Para 2010 há bons e maus conselhos: a escolha é sua.

on quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Weslei Odair Orlandi


Todos os fins de ano são parecidos. Quando avistamos dezembro somos tomados por um sentimento de dever cumprido; desaceleramos, realizamos balanços, fazemos as pazes com a balança para não termos de nos sentir culpados com os excessos que certamente virão, recebemos o décimo terceiro salário, pagamos contas antigas, viajamos, recebemos parentes em casa, vamos às compras (alguns preferem esperar pelas liquidações), fazemos planos para o ano novo...

Ah, os planos! Como bons brasileiros, somos teimosos, esperançosos, otimistas; não desistimos nunca. O fim de um ano difícil jamais é tido como prenúncio de dias ainda mais críticos; sempre estamos no aguardo de dias melhores. Isto é saudável e está inclusive de acordo com a Bíblia. No livro de Eclesiastes somos desafiados a isso mesmo, afinal de contas “quem está entre os vivos tem esperança” (Ec 9:4).

Outra presença indispensável no final de ano é a dos conselhos e dicas de auto-ajuda. Esses nunca faltam e nem poderiam. É salutar atentarmos à sabedoria, ainda que seja a popular. Um pouco a mais de sabedoria nunca é demais.

Na condição de pastor e conselheiro este é um momento no qual me sinto inclinado a também dar conselhos. Este ano resolvi ser um pouco mais ousado. Cansado de dizer os mesmos chavões de sempre, pretendo ser mais democrático com todos. Assim, minha decisão foi a de preparar uma lista não só de bons conselhos, mas também de maus conselhos (vinte ao todo). Não sei se vou conseguir ser tão bom e tão mau ao mesmo tempo. Vou tentar ser o mais claro possível.

Os meus dez bons conselhos para quem quer fazer uso deles não são na verdade meus. Pincei-os da Bíblia (confira se estou certo lendo Êxodo 20:1-17). São eles: Não substitua Deus por absolutamente nada. Jamais idolatre qualquer coisa ou pessoa. Não trate Deus como se ele fosse comum. Jamais se esqueça de que descansar é uma ordem divina e não um sinal de fraqueza ou de preguiça. Honre seus pais e respeite aqueles a quem você deve isso. Jamais cometa um assassinato (isso inclui não odiar, 1 Jo 3:15). Não cometa adultério. Não se apodere do que não é seu. Não conte mentiras e nem passe uma falsa impressão. Jamais cobice o que é dos outros.

Esta é uma lista repleta de bons presságios. Quem examinar com cuidado cada um desses conselhos e colocá-los em prática será feliz em todos os seus caminhos. Agora, se você acha que essa lista é densa demais e impossível de ser praticada, então deixa eu lhe dar a lista dos dez conselhos maus que alguns corajosa ou irresponsavelmente, não sei bem ao certo, preferem gerir ao longo dos meses. São eles (Ah, sim! Antes de lê-los é bom que se saiba que eles não podem ser encontrados na Bíblia): Preocupe-se bastante; comece a fazer isso amanhã mesmo. Acredite severamente nas suas previsões pessoais. Lute com todas as suas forças para ficar rico. Compare-se com outros pelo menos uma vez por dia. Aumente sua lista de inimigos. Fique irritado com todos; suspeite deles; não perdoe ninguém e jamais leve desaforo pra casa. Seja extremamente radical com suas imperfeições. Nunca deixe de se sentir culpado por tudo. Gaste mais do que você ganha. Não leve tão a sério o que a Bíblia diz, afinal, Deus é amor. Procure cumprir todos os nove itens citados acima e assim em um ano você provavelmente conseguirá se “libertar” para sempre da enfadonha tarefa de fazer listas, ouvir conselhos e tentar ser melhor cada vez que o ano novo chega.

Uma última palavra: antes de achar cômico esse texto ou de péssimo mau gosto reflita um pouco no que você fez em 2009 e com qual das duas listas suas ações foram mais parecidas. Também pare e pense no que você sinceramente está preparando para os próximos 365 dias! Agora que você já tem a lista dos bons e maus conselhos, a escolha é sua. A todos os meus leitores graça, misericórdia, paz e que 2010 seja realmente 10!

É natal, e daí?

on quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Weslei Odair Orlandi

Parece que o natal anda chegando mais cedo do que esperávamos. Lembro-me de quando era criança e ele demorava uma eternidade para se repetir. Quando finalmente o mês de dezembro era anunciado começavam os preparativos, os primos em férias que vinham para casa, os comes e bebes; o refrigerante voltava à mesa, as luzes, os presentes, o parque na cidade, as peças teatrais sobre o nascimento de Jesus. Doces lembranças de quando o natal era mesmo uma data muito especial. Hoje, parece que ele já não encanta tanto. Também, parece que foi ontem que falávamos dele e agora já o temos à nossa frente de novo.

Mas, enfim, é natal outra vez, e daí? Mais um ano se foi, águas turbulentas passaram sob pontes teimosas que não se deixaram sucumbir. Todo ano é a mesma coisa: canções alegres, luzes coloridas, comércio em ebulição, papai noel roubando a cena, viagens, encontros, reencontros...

Acho que está na hora de aprendermos uma nova maneira de pensar sobre o assunto. O natal não é – e jamais deverá ser – esse frenesi capitalista que quer vender em um mês o que não vendeu em um ano. O natal transcende a tudo isso: é divino, dinâmico, encantadoramente amoroso. Nele, e por causa dele, é possível falarmos de esperança, de vida, de paz, de eternidade, de alegria, de superação, de recompensa. Precisamos reconfigurar em nossas mentes cristãs a verdadeira mensagem natalina.

Lendo as Escrituras e estudos sérios feitos sobre a época exata do nascimento de Jesus não podemos afirmar que Ele de fato nasceu em 25 de dezembro. Na verdade as evidências mostram mesmo o contrário. Entretanto, o natal existe, pois Jesus nasceu, e isso é fato comprovado. Uma verdade como essa não pode passar despercebida e já que ficou convencionado que dezembro é o mês natalino, então falemos sobre o nascimento de Jesus e o que ele significa para nós.

Entregar seu Filho para encarnar a natureza humana não foi um gesto que soou natural, descomplicado e corriqueiro mesmo para Deus. Ele não tomou essa decisão por considerá-la fácil, pouco onerosa ou mesmo heroica. Não devemos pensar assim. O nascimento de Jesus foi, na verdade, o gesto apaixonado de um pai que não quer admitir a perda de um só filho seu ainda que tenha muitos. Quando falamos do nascimento de Cristo precisamos entender primeiro o coração turbilhonado de Deus pelo amor que extravasando as fronteiras do céu veio como um meteoro veloz em direção à terra dos homens maus.

