Dores Agudas

on domingo, 28 de setembro de 2008


Ricardo Gondim

Não me ressinto pelo que já sofri. Não me inquieto com a angústia que me assedia. Não esperneio, não fujo, não reluto, com o desespero que ainda vai chegar. (Deus teve apenas um filho sem pecado, mas nenhum sem sofrimento). Depois de mais de meio século de vida, descobri, finalmente, o que me magoa.
Querer repartir verdades que me entusiasmam e perceber que produzo inquietação.
Não encontrar ouvidos interessados nas descobertas que iluminam a minha alma.
Sentir-me estrangeiro entre antigos irmãos.
Ofertar o melhor do meu coração e acabar sob suspeita de ser manipulador.
Tentar fazer o bem e ver-me odiado.
Não conseguir transformar vaidade em admiração, coleguismo em amizade, bajulação em honra, ousadia em sensibilidade e zelo em delicadeza.
Saber que me retalharam junto com a pizza do domingo. Saber dos boatos que pessoas más inventaram e não ter como desmenti-los. Perder possíveis irmãos porque fui infeliz com uma palavra mal escrita ou com uma colocação tempestiva em alguma palestra.

Soli Deo Gloria.