos, porém; a completude para por aí; sequer consegue extrapolar as fronteiras do Aurélio.

Viver não é simples. Não. Viver é complexo, profundo, às vezes doloroso, lamurioso. Mas também tem seus contornos de leveza, felicidade intensa, de recompensas inebriantes. Eu gosto de viver. Apesar de tudo viver é bom, muito bom. É verdade que nunca se pode saber ao certo como se viverá, pois a vida é inédita a cada milésimo de segundo. Milan Kundera tem razão: “tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado”. E prossegue: “Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida?” Gosto da sua conclusão: “É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro”.

Um esboço sem quadro, isto é, a vida não poderá jamais ser revista, repensada, refeita e só então emoldurada e vivida. Viver é viajar numa estrada sem retornos. Segundo a Bíblia a duração da vida é quase nada se comparada ao desejo teimoso que todos têm de ficar vivo. A vida só vai, se esvai e nunca volta. Setenta anos e o que resta são alguns minutos de acréscimo concedidos ou não pelo Supremo Juiz.

Na medida em que vivemos também morremos. E por isso, perdoem-me, mas simplesmente não dá para falar da vida sem também pensar na morte. Algumas pessoas dizem que eu insisto demais nesse assunto. Certamente que eu, talvez, possa cometer alguns excessos. Mas a verdade é que não tem jeito. A vida e a morte sempre estiveram presentes em todos os tempos. No primeiro diálogo entre Criador e Criatura já se falou sobre viver e morrer. Desde então nunca mais se pôde ignorar um em detrimento do outro.

Tenho lido sobre viver e morrer. Esse assunto me fascina, me seduz, me envolve. Verdade seja dita eu não gosto de ler sobre a morte. Se a estudo é porque quero entender a vida. Assim quando falo da morte não é dela que quero me aproximar. Quando me debruço sobre os livros e me vejo eviscerando a dita cuja me descubro na verdade é lutando para afastar-me dela. Peço licença para usar aqui as palavras de Lya Luft e poder definir melhor esse parágrafo: “nem é da morte que falo quando escrevo a palavra “morte”: falo da vida, que um dia será declarada irreversível e irrevogável, com tudo o que fizemos e deixamos de fazer até a hora daquela enigmática visita: desde o nosso primeiro grito ao chamado último suspiro”.

Estamos todos passando nesse minuto e também nos minutos seguintes por um processo irreversível de vida e morte. Todos nós temos entrelaçados à alma duas linhas que se opõem. A primeira é descendente, empurra para baixo, para o fim, para a terra. A segunda é ascendente, promove, aponta para o céu. A primeira nos lembra da morte, a segunda nos lembra da vida. A primeira nos condena, a segunda nos liberta. A primeira nos limita, a segunda reforça a certeza da eternidade. Viver é mesmo subir uma escada rolante pelo lado que desce. Li essa frase em algum lugar.

É isso. Estamos na fila de espera aguardando a próxima chamada. Alguns serão chamados primeiro, outros só daqui a pouco. Não temo esse dia nem temo por mim mesmo. Meus temores são outros. Temo por aqueles que, entremeado às linhas da vida e da morte dão espaço à incerteza, à protelação e à indiferença.

Viver aqui é sublime, mas efêmero e ilusório. A verdadeira vida, aquela que só o além revelará e que nada tem de efêmero e ilusório, só conhecerá aqueles que se deixarem conquistar pelo Doador da Vida. À margem disso a noite será eternamente fria, carregada de penúria, remorsos e acusações.

Viver é um risco, mas correr o risco de morrer sem certeza de vida eterna é mais arriscado ainda. Assim, corra o risco de viver e se julgar necessário risque de sua agenda o que não for importante. Ignore, deixe para depois, descarte, divirta-se; só não brinque com a vida... E também com a morte.

"A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera.

on segunda-feira, 2 de agosto de 2010


"As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia, inclusive a guilhotina". - pág. 10

"Nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-las nas vidas posteriores [mesmo porque elas não existem].

(...)
Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem comparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro" - pág. 14

"As metáforas são perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora". - pág. 16

"Todas as línguas derivadas do latim formam a palavra "compaixão" com o prefixo com - de a raiz passio, que originariamente significa "sofrimento". (...) Nas línguas derivadas do latim, a palavra compaixão significa que não se pode olhar o sofrimento do próximo com o coração frio, em outras palavras: sentimos simpatia por quem sofre". - pág. 25