Em seu livro “O evangelho maltrapilho”, Brennan Manning escreve: “Seria mais fácil encerrar as cataratas do Niágara numa xícara de chá do que compreender o amor selvagem e irrefreável de Deus”. É isso o que muitos ainda não sabem quando vivem o clima natalino de todos os anos. Não sabem o quanto Deus os ama. Não compreendem que natal significa Deus o Filho esvaziando-se de si mesmo para oferecer aos homens a maior de todas as dádivas: o retorno aos braços de Deus o Pai.

Na fraqueza da carne humana, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, na noite do seu natal inaugurou e apontou para um novo e vivo caminho de retorno ao lar. Ali, na manjedoura desprezível e habitada por animais estava tendo início a mais sublime, apaixonante, marcante e transformadora saga que os homens jamais haviam imaginado. Seu nascimento não foi singular apenas porque anjos apareceram cantando ou porque magos do oriente vieram de longe presenteá-lo e adorá-lo. O nascimento de Jesus foi e sempre será único porque ali, naquela noite estranha, Deus deixou de lado o justo direito de condenar os condenáveis, para que num ato minuciosamente pensado e arquitetado por milênios, as trancas de ferro da perdição eterna fossem quebradas dando a nós prisioneiros da úmida, fria e solitária cela do pecado a liberdade de poder olhar nos seus olhos marejados de lágrimas e repletos de amor e novamente dizer “abba, pai” sem que para isso tivéssemos de remoer o constrangimento da culpa e da traição.

Este é o verdadeiro sentido do natal. No passado, há dois mil anos, a conturbada Palestina recebeu seu mais importante hóspede. No presente, e neste natal, é nossa a vez de hospedarmo-lo em o nosso coração. No futuro, quando o Dia do Senhor fulgurar seus raios produzidos pelo Sol da justiça, será a sua vez de hospedar. Em sua casa entrarão todos aqueles que sabiamente discerniram o natal e entregaram suas vidas, seus corpos e suas esperanças ao único personagem legalmente possuidor da mensagem do natal.

Seu nome?! J.E.S.U.S C.R.I.S.T.O!

O homem, o barril e o abismo.


Esta é a história de um homem que chegou à beira de um abismo. Enquanto ficava lá pensando o que faria em seguida, o homem surpreendeu-se ao ver uma corda bamba esticada sobre o abismo. E devagar, com segurança, vinha pela corda um acrobata empurrando antes de si um barril com outro artista dentro. Quando chegaram finalmente à terra firme, o acrobata sorriu diante do espanto do homem.

- Você não acredita que consigo fazer de novo? - perguntou ele.
- Mas claro, com certeza acredito que você consegue - respondeu o homem.
O acrobata perguntou novamente, e quando a resposta foi a mesma, ele apontou para o barril e disse:
- Tudo bem. Então, entre no barril que eu o levo para o outro lado.

Pergunta: O que o viajante fez?

Aliás, é exatamente essa a pergunta que devemos fazer a nós mesmos a respeito de Jesus Cristo.

(História de Morton Kelsey, citado por Brennan Manning em "O evangelho maltrapilho", pág. 176-177 - Ed. Mundo Cristão).

A fábula do porco-espinho.

on quarta-feira, 2 de dezembro de 2009


PORCO ESPINHO 4.jpg


Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Sem alternativa, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.

E assim sobreviveram.

Moral da História

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com a individualidade do outro, e a aquecer-se nas coisas que têm em comum.

Isso é gratidão, amor, altruísmo...

on sábado, 28 de novembro de 2009


No famoso conto de O. Henry, O presente dos magos, uma jovem esposa tem apenas 1,87 dólares para comprar um presente para o marido, e o Natal é no dia seguinte. Ela decide impulsivamente vender seu cabelo longo e abundante para ter como comprar uma corrente para o estimado relógio de ouro dele. Naquele exato momento ele está vendendo o relógio para comprar um presente para ela: escovas especiais para o seu belíssimo cabelo.

(Extraído de "O evangelho maltrapilho", Brennan Manning, pág. 122 - Ed. Mundo cristão)

A essência da confiança bíblica.


Um certo sacerdote das Bahamas conta uma história que captura a essência da confiança bíblica. "Uma casa de dois andares estava pegando fogo. A família - pai, mãe, vários filhos - estava saindo quando o menino mais novo ficou aterrorizado, fugiu de sua mãe e subiu correndo as escadas. Ele de repente apareceu numa janela do andar superior, chorando como louco em meio à fumaça. Seu pai, do lado de fora, gritava: "Pule, filho, pule! Eu pego você". O menino gritou: "Mas, papai, eu não consigo ver o senhor". "Eu sei, disse o pai, mas eu estou vendo você".


(Walter J. Burghardt - Tell the next generation, pág. 43 - citado em "O evangelho maltrapilho" pág. 121-122, Ed. Mundo cristão)

Ser cristão.


Um cristão triste é um cristão falsificado, e um cristão culpado não é cristão coisíssima nenhuma.


Arcebispo Joe Reia, citado em o "Evangelho maltrapilho", pág. 119 - Editora Mundo cristão.

Disse Jesus: Eu não me lembro.


Talvez você já tenha ouvido esta história: há quatro anos, numa grande cidade do extremo oeste, começaram a correr os rumores de que certa mulher católica estava tendo visões de Jesus. Os relatos chegaram ao arcebispo. Ele decidiu verificar. Existe sempre uma linha tênue entre o místico autêntico e a extremidade fanática.
- É verdade, minha senhora, que a senhora tem visões de Jesus - perguntou o clérigo.
- É - respondeu singelamente a mulher.
- Então, na próxima vez que a senhora tiver uma visão, quero que peça que Jesus lhe conte os pecados que confessei na minha última confissão.
A mulher ficou perplexa.
- Estou ouvindo direito, bispo? O senhor quer mesmo que eu peça a Jesus que me conte os pecados do seu passado?
- Exatamente. Por favor, ligue-me se alguma coisa acontecer.
Dez dias depois a mulher informou o seu líder espiritual da aparição mais recente.
- Por favor, venha - disse ela.
Uma hora depois o bispo havia chegado. Ele olhou-a nos olhos.
- A senhora acaba de me dizer ao telefone que teve de fato uma visão de Jesus. A senhora fez o que eu pedi?
- Sim, bispo, pedi a Jesus que me contasse os pecados que o senhor confessou na sua última confissão.
O bispo inclinou-se para frente, na expectativa. Seus olhos se estreitaram.
- O que Jesus disse?
Ela tomou a mão dele e olhou fundo nos seus olhos.
- Bispo - ela disse, - essas são as exatas palavras dele: EU NÃO ME LEMBRO.

