COMER PEIXE NÃO BASTA.

on sexta-feira, 2 de março de 2012

WESLEI ODAIR ORLANDI

Como sempre se faz depois da extravagância carnavalesca agora chegou a vez da contrição ritualística; está aberta a temporada do sagrado preceito da quaresma. Comer peixe durante quarenta dias é a palavra de ordem a partir do encerramento oficial da festa mais popular do país. Os dias de carnaval são sem limites. Nesse período só é proibido proibir; afora isso tudo pode. Palavras como profano, sensual, luxuria e lascívia de repente entram em efervescência nos jornais escritos e falados com tanta naturalidade que até os ossos ressequidos dos profetas são sacudidos no pó da terra. É a carne em seu estado mais deplorável... Mas agora não. Passados os dias da carne, vêm agora os dias do peixe. Está proibido o uso da carne – a do boi, naturalmente. A outra – essa que Paulo classifica como inimiga de Deus – deverá apenas fingir que foi sufocada. Pelo menos por alguns quarenta dias. Depois a gente vê o que faz.
         Esse é o jeito “cristão” do povo brasileiro. É assim que nosso país aprendeu a lidar com seus pecados. Um dia dedicam juras de amor à carne, no outro em tom piedoso fazem penitências a Deus. Como se comer peixe bastasse para expiar tantos males, os mercados e peixarias agora têm a chance de mais alguns dias de bons negócios.
         Comer peixe não basta. O Brasil precisa experimentar uma outra receita expiatória. Esse jeito tupiniquim de botar pano quente encima de tudo; essa habilidade surreal de transformar crimes, pecados e corrupções em pizza não cola quando o assunto migra da horizontal para a vertical. Ao reduzir o espaço da verdade bíblica aos templos, mosteiros, religiosos e beatas o Brasil sacramentou a morte da ética e da moral. Os modernos “showmen” – sejam eles padres ou pastores – avessos à sã doutrina são capazes de mobilizar as massas e de reunir milhares de fãs por toda parte, mas não a mente de seus admiradores. De fato, o evangelho conhecido país afora em várias vertentes católicas e evangélicas está muito distante daquele registrado nas páginas do Novo Testamento.
         O Brasil precisa de contrição, penitência e reflexão, é verdade. Enquanto nosso presidente desfilava nos camarotes da Sapucaí empunhando como se fosse um troféu os famosos preservativos a favor da vida, Deus no céu certamente vertia lágrimas por ver tantas almas perecendo sem luz. Agora, feito mais um estrago não adianta correr ao supermercado para comprar o peixe penitencial.
         À semelhança de tantos outros anos o mau cheiro da carnificina moral e espiritual vai continuar se proliferando e ascendendo aos céus. Só um arrependimento real, extensivo e intensivo como o de Nínive pode trazer de volta a esse país sua dignidade cristã há tanto tempo perdida.
         Devemos ponderar com fervor o quanto de graça divina está sobre nós! Não fosse a mão de misericórdia que se estende incondicionalmente desde o Oiapoque até ao Chuí e já teríamos sido engolidos vivos. Entretanto, tudo tem limite. A graça será em breve recolhida do meio dessa brava gente brasileira. O que se deve então fazer com proficiência por esse imenso país tropical é alardear com voz retumbante que comer peixe não basta. Para uma nação em pecado a mensagem divina é única: “Se o meu povo que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu os ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”, 2 Crônicas 7:14. Que se saiba em todos os rincões da terra que o carnaval brasileiro não goza de simpatia divina. Ao contrário, Deus o abomina.
Ouvi um pregador de renome dizendo que essa festa cultural deveria ser ovacionada por nós brasileiros, não fosse pela forma como é explorada. Quero discordar embora sabendo que ele não vai tomar nota desse meu tímido protesto. A verdade é que, sem pedir licença, invadem nossos ouvidos com enredos provocativos e nos obrigam a virar o rosto minuto após outro, ano após ano.  O carnaval nunca foi e tampouco jamais será uma expressão cultural brasileira a ser recuperada. Em tempos idos essa manifestação popular seria chamada por profetas e apóstolos de “pecado”. Esse é o grande mal da cristandade hoje: mudamos as palavras e agora elas estão nos mudando.
No fim das contas, sem um único rubro na face, o Brasil come peixe, asperge cinza sobre a cabeça, estica a vida de bois e ovelhas e, espera, apenas espera pelo sábado de aleluia. Só isso. E ainda dizem que Deus é brasileiro. Se Ele o fosse, decididamente, esse país seria outro. Quem sabe um dia Ele não seja ao menos o Deus dos brasileiros. Aí sim, teremos motivos para sorrir, dançar e cantar não a festa da carne, mas a bem-vinda festa do Espírito. Essa sim, uma expressão da cultura santa e festiva da nossa saudosa pátria celestial.

3 comentários:

Paulo Cerozino disse...

Ótima mensagem! Parabéns Pr. Weslei!

Isso glorifica a Deus e faz os homens refletirem sobre sua conduta.

Grande abraço,

Nele, Jesus, que nos quer em Sua presença não apenas 40 dias, mas sempre.

Ministerio de louvor Kadosh disse...

olá andei passando em alguns blogs e achei o seu..
uma benção!
dá uma passadinha lá em nosso blog será uma honra ter vc lá.
estamos começando a divulgação agora....rsrsr
DEUS TE ABENÇOE!
seguindo vc..te espero lá!
ministeriodelouvorkadosh12.blogspot.com

Unknown disse...

nossa Pastor, que texto hein, muito bom, perfeito, o problema é colocar isso na cabeça desses brasileiros, que hoje em dia Deus em segundo ou em terceiro plano nas suas vidas.