Atos: a história inconclusa

on sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Weslei Odair Orlandi

A história de um povo ou pessoa é sempre muito importante. Eu gosto de ler e estudar história. Com ela eu aprendo sobre o passado e ao relacioná-lo com o presente crio bases sólidas para o presente e o futuro. Gosto de ler biografias; gosto de conhecer a origem das coisas, os caminhos e os desdobramentos de uma decisão. E a razão disso é que eu também estou presente na história. Eu não vivo noutro mundo, desconectado de tudo e de todos, mas faço parte de um todo ainda incompleto.
Atos dos apóstolos é um livro de histórias, e por isso leio-o sempre; um livro de histórias surpreendentes sobre os primeiros movimentos da Igreja, suas primeiras experiências e também das primeiras ações do Espírito no período pós-Evangelhos. Em Atos temos o registro de como tudo começou o que faz dele, portanto, um livro de começos. Temos neste livro o primeiro grande avivamento (Atos 2); o primeiro sermão em Jerusalém (Atos 2); o primeiro mártir cristão (Atos 7); o primeiro sermão aos samaritanos (Atos 8); o primeiro sermão aos gentios (Atos 10); a primeira viagem missionária (Atos 13) e também o primeiro concílio (Atos 15).
Mas o que me chama ainda mais a atenção é como Lucas encerra o livro de Atos. Leia os dois últimos versículos do capítulo 28 e observe: “E Paulo ficou dois anos inteiros [...] pregando [...] sem impedimento algum.
“Sem impedimento algum”. Pode até parecer sem propósito essas três palavras, mas a verdade é que o que temos aqui é mais do que o fim simples de uma narrativa; o que temos aqui sinaliza algo mais.
“Sem impedimento algum” significa uma história inconclusa, incompleta, que ainda não acabou de ser escrita. Esta é a lição que precisamos aprender nestas últimas palavras, ou seja, não devemos ler Atos como quem está diante de um fato consumado, mas como quem está recebendo o bastão para dar prosseguimento à corrida.
Quem lê Atos deve chegar ao capítulo 28.31 cônscio de que terá de dar, ele mesmo, continuidade ao livro. Atos deve ser lido para ser copiado, levado adiante.
Quem lê Atos e vive seus princípios tem o poder de Atos, vive os milagres de Atos.
Atos não deve ser lido e contado como história, mas como um chamado à continuidade. Muitos de nós temos nos especializado e nos tornado exímios na arte de contar histórias. Vivemos de lembranças, nos apoiamos nas memórias e nos satisfazemos com as recordações: “Ah, os bons tempos em que...”
Precisamos parar com isso. A história tem seu valor e deve ser sempre recordada, mas sejamos mais do que contadores de história; sejamos também os fazedores, os continuadores da história! Somos a Igreja “hoje”. Somos aqueles que substituíram os primeiros cristãos, que estão aqui para continuar e por isso precisamos sair dos bancos de reserva par substituirmos os que já estão velhos, cansados e sem forças para prosseguir.
Em Atos e outros livros históricos está escrito que Jesus subiu aos céus, que os apóstolos morreram, que os anos se passaram e que, portanto, agora é a nossa vez de ser Igreja e de continuar; continuar o que Jesus começou (At 1.1); continuar o que os apóstolos começaram (At 1.8)
         Por mais que nos sintamos pequenos diante da intensa movimentação e ação do Espírito em Atos, creia: podemos continuar essa história na força e poder do Espírito. A maior e mais importante ferramenta da Igreja chama-se “virtude” do Espírito.  Somente nessa virtude teremos credibilidade e condições reais para avançarmos sem impedimento algum. Ainda há muito que fazer. Ainda há muitos caminhos não percorridos. Jerusalém, Judéia, Samaria e confins da terra ainda continuam clamando por testemunhas.
Os versículos finais de Atos indicam o lugar, as pessoas, o ministério e o conteúdo da nossa missão como continuadores da história. Por isso mais uma vez se fazem necessárias as palavras do Senhor: sejam revestidos do poder!