(Extraído do livro "O Evangelho maltrapilho" de Brennan Manning, pág. 118-119 - Ed. Mundo cristão)

Verdade - Carlos Drummond de Andrade

on sábado, 14 de novembro de 2009


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Procura-se um novo Elias.

on quinta-feira, 22 de outubro de 2009


Weslei Odair Orlandi



A história está cheia de reprises. Aliás, Eclesiastes 1:9-10 diz que “o que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa que se possa dizer isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós”. Digo isto porque os fatos históricos e a vida de Elias estão totalmente relacionados com aquilo que vivemos hoje em nossa nação. Primeiro há a crise social e política. Em seguida vem a crise moral, a crise institucional, a crise religiosa e o problema da idolatria. Tudo isto viveu Elias. Tudo isso vivemos nós.
Elias não foi um homem de vida fácil, confortável e popular. Com uma mensagem profética franca, direta e denunciatória reuniu ao longo dos anos muitos inimigos. Seus dias não foram atemporais ou desconectados da história. Há uma semelhança estonteante entre eles e nós. Até parece que o tempo parou o que me faz pensar que precisamos de um novo Elias para essa geração; um homem forte, destemido e que não se deixa abater; que fale a nossos filhos, nossos vizinhos, nossa cidade, nossos governantes e nossa nação.
Como nos dias do impiedoso rei Acabe, Deus hoje também precisa e busca por alguém que esteja pronto para tapar a brecha e estar perante ele para que a terra não seja destruída (Ez 22:30).
Mas onde estão os Elias?
Existe entre o povo evangélico um desejo muito grande por ser usado por Deus e isto, claro, é muito bom. Deus realmente está à procura de pessoas que se disponham a fazer o árduo trabalho de expansão do Reino e confrontação com as trevas. No entanto, infelizmente, muitos estão almejando essa “obra” da maneira errada. Querem brilhar não a luz de Cristo, mas a deles próprios.
Precisamos rever nossas intenções e qualificações para o serviço.
O primeiro engano a ser evitado é o de achar, ainda que inconscientemente, que Deus está à procura de heróis, de vozes arrebatadoras ou de gênios para encantar o mundo. Não está. Na lista de requisitos divinos não estão inclusos potencial para a fama, glamour e status.
A exemplo de Elias o que Ele procura são homens moralmente comprometidos com sua santidade. Deus está em busca de pessoas que com todo o seu ser sejam claros, firmes e inamovíveis quanto à verdade. Isto é o que foi encontrado em Elias. Seu nome revela isso. Enquanto todos se prostravam diante de baal e davam ouvidos às feitiçarias de Jezabel, o homem de Deus pertencia a Deus até no nome – Elias significa: O meu Deus é Jeová. Sem se importar com a opinião da maioria ou com a intolerância do rei e sua esposa, Elias manteve-se íntegro ao Deus de Israel. Todas as vezes que seu nome era pronunciado também se reafirmava sua posição: “vocês podem até se render aos caprichos de Acabe e adorarem baal, mas o meu Deus continua sendo Jeová”.
Outro fator importante e que Deus procura em nós diz respeito à nossa disposição para servi-lo independentemente das condições sociais, educacionais ou financeiras que possamos possuir. Lembre-se que Elias morava em Tisbe, um lugar nenhum que simplesmente não aparecia no mapa. E daí? Como afirmou Francis Schaffer certa feita: “não existem lugares pequenos ou pessoas pequenas para Deus”. Deus usa príncipes, reis e estadistas, mas também usa boiadeiros, carpinteiros e donas de casa. Você está disposto a dizer “eis-me aqui, Senhor”?
A terceira característica que Deus quer encontrar em seu novo Elias diz respeito à intimidade com sua presença. A primeira declaração de Elias perante o rei foi esta: “vive o Senhor, perante cuja face estou...”. Bingo! É isso. Suas palavras Elias salientam de maneira contundente sua conduta diária em relação à pessoa de Deus. “Perante cuja face estou”; não apenas uma vez por semana, aos domingos ou em semana de ceia, mas todos os dias, todas as horas, todos os segundos... Esta é a chave para uma vida plena nas mãos do Senhor.
Para Deus o homem (e a mulher) certo, na hora certa e no lugar certo não é aquele com mais predicados em seu currículo pessoal e que causam o suspiro das multidões. O novo Elias que Deus procura precisa apenas de caráter, humildade e disponibilidade. Quem quiser se candidatar à vaga será bem vindo. O salário não é promissor, a empreitada não será fácil. Ainda assim valerá a pena. Ser vaso de honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda boa obra é sem dúvida uma grande obra. O privilégio é tão espetacular que não há dinheiro que pague. Por favor, divulguem a notícia: Deus está à procura de um novo Elias. Maiores informações podem ser adquiridas através da oração, da meditação na Palavra e da rendição completa à sua vontade.

2009 - leituras que (timidamente) fiz até agora.

on terça-feira, 20 de outubro de 2009

Weslei Odair Orlandi



Lamento a insanidade de não ter priorizado mais cada segundo de 2009. O ano já está nos seus finalmentes e eu ainda li tão pouco.


Preciso melhorar. Libertar-me da incompetência de administrar tão mau esses frágeis e ligeiros dias que me têm sido dados. Prometo arrojar-me mais. Viver mais. Ler mais. Descobrir e aventurar-me mais no mundo das ideias. Prometo ir para mais perto de Deus.


"Quem lê capta, ainda que em narrativas fictícias, a imensidão humana" - Ricardo Gondim.


Eis, o que li:



1. A cabana - William P. Young (Sextante)


2. A águia e a galinha - Leonardo Boff (Vozes)


3. A batalha de todo homem - Stephen Arterburn & Fred Stoeker (Mundo Cristão)


4. Tempus Fugit - Rubem Alves (Paulus)


5. Os miseráveis (vl.1) - Victor Hugo (Martins Fontes)


6. Decepcionado com Deus - Philip Yancey (Mundo Cristão)


7. Confissões de um pastor - Craig Groeschel (Mundo Cristão)


8. Direto ao ponto - Ricardo Gondim (Doxa)


9. Feridos em nome de Deus - Marilia de Camargo Cesar (Mundo Cristão)


10. Creio, mas tenho dúvidas - Ricardo Gondim (Ultimato)


11. Pensar é transgredir - Lya Luft (Record)




Estou lendo agora: Dom Casmurro - Machado de Assis.




Livros para terminar de ler antes que 2009 diga "adeus":


1. História dos Estados Unidos (em andamento - 50%)


2. Breve história do mundo (em andamento- 65%)


3. Neve (em andamento - 35%)


4. Os miseráveis, vl. 2 (em andamento - 20%)


5. Nossa igreja brasileira (em andamento - 20%)

Dar: o privilégio dos privilégios


Todo homem que te procura vai pedir-te alguma coisa; o rico aborrecido, a amenidade da tua conversa; o pobre, o teu dinheiro; o triste, um consolo; o débil, um estímulo; o que luta, uma ajuda moral. Todo homem que te busca certamente há de pedir-te alguma coisa. E ousas impacientar-te!

Infeliz! A lei oculta, que reparte misteriosamente as excelências, dignou-se outorgar-te o privilégio dos privilégios, o bem dos bens, a prerrogativa das prerrogativas: dar. Tu podes dar!

Deverias cair de joelhos e dizer: Graças, meu Deus, porque posso dar! Nunca mais passará por meu semblante uma sombra de impaciência.



"Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" - Palavras do Senhor Jesus (Atos 20:35)



(Ricardo Gondim em "Eu creio, mas tenho dúvidas" citando Amado Nervo, poeta mexicano, pág. 92, Ed. Ultimato)

Ladainha - Lourenço Diaféria

on sábado, 26 de setembro de 2009










"Dizem que vai faltar o açúcar, todo
mundo corre a procurar o doce.
Dizem que vai faltar o óleo, todo
mundo corre a procurar a fritura.
Dizem que vai faltar o trigo, todo
mundo corre a procurar a broa.
Dizem que vai faltar o fubá, todo
mundo corre a procurar o angu.
Dizem que vai faltar o ferro, todo
mundo corre a procurar a treliça.
Dizem que vai faltar o cimento, todo
mundo corre a procurar o concreto.
Dizem que vai faltar a água, todo
mundo corre a procurar o balde.
Dizem que vai faltar o sarilho, todo
mundo corre a procurar o poço.
Dizem que vai faltar o vinagre, todo
mundo corre a procurar o vinho.
Dizem que vai faltar a luz, todo
mundo corre a procurar a vela.
Dizem que vai faltar a carne, todo
mundo corre a procurar o bife.
Dizem que vai faltar o orégano, todo
mundo corre a procurar a pizza.
Dizem que vai faltar a galinha, todo
mundo mundo corre a procurar a canja.
Dizem que vai faltar o peixe, todo
mundo corre a procurar a moqueca.
Dizem que vai faltar a paz, todo
mundo corre a procurar as armas.
Dizem que vai faltar o samba, todo
mundo corre a procurar o pandeiro.
Dizem que vai faltar o sol, todo
mundo corre a procurar a praia.
Dizem que vai faltar a chuva, todo
mundo corre a procurar o chuveiro.
Dizem que vai faltar o dinheiro, todo
mundo corre a procurar o banco.
Dizem que vai faltar o cometa, todo
mundo corre a procurar a luneta.
Dizem que vai faltar o horóscopo, todo
mundo corre a procurar a cartomante.
Dizem que vão faltar estrelas, todo
mundo corre a procurar o firmamento.
Dizem que vão faltar eleições, todo
mundo corre a procurar candidatos.
Dizem que vão faltar governos, todo
mundo corre a procurar revoluções.
Dizem que vai faltar a liberdade, todo
mundo mundo corre a procurar prisões.
Dizem que vão faltar navios, todo
mundo corre a procurar o porto.
Dizem que vão faltar os fatos, todo
mundo corre a procurar boatos.
Agora: quando dizem que vai faltar
vergonha, ninguém se toca.
Está todo mundo acostumado".

Deus usa os fracos.

on quinta-feira, 24 de setembro de 2009


Estou convencido de que se Deus quisesse fazer a obra por outros meios e outros modos não teria chamado Abraão, mas Faraó; não teria começado com um povo insignificante, mas com um povo que sabia construir pirâmides. A história do povo de Deus é a história daqueles que não têm história na História da civilização. Ela só é história para nós, povo de Deus. Vá até a Síria e veja se lá há alguma coisa escrita sobre os profetas de Israel. Você sofrerá uma grande decepção. Faça o mesmo no Egito, na Assíria, e em todo o mundo antigo. Faça isso em relação àquele que rachou a História no meio (Jesus) e você verá que as poucas referências históricas à sua pessoa (extrabíblicas) são razoavelmente insignificantes. Neste ponto estamos diante do fato de que o povo de Deus só tem história no curso futuro da História, nunca na sua contemporaneidade. O que se deu com os profetas dá-se também com o povo de Deus. Para ambos, a História só os reconhece quando já foram. Sendo assim, eles não sabem que fizeram a História. Por isso saúdam as promessas de longe, e morrem em esperança, e fé.


(Caio Fábio em "Elias está nas ruas", pág. 38-39 - Ed. Betânia)

Eu falo é da vida.


Alguém diz que escrevo demais sobre a morte.

(...)
Nem é da morte que falo quando escrevo a palavra "morte": falo da vida, que um dia será declarada irreversível e irrevogável, com tudo o que fizemos e deixamos de fazer até a hora daquela enigmática visita: desde o nosso primeiro grito ao chamado último suspiro.

(Lya Luft em "Pensar é transgredir", pág. 121-123 - Ed. Record)

Três dias para não esquecer.

on terça-feira, 22 de setembro de 2009

Weslei Odair Orlandi


Sexta-feira: a vida não é justa. Esse é o momento da cruz, da entrega, da tragédia, da dor e do sofrimento. CRUZ, MALDITA CRUZ, ENTARDECER.

Sábado: a vida em silêncio, expectativa, frustração. É o som sepulcral, das pedras que se interpõem. É o reinado sombrio da incerteza. SEPULTURA, DESILUSÃO.

Domingo: a vida reconduzida por Deus ao seu devido lugar. RESSURREIÇÃO, TRIUNFO.


Não é bom nos olvidarmos dessa roda viva. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos viver nossa sexta-feira particular, nosso sábado de solidão e (Aleluia!!!!) nosso domingo de triunfo.

A crucificação, sepultura e ressurreição de Jesus revelou que tipo de mundo e de vida nós temos.

Você precisa saber disso.

on terça-feira, 8 de setembro de 2009


Weslei Odair Orlandi


De vez em quando meu filho mais velho quer saber algumas coisas sem respostas sobre Deus. Na mente dele ainda não cabe a idéia de que Ele (Deus) nunca nasceu, de que nunca teve um começo, ou de que Ele pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo, fazendo coisas diferentes e etc.

Mas não são apenas as crianças que fazem essas perguntas. Alguns adultos também acham impossível que Deus sendo tão grande esteja preocupado com coisas pequenas, ou que sendo tão ocupado possa interessar-se por cada um de nós.

