O porquê dos nomes.


Ah! Vocês não sabem do que se trata... As palavras estão no vazio... Que flor é essa? Se lhes tivesse dito um nome, então teriam, quem sabe, um perfume a evocar. Ou poderiam dizer: "Tem uma florida bem na porta da minha casa..." Mas eu não lhes disse o nome. E com isso estou lhes roubando a felicidade. Nietzsche dizia que os homens inventaram nomes para que pudessem ter prazer nas coisas... Esquisito, não? Não, se pensarmos um pouquinho. Porque o nome é invocação mágica que tem o poder de fazer presente, aí onde você está, a coisa que está ausente, na qual mora a felicidade. A palavra é como uma taça onde está um pouco da bondade da coisa. (...) O nome revela a face da nossa felicidade. E foi por isso que o Criador, depois de terminar de plantar o jardim, estando tudo pronto, determinou que o homem desse nome às coisas. Para que ele descobrisse a felicidade que mora nelas.


(Rubem Alves em "Tempus Fugit" - Unha-de-vaca - pág. 26-27 - Ed. Paulus)

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