O melhor de Rubem Alves em "Tempus Fugit".

on sábado, 18 de abril de 2009


"A vida, por vezes, é assim. Dado o golpe letal, ela não se recupera. Pensei nesta absurda assimetria entre a vida e a morte. A vida, para ser, leva tempo, demanda e paciência, exige cuidados, há que se esperar. Mas a morte vem súbita e definitiva. Uma árvore leva anos a crescer. O machado a abate em poucos minutos". (pág. 51-52)


"Pôr de sol é metáfora poética, e se o sentimos assim é porque sua beleza triste mora em nosso próprio corpo. Somos seres crepusculares. É por isso que está é a hora do terror noturno, quando as pessoas lembrando-se do seu parentesco com as aves, voltam ansiosas para casa, e acendem as luzes que não se apagam". (pág. 55-56)


"O namoro tem vida breve e intensa. E é por isso que é tão belo e a sua memória - saudade - mora e dói em nossos corpos". (pág. 64)


"Era na dor da distância, onde mora a saudade". (pág. 65)