Não podemos tentar compreender Deus com medidas de compreensão humana na tentativa de nos decidirmos se vamos crer nele ou não. Deus não pode ser explicado nem dimensionado.

Se você é daqueles que perguntam “como é que um Deus tão ocupado pode se interessar por mim?” ou “como é que Deus – Aquele mesmo que criou e cuida de Antares, a estrela gigante que se colocada no lugar do sol a uma distância de 150 milhões de quilômetros ainda assim engoliria a terra – pode gastar tempo se importando com um homem como eu, uns poucos quilos de terra?” então preste atenção para a seguinte afirmação de Agostinho: “precisamos crer para compreender”. Isso deve bastar: crer.

Ainda que Deus seja tão grande, tão poderoso, tão ocupado o certo é que “como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem. Pois Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó”, Salmo 103:13-14.

É sobre esse desvelo e percepção de Jesus para conosco que Marcos procurou tratar em seu evangelho quando registrou o milagre que Jesus operou no físico da sogra de Pedro que estava ardendo em febre e também na vida de outros moradores de Cafarnaum. Em um só dia muitos foram alcançados pelo poder do Verbo feito carne.

Embora Jesus tenha vindo ao mundo com uma missão extremamente importante – a de salvar o povo dos pecados – nem por isso deixou de também se preocupar e de se ocupar com questões “menos importantes”.

A narrativa de Marcos converge para as seguintes conclusões:

Primeiro: Para Jesus não há problemas mais ou menos relevantes. Ele também se importa com pequenas causas. É verdade que não sabemos a origem da febre que acometera aquela anciã, mas podemos afirmar que nas categorias dos problemas atuais uma febre sempre é considerada problema não muito relevante. Geralmente lidamos com esse quadro sem maiores preocupações. Não damos muita atenção a um caso de febre a não ser que ele persista por longas horas ou aumente em intensidade. Sua reação diante da noticia de que alguém está com febre será com certeza diferente se comparada a uma notícia de câncer ou de parada cardíaca. No entanto, Jesus deu atenção ao quadro febril da sogra de Pedro. A verdade é que para Ele não existem problemas grandes ou pequenos, não existem casos urgentes, nem situações de risco. Para Ele nada é difícil. Nada é sem importância.

Segundo: Jesus não é Senhor de uma elite especial de seres humanos e por isso todos gozam da sua máxima atenção. Ele nunca teve discípulos ou seguidores prediletos. A sua predileção sempre foi a raça humana, não importando para isso a cor, o sexo, a idade ou a condição financeira. Ele nunca foi o líder dos ricos, dos pobres ou dos religiosos. Ele pertencia a todos mesmo não sendo pertencido por todos. Marcos registra que Ele curou a sogra de Pedro, mas também a dezenas de outros moradores.

Jesus sempre olhou e olha em todas as direções. Respondeu aos clamores de gente rica, mas deu atenção ainda mais especial aos fracos e oprimidos.

Terceiro: Jesus é incansável na sua missão de socorrer os necessitados e aflitos. Há um detalhe na narrativa de Marcos que merece nossa atenção. Depois de afirmar que “ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados” Marcos segue dizendo que “de madrugada quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando”. O que há de relevante nessas duas declarações? A que conclusão podemos chegar senão à de que Ele sempre sensível aos males à sua volta sem jamais perder o foco central da sua missão e que jamais deixou de estar pronto para ajudar quem quer que fosse? Ele não mediu esforços como homem e agora como Senhor glorificado, está à direita de Deus e incansavelmente intercede por nós.

Benditas palavras do profeta: “Ele não se cansa nem fica exausto” – Isaías 40:28.

Apesar de sua enorme “lista de afazeres” nada foge ao seu controle; nada o detém; nada o espanta; nada o surpreende; nada o deixa esgotado; nada o põe em xeque-mate. Sua sabedoria é insondável, seu fôlego é inigualável, sua paciência é infinita, seu amor inesgotável. Deus é infinitamente bom e infinitamente poderoso. Se falo tanto sobre isso é porque acredito piamente nessa verdade e também porque você precisa saber disso.

Grandes perguntas - o abridor de latas da consciência.

on terça-feira, 1 de setembro de 2009


(...) A maioria das grandes descobertas e revelações caras à nossa sociedade foi produto de perguntas.

(...) Perguntas são a única forma de chegar lá - do outro lado do desconhecido.


Por que fazer uma grande pergunta? Perguntar é um convite à aventura, a uma viagem de descobrimento. Partir para uma nova aventura é emocionante; há o profundo encantamento da liberdade, a liberdade de explorar um território novo.

Então, por que não fazemos essas perguntas? Perguntar abre a porta para o caos, o desconhecido e o imprevisível. No momento em que fazemos uma pergunta cuja resposta desconhecemos, despertamos para todas as possibilidades. Estamos prontos para receber uma resposta que não gostamos ou com a qual não concordamos? E se a resposta nos deixar desconfortáveis ou nos tirar da área de segurança que construímos para nós mesmos? E se a resposta não for o que desejamos ouvir?


Para fazer uma pergunta não é preciso força; é preciso coragem.


Uma grande pergunta é isso: algo que pode mudar a direção da sua vida.


Portanto, mais uma vez, por que não as fazemos? A maioria das pessoas prefere permanecer na sergurança do que sabe a procurar desafios. (...) Se sempre julgamos conhecer a resposta, como iremos crescer? Como poderemos estar abertos para aprender?


(William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente em "Quem somos nós?", pág. 3-5, Prestígio Editorial)

Um convite à unidade.

