Milagres

on sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


Fica difícil selecionar trechos de um livro que é 100% excelente. Minha admiração por C.S. Lewis cresce a cada novo livro que leio. Ler e meditar nos escritos desse fantástico pensador cristão é como descobrir a cada passo um novo oásis nos desertos da vida.




Leiam alguns dos pensamentos de Lewis em "Milagres" - Ed. Vida.


“A suposição de que coisas associadas no passado estarão associadas no futuro é o princípio que orienta não o comportamento racional, mas o animal”. pág. 37
“A mente humana é um ramo, um broto, uma incursão da realidade Sobrenatural na Natureza”. pág. 50
“Milagre – algo contrário à ordem conhecida da natureza”. pág. 78
“Cristo não morreu pelos homens por eles serem intrinsecamente dignos dessa morte, mas porque Ele é intrinsecamente amor e, por isso, ama infinitamente”. pág. 85
“O que gostamos de chamar “erros primários” não desaparecem: apenas mudam de forma”. pág. 87
“Se não temos noção alguma do motivo pelo qual algo acontece, então naturalmente não conhecemos nenhuma razão pela qual não deveria ser de outro modo e, portanto, nenhuma certeza de que algum dia possa acontecer de maneira diferente”. pág. 91
“É incorreto definir um milagre como algo que quebra as leis da Natureza. Não quebra. (...) Trata-se de um pouco mais de matéria-prima na qual aplicar as leis, e elas se aplicam. Eu simplesmente inseri um acontecimento na corrente geral de acontecimentos, e ele se enquadra ali perfeitamente e adapta-se a todos os outros”. pág. 95
“A arte divina do milagre não é uma arte de suspensão do padrão a que os eventos obedecem, mas a de canalizar novos acontecimentos nesse padrão”. pág. 96
“Falemos de beleza, verdade e bondade ou de um Deus que é simplesmente o princípio de habitação interior desses três atributos; falemos de uma grande força espiritual que permeia todas as coisas, uma mente comum da qual todos somos parte, um reservatório de espiritualidade generalizada para o qual podemos todos fluir. Iremos deparar com um amigável interesse. No entanto, a temperatura sobe quando mencionamos um Deus que tem planos e realiza atos notáveis, que faz uma coisa e não outra, um Deus concreto que escolhe, dá ordens, proíbe e tem caráter definido”. pág. 128
“Jamais houve um tempo em que nada existia. Do contrário, nada existiria agora”. pág. 138
“É a própria Razão que nos ensina a não confiar somente na razão porque ela sabe que não pode operar sem a matéria. Quando se fica claro que não podemos descobrir pela Razão se o gato está ou não no armário, a própria Razão sussurra: “Vá e olhe. Essa não é minha função, é uma tarefa para os sentidos”. pág. 141
“Ele (Deus) é impronunciável não por ser indefinido, mas por ser definido demais para a inevitável falta de precisão da linguagem”. pág. 142
“A razão porque Deus não tem paixões é que elas implicam passividade e intermissão. A paixão do amor é algo que acontece em nós, como “ficar molhado” é algo que acontece ao corpo. Deus está isento dessa “paixão”, da mesma forma que a água está isenta de “se molhar”. Ele não pode ser afetado pelo amor, porque Ele é amor”. pág. 144
“O silêncio no mundo material ocorre nos espaços vazios, mas a Paz suprema é silenciada por meio da própria densidade da vida”. pág. 145
Ele (Deus) pode operar milagres. Mas será que o faz? Muitas pessoas sinceramente consagradas acreditam que não, pois acham que não seria digno dEle. Déspotas cruéis e instáveis quebram as próprias leis; reis sábios e bons obedecem a elas. Só um trabalhador incompetente produziria uma obra que precisasse ser retocada”. pág. 147
“A teologia oferece uma opção que dá ao cientista liberdade para continuar suas experiências, e ao cristão, suas orações”. pág. 164
“O principal milagre professado pelos cristãos é a Encarnação. Afirmam que Deus se fez homem e que todos os outros milagres são uma preparação para isso, manifestam esse fato ou dele resultam”. pág. 167
“Os milagres não se relacionam com uma série de incursões independentes na Natureza, mas com várias fases de uma invasão estrategicamente coerente – uma invasão que busca uma conquista completa, a “ocupação” de todos os espaços. A adequação e, portanto, a credibilidade de milagres específicos dependem de sua relação com o Grande Milagre”. pág. 167-168
“Em toda parte, o grande acolhe o pequeno, e essa capacidade é praticamente a prova de sua grandeza”. pág. 172
“A morte, de fato, é o que alguns indivíduos chamam hoje de “ambivalente”. Ela é a grande arma de satanás e também a grande arma de Deus. É sagrada e profana. Nossa suprema desgraça e nossa única esperança, aquilo que Cristo veio conquistar e o meio pelo qual Ele efetuou a conquista”. pág. 191-192
“O pecado dos homens foi possível porque Deus lhes concedeu livre-arbítrio, abdicando assim de Sua onipotência (trata-se novamente de um movimento de esvaziamento ou rebaixamento, porque Ele viu que num mundo de criaturas livres, mesmo que elas caíssem, Ele poderia extrair (e esta é a reascensão) uma felicidade mais profunda e um esplendor maior do que um mundo de autômatos admitiria”. pág. 186
“A humanidade deve aceitar a morte, submeter-se a ela com total humildade, bebê-la até o fim e, então, convertê-la naquela morte enigmática, que é o segredo da vida”. pág. 198
“A mente que exige um Cristianismo sem milagres é aquela que se encontra no processo de rebaixar o Cristianismo a simples “religião”. pág. 203
“Cada milagre escreve para nós em letras miúdas aquilo que Deus já escreveu ou escreverá com letras quase que grandes demais para serem notadas na ampla tela da Natureza”. pág. 205
“Uma das glórias do Cristianismo é podermos responder a essa questão: “Não importa”. Quaisquer que tenham sido os poderes do homem antes da Queda, os do Homem remido, ao que tudo indica, serão praticamente ilimitados”. pág. 205
“Outra forma de expressar o verdadeiro caráter dos milagres seria dizer que (...) eles agem em escala reduzida, fazendo aquilo que Deus outras vezes realiza em tão grande escala que os homens nem prestam atenção. (...) Eles antecipam poderes que todos os homens terão quando forem também “filhos” de Deus e entrarem nessa “gloriosa liberdade”. pág. 206
Em relação aos milagres: “O isolamento de Cristo não é o de um prodígio, mas o de um pioneiro. Ele é o primeiro de sua espécie, mas não será o último”. pág. 206
“Cuidem-se, pois os demônios riem triunfantes, daquele que aprende meias verdades”. (C. Patmore (The victories of love) – citado por C.S. Lewis. pág. 217
“A ressurreição e suas conseqüências eram o evangelho ou as boas novas que os cristaos transmitiam”. pág. 218
“Quase seria possível definir o futuro como o período em que aquilo que estamos fazendo agora estará morto e no qual a ordem que ainda existe diminuirá”. pág. 230
“Além-sexual seria um termo melhor que assexuado para a vida sexual”. pág. 242
“A oração e a meditação feitas sob vento cortante ou debaixo de um sol tranqüilo, na alegria da manhã ou na resignação da tarde, na juventude ou na velhice, na saúde ou na doença, podem ser igualmente abençoadas, embora de modo diferente”. pág. 244