O dia D

on sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Weslei Odair Orlandi


Tenho para mim que a maior lição que a China ensinou para o mundo na realização dos jogos olímpicos de 2008 foi sobre como preparar-se bem para o dia de um grande evento. Desde a meticulosa construção do deslumbrante Ninho dos pássaros até os mais imperceptíveis detalhes, nada escapou do golpe de vista chinês. A necessidade de provar para o mundo sua capacidade de superação histórica e seu potencial para lidar com grandes desafios levou-os quase à perfeição. No entanto, as olimpíadas passaram e os elogios à China também. Todavia, nós, Igreja de Jesus, continuamos os preparativos para o grande evento que na linguagem bíblica recebe, ora o nome de “Aquele Dia”, “Último Dia”, “Dia do Fim”, ora “Dia do Senhor”.
Como cristão creio que Deus está no controle de tudo, não porque manipule os processos históricos o tempo todo, mas porque tem poder e autoridade para intervir quando, onde e da forma que quiser. Para mim, três elementos são indiscutíveis: a história caminha em determinada direção; essa direção é determinada por Deus; Deus age na história para garantir essa direção.
Nunca foi intenção de Deus permitir segurança e descanso plenos no presente histórico, seja de Israel seja da Igreja. Todos os objetivos alcançados tanto por um quanto por outro nesta presente era recebem o carimbo “ainda não”. A fé bíblica está claramente orientada para o futuro e é para lá que estamos caminhando. Há que se ressaltar, contudo, que o ponto mais emblemático dessa discussão não é saber sobre o dia em que o Dia do Senhor encontrará seu lugar ao sol, mas sobre como estar preparado para fazer parte dele sem surpresas desagradáveis.
Que o Dia do Senhor virá, não me restam dúvidas. Eu creio nele e o aguardo com expectativas apesar de não me atrever a dizer quando será (se hoje ou amanhã não sei, Deus o sabe). Julgo, por esse motivo, necessário provocar continuamente a minha fé com as palavras do inspirado apóstolo Paulo: “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele Dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios”, 1 Ts 5:4-5. As razões para essa contínua necessidade são simples: constantemente sou tentado a me acomodar e a tornar secundário aquilo que é de inquestionável relevância. O perigo de me deixar abater pelo cansaço e pela aparente demora ronda continuamente meu coração. Satanás, nas penumbras da minha fé, quer anestesiar toda espécie de discernimento que há em mim. Por isso, cada segundo de vigilância é vital. Embora o Dia do Senhor seja uma incógnita, não me apanhará desprevenido. A idéia básica das Escrituras é a de que esperemos incansavelmente o “ladrão” – de pé, armados, e prontos para o ataque. É como um esperar atento atrás da porta.
Sobre o “dia D” do Dia do Senhor, Paulo disse aos Tessalonicenses: “não necessitais de que se vos escreva”, 1 Ts 5:1. Era-lhes suficiente saber que ele se cumpriria a qualquer momento. Quanto, porém, ao modo como deveriam esperá-lo, o apóstolo foi preciso, contundente e grave: “Nós que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade e tendo por capacete a esperança da salvação”, 1 Ts 5:8.
Oxalá você, eu e todos os cristãos aqui e em todos os lugares, estejamos sensíveis e preparados diante da iminente volta de Jesus Cristo. Que nosso brado seja retumbante e cheio de fé. Que em todos os rincões da terra sejam ouvidas as palavras finais do Apocalipse: “Ora, vem Senhor Jesus!”.
Que o “D” do dia do Senhor signifique para mim e para você desfecho divino, deslumbramento diante de Deus, dignidade, dança de alegria, doçura, delícia, e não desesperança, decepção, desmaio, derrota, dor...