on segunda-feira, 24 de agosto de 2009


Weslei Odair Orlandi



Meu coração está inclinado à unidade. Quando li há alguns anos atrás o best-seller “Uma igreja com propósitos”, escrito por Rick Warren, fui tocado por uma explicação que ele dá sobre a existência de muitas igrejas. Deus ama a diversidade, argumentou ele. Pense por um momento se Deus tivesse feito o mundo usando apenas o amarelo. Seria um tanto quanto insosso cultivar um jardim com flores de várias qualidades. No fim das contas seria tudo amarelo. Mas Deus pensou em tudo e deu-nos de presente uma multiplicidade fantástica de cores com as quais podemos nos deliciar infinitamente. Eureka! Para mim essa analogia de Warren explicou tudo.
Primeiramente, percebi que Deus nunca pretendeu nos chamar para a institucionalização do Reino, isto é, nunca quis que perdêssemos de vista a realidade do Salmo 133. Ele nunca quis privilegiar alguns em detrimento de outros. No entanto, o que se observa hoje – com as devidas exceções, é claro – é um movimento contrário, encabeçado por líderes personalistas, que se julgam os únicos autorizados pelo Espírito a encontrar espaço para o enraizamento da Igreja de Jesus Cristo. Tais líderes são arrogantes por causa da necessidade que têm de se estabelecer como referência em suas comunidades e com um orgulho discreto esnobam aqueles que não contabilizam os mesmos números que eles. De difícil percepção, porém inocultáveis, esses são os que se estabelecem como os detentores da verdade, como se o “Pai, perdoa-lhes” de Jesus Cristo na cruz fosse seletivo e não inclusivo e extensivo.
Outra coisa que discerni é que na dinâmica da unidade, Deus sempre reservou lugar para a diversidade. No projeto divino as portas devem estar sempre abertas pois, cada porta representa uma nova oportunidade. Há lugar para todos os estilos, liturgias e governos. Quando criança, às vezes brincava de “o mestre mandou”, uma diversão que exigia dos participantes obediência cega e sem questionamentos. Depois de adulto, descobri que ainda tem gente que continua brincando de o mestre mandou. Querem forjar a liberdade do Espírito Santo de se mover com liberdade para transformar os cidadãos do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo em soldadinhos uniformizados. Alguns dentre esses valorizam as formas sem esboçar qualquer nesga de rubro ao desprezar os conteúdos.
Também fui tomado pela consciência súbita de que a diversidade fortalece o Reino e não o contrário. É exatamente disso que trata o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12. Ele diz “o corpo (a igreja) é um só e tem muitos membros”, v. 12. E acrescenta, “o fato de um ser pé enquanto o outro é orelha, ou olho, ou ouvido não faz do corpo um ser frágil, desprotegido e susceptível às doenças”. Um não é grande enquanto o outro é diminuto; fraco enquanto o outro é forte; honroso enquanto o outro vive a desonra. Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. A propósito, qual é o batista que nunca bebeu na fonte de um metodista, ou um assembleiano que nunca se valeu dos dons teológicos de um presbiteriano e vice-versa? Qual comunidade nunca se inspirou nas igrejas tradicionais e etc? Tenho em minha biblioteca livros oriundos de todos os segmentos evangélicos no Brasil e no exterior. Ao escrever esse artigo estou removendo de minhas lembranças frases, pensamentos e afirmações de todos esses queridos irmãos. Afinal, existimos e coexistimos para nos sentirmos seguros neste porto de unidade cujo gerador e preservador é o Espírito Santo.
Finalmente, compreendi que Deus nos quer e nos aceita totalmente iguais embora absolutamente diferentes. Parafraseando o grande apóstolo afirmo que “todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer luteranos, quer anglicanos, quer congregacionais, quer episcopais, quer sejamos uma grande denominação, quer sejamos igreja local, e todos temos bebido de um Espírito”.
Somos totalmente iguais ao crermos que “há um só corpo e um Espírito, como também fomos chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”, Efésios 4:4-6. No que diz respeito às ordenanças litúrgicas, sistema de governo e outras engrenagens de somenos importância somos às vezes absolutamente diferentes. Isso pouco importa. O que devemos aprender é a não julgar para não ser julgado. A mensagem do cristianismo repousa na verdade que é Cristo, o libertador, e não na funcionalidade das instituições. Que continuemos a crer (ou, que comecemos a crer) no valor e na propriedade da sujeição incondicional ao governo dAquele que orou ao Pai pedindo que “todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”, Jo 17:21.
A essa altura só nos resta lembrar que o que nos une é maior do que o que nos separa e que o que nos faz crescer é a atuação do poder de Deus e não o mero esforço de pessoas habilidosas.


Deus cuida de seus filhos

on sábado, 22 de agosto de 2009


Weslei Odair Orlandi



Quanto mais leio a Bíblia, mais convencido e empolgado eu fico com alguns pontos fundamentais da natureza de Deus. Deus possui dois aspectos importantes na sua natureza que chamamos na teologia de atributos ou virtudes – atributos naturais e atributos morais.
O que eu sei e acredito sobre Ele, sobre a maneira como se relaciona conosco e como devo me relacionar com Ele são pontos muito importantes nos processos da nossa fé. Isso é decisivo para cada um de nós. Este deve ser nosso ponto de partida nesse artigo e essa é a razão porque eu gostaria que você prestasse bastante atenção àquilo sobre o que vamos conversar hoje.
Primeiro: Deus é onipotente – pode todas as coisas. Aliás, não crer na sua onipotência seria o mesmo que negar a sua existência. Segundo: Ele é onipresente – está em todos os lugares. Terceiro: Deus é onisciente – sabe todas as coisas.
Qual é a relevância prática desses atributos divinos para nós seres mortais? Toda. Se Deus é Onipotente, então é também soberano e tem todas as coisas sob o seu controle. Se Ele é Onipresente então está do meu lado e nEle eu posso encontrar o colo maternal, o braço paterno e a companhia do amigo mais chegado que um irmão. Se Ele é Onisciente então sabe e participa ativamente de cada área da minha vida não apenas como observador, mas, sobretudo como Provedor.
Lançados esses fundamentos, podemos avançar tendo como pressuposto o fato de que esses ensinos bíblicos trazem, portanto, algumas proibições para os discípulos de Cristo e que cada uma delas está intencional e consistentemente alicerçada na Soberania, Interatividade e Provisão de Deus. Se Deus é onipotente, Ele provê. Se Deus é onisciente, Ele sabe. Se Deus é onipresente, Ele participa. Se ele sabe, participa e provê então não faz sentido algum viver como se não soubéssemos disso, ou seja, precisamos levar a sério o que Jesus ensinou sobre o não andarmos ansiosos por coisa alguma. Temos que aceitar, crer e viver cada uma das palavras que o Mestre pronunciou. Segundo os registros inspirados de Mateus sobre o Sermão da Montanha estamos proibidos por Cristo de sentir as mesmas preocupações que os pagãos sentem as quais são questões pertinentes ao que haverão de comer, beber ou vestir. Além disso, estamos proibidos também de duvidar da sua provisão diária, de nos aproximarmos dele com os mesmos medos que levam os pagãos à presença de seus deuses e ainda de nos dedicarmos àquilo que Ele não nos convidou a fazer.
É relevante observarmos também que no Sermão da Montanha Jesus deu a cada uma dessas proibições uma explicação lógica – aliás, se eu não entender ou aceitar essas explicações não sou sob hipótese alguma um autêntico cristão; posso ser outra coisa qualquer, menos cristão. Existem na vida áreas mais importantes com as quais devo me preocupar do que comer, beber e vestir. Fazer a vida funcionar em torno dessas trivialidades não vai acrescentar nem um só milímetro de vida, quer seja em quantidade ou qualidade. Eu não preciso me preocupar com essas dimensões menos importantes da vida porque Deus já se preocupa com elas em meu lugar. Deus cuida de cada um de seus filhos e o faz com dedicação e excelência. A nós foram ordenadas outras tarefas.
Sendo assim, se Deus é quem a Bíblia diz que Ele é então eu devo me preocupar com assuntos mais nobres da minha existência como, por exemplo, com o Reino de Deus e seus valores de justiça, solidariedade, verdade e comunhão com o Pai. Isso deve nos bastar. Se Deus é Emanuel e sua provisão é diária e constante e, se Ele está do meu lado então não faz sentido algum preocupar-me com o dia de hoje e, ainda menos com aqueles que sequer existem ainda.
Revestidos dessa verdade não haverá um só espaço em nós para a ansiedade e seus correligionários destruidores da paz. Além do que, diga-se de passagem, Paulo nos ensinou a estarmos contentes com bem menos do que querem alguns neste tempo atual. Se possível, leia 1 Timóteo 6:8. Está aí uma verdade que precisa voltar a fulgurar com o devido destaque nos meandros da fé evangélica.

Os profetas

on terça-feira, 11 de agosto de 2009



Ricardo Gondim



Os profetas marcaram a história judaica por se oporem ao cerimonialismo religioso sustentado pela lógica sacrificial e pelo peleguismo sacerdotal. Eles forneceram conteúdos éticos à consciência política e ao tecido social. Os profetas encararam o rei para defender viúvas pobres. Amargaram a pobreza para denunciar desvios morais entre o povo.
Os profetas eram moscas que atrapalhavam a sala do perfumista corrupto; suas palavras, martelos que despedaçavam corações de pedra; seus olhos, faíscas do fogo consumidor da justiça. Se vidas corriam perigo, não temiam descer em fossas fétidas. Não havia dinheiro que os comprasse. Os profetas desmascaravam personagens que ritualizavam a espiritualidade, desdouravam promessas de paz e caminhavam na contramão do sucesso.
Os profetas detectavam os blefes do jogo do poder. De dedo em riste, saiam do palácio para clamar no deserto. Mesmo sabendo que não seriam ouvidos, insistiam em prenunciar os despenhadeiros que a falta de amor abria. Prometiam trevas pela falta de ética e morte pelo egoismo. Desprezados em vida, precisaram esperar que o futuro lhes desse razão. Mas mesmo assim perseveram sob ameaça de assassinato e ostracismo.
Os profetas sentiram as dores divinas. Percebendo que a história descambava, se colocavam na brecha. Vendo que os acontecimentos fugiam do controle divino, vociferavam maldições. Os profetas sofriam, indignados com a banalização da vida e com a morte desnecessária de inocentes. Mais que porta-vozes do além, encarnavam o coração paterno de Deus.
Os profetas foram sentinelas nas muralhas que protegiam as cidades, bússulas na incipiente ética primitiva, faróis da esperança futura. Israel deve a eles sua permanência histórica mesmo tendo sido considerado uma Sodoma e se mostrado mais vil que os povos inumanos que o rodeavam. O judeu só não desapareceu como esterco da história devido a Isaías, Ezequiel, Oséias e outros.
Os profetas continuam necessários. Sem eles, as pedras clamam, Deus não fala, o futuro inexiste, toda a perspectiva se esgarça e o inferno se viabiliza. Nunca se precisou tanto deles, principalmente, agora, nesse protestantismo cooptado pelo mercado e instrumentalizado pela ganância.


Soli Deo Gloria





(Fonte: http://www.ricardogondim.com.br/)

You are not alone.

on sábado, 8 de agosto de 2009


Ellen Caroline Valvassori


I believe EVERYone feels lonely any time in life.And nobody likes to be lonely. That's why we have friends, and family.
I'm sure I have good friends whom I can trust. But I cannot expect toomuch from them.No matter how much you trust your friends, how good they are,I'm sure I can say they can fail you, just because every human can fail.But there is one who will never fail, that one is God.In Hebrews 13:5 He says "Never will I forsake you, never will I leave you." Some of us are blessed with friends whom we can trust till death, whom we can tell 99.9% of our things, but even the best friends on earth canfail, because people are limited, they can't be with you as God can bewith you. People come and go, people can't always be there right whenyou need, and when they can, they can't always give the right answer,the right advice, or the right feeling of comfort you were expecting for.But God, who is the truth, said "I will never leave you, I will never forsakeyou." It is true that God can show His love to us through people, and He does that! It is true that, through people, we can see that He cares for us.He USES other people to bless us! Sometimes you need a hug, and Godputs someone on your way just to hug you! Sometimes you need someoneto hear you, and God uses a friend of yours to hear you, to understand you,and to give you the right advice!
BUT, sometimes He doesn't! He does the opposite! He allows everyone youneed to get out of your way just when you need the most, and when youare with your friends, they feel like a pain relief but they don't have anysolution for your feeling of lonelyness. When you're with them you distractyourself, you entertain yourself, you forget your problems and have a lotof fun, and that's great! BUT, when you are not with them, you feel alone,not in the sense of being on your own, which you obviously are, but in the sense of being lonely. Then you feel bored to death, because there'sno one to have fun with. Sometimes God allows that to happen. He allows us to realize that we arealone, because He wants us to look at Him. He wants us to talk to Him,He wants us to be His friends, He wants us to have a personal relationshipwith Him. Because sometimes we get addicted to people, we forget to search for help directly from the source, that is God. We know who God is,we believe He can help us, but we lose the most important, the relationship,the friendship with Him. One thing is to know God as your savior. Another
thing is to know Him as your friend. And that's what He wants from us,
our friendship. God wants us to have a life of prayer. He wants to talk to us, He wants to spend time with us, He wants to be our friend. It is great to spend time with our friends, and thank God for the friendswe have! But, if everytime you're alone, you talk to Jesus, you will never be
alone. If everytime we are alone, we talk to Him, we praise his name, we
worship Him, we thank Him, we try to listen to his voice, we just spend time
with Him, and BE with Him, we will never be alone.

It's so much easier to cry to a friend who will go like "Oh, don't cry, everything will
be all right. Don't cry!" But your friends cannot heal your wounds, and Jesus can!
Your friends cannot restore your spirit, and Jesus can, Jesus can change everything.
because He is the one who can do the miracles your need in your life.

And many times your friends don't even want to hear you crying! Many times not
even your mom or dad, or your spouse can stand your pain, because people have
their own problems! People are limited! But Gof is not!
Isaiah 58:9 says "Then you will call, and and the Lord will answer. You will cry, and
He will say, 'Here I am'."
Jeremiah 29:12 "Then you will call upon Me and come and pray to Me, and I will
listen to you".
Of course God prepares people and moments for people to help you, but we NEED
to have God as our friend and our main source of help.
In John 14:16-17 Jesus says "Then I will ask My Father and He will give you another Helper. He will be with you
forever. He is the Spirit of Truth. The world cannot receive Him. It does not see Him
or know Him. You know Him because He lives with you and will be in you.."

O desafio de tornar-se semelhante a Jesus.


Weslei Odair Orlandi



“Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8:29). Há nos evangelhos pelo menos duas outras grandes afirmações de Jesus que fazem coro a essas palavras de Paulo escritas aos Romanos (e também muitas outras em toda a Bíblia). São elas:
Lucas 6:40 – “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre”.
João 14:12 – “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o meu pai”.
Porém é difícil imaginarmos como isso pode acontecer. Temos a tendência de nos desautorizarmos à prática dessa “aventura” enfatizando quem Ele é também a distância que há entre nós e Sua pessoa. Como posso tornar-me semelhante a Jesus? – indagamos esquivos – Ele é Todo-poderoso, Santo e divino; eu sou pó da terra, pecador e homem.
Esse é o engano que me proponho a desfazer neste artigo. Podemos sim – e vamos – nos tornar semelhantes a Cristo por uma razão simples: ele nunca nos convidou a sermos iguais a Ele a partir do seu estado original de glória. Sua chamada é para que o nivelamento se dê a partir de sua encarnação. Este é o Cristo dos Evangelhos, o paradigma perfeito que o Pai nos deu.
O maior e mais nobre argumento em favor da nossa mudança na direção de sua imagem está não no seu retorno ao céu, mas na sua descida à Terra. Cristo negou-se em nosso favor, para nos dar a possibilidade de nos negarmos por Ele. “Sendo (ele) em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2:5-8 – acréscimo meu). Seu convite para fazermos as mesmas obras não aconteceu tendo em vista as questões verticais da sua existência, mas as horizontais. Foi quando Ele esteve de igual para igual que o desafio para nossa metamorfose foi lançado.
Tudo que Ele fez nós podemos fazer; tudo que Ele foi nós podemos ser; tudo que Ele superou nós podemos superar; tudo que Ele suportou nós podemos suportar uma vez que todas as suas obras se deram na sua humanidade.
Tornaremos-nos discípulos seus, agiremos como Ele agiu, viveremos como Ele viveu porque em nenhum de seus atos ele se valeu da sua condição original.
Como homem (e não como Deus) Hb 2:10 diz que “ele foi consagrado pelas aflições”, “em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4:15), “ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (Hb 5:8). Tendo em mente a encarnação e não a glorificação 1 Pedro 5:21-23 diz: “porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano, o qual quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente”.
A mensagem bíblica de que nós podemos nos fazer semelhante a Cristo é, portanto, totalmente praticável. Jesus pode ser imitado, pode ser o nosso modelo, o parâmetro da nossa fé, pois como nós teve fome, medo, sentiu tristeza, emocionou-se, sentiu cansaço, dores e fadiga. Sua humanidade foi assumida com tal intensidade que no Getsêmani precisou da companhia de um anjo para confortá-lo; no Calvário ao sentir-se desamparado até mesmo pelo Pai a encarnação atingiu seu ponto mais elevado.
Ser semelhante a Cristo é possível, pois não significa desumanizar-se, mas sim tornar-se mais humano, mais solidário, compreensível, amável e misericordioso. Não significa libertar-se totalmente dos infortúnios dessa vida, mas sim acreditar que os valores, os princípios e as virtudes do Evangelho bastam para que enfrentemos a vida com todas as suas vicissitudes. Não significa deixar a terra descolando-se da realidade, mas ser devolvido a ela na plenitude do Espírito e no poder da Palavra.

Destino - visão grega e judaico-cristã

on sexta-feira, 31 de julho de 2009


O Destino* é uma divindade cega, inexorével, nascida da Noite e do Caos. Todas as outras divindades estão submetidas ao seu poder. Os Céus, a Terra, o Tártaro e os Infernos estão submetidos ao seu poder. Suas resoluções são irrevogáveis. Em resumo, o Destino é essa fatalidade segundo a qual tudo acontece no mundo.

Os destinos individuais ou coletivos podiam ser consultados pelos deuses, mas não alterados. Para demonstrar sua inflexibilidade, os antigos o representavam por uma roda que prende uma corrente, no alto da roda uma grande pedra e, embaixo, duas cornucópias com pontas de lança.

Só os oráculos podiam entrever e revelar o que estava escrito no livro do Destino.


(Márcio Pugliesi em "Mitologia greco-romana, arquétipos dos deuses e heróis", pág. 37-38 - Ed. Madras)


* A cosmovisão judaico-cristã, neste ponto, difere radicalmente do mundo helênico. Tanto para o judaísmo como, posteriormente o cristianismo, não existem fatos inevitáveis. Tanto no AT quanto no NT há sempre um "se" condicional. Caso o povo corrija suas ações, dê as costas ao mal e promova o bem, o porvir predito deixa de acontecer. Rejeita-se qualquer inexorabilidade e aceita-se peremptoriamente as intervenções misericordiosas de Deus na história de indivíduos e nações.

Suplício de tântalo.


Na mitologia grega, Tântalo foi um mitológico rei da Frígia ou da Lídia, casado com Dione. Ele era filho de Zeus e da príncesa Plota. Segundo outras versões, Tântalo era filho do Rei Tmolo da Lídia (deus associado à montanha de mesmo nome). Teve três filhos: Níobe, Dascilo e Pélope. Certa vez, ousando testar a omnisciência dos deuses, roubou os manjares divinos e serviu-lhes a carne do próprio filho Pélope num festim. Como castigo foi lançado ao Tártaro, onde, num vale abundante em vegetação e água, foi sentenciado a não poder saciar sua fome e sede, visto que, ao aproximar-se da água esta escoava e ao erguer-se para colher os frutos das árvores, os ramos moviam-se para longe de seu alcance sob força do vento. A expressão suplício de Tântalo refere-se ao sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável, a exemplo do ditado popular "Tão perto e, ainda assim, tão longe".
Houve outros personagens com o nome Tântalo: um rei de Pisa no Peloponeso, um dos filhos de Tiestes e primeiro marido de Clitemnestra.
O nome Tântalo aparece no Canto XI da Odisséia de Homero, nos versos 582-592.
(Fonte: www.wikipedia.org/wiki/Tântalo)

Perdi a fé, mas não sou incrédulo.

on quarta-feira, 29 de julho de 2009



Sem qualquer constrangimento, sem medo, saio do armário e confesso publicamente: Perdi a minha fé.

Perdi a fé em um Deus que precisa de pilha para mover o braço.
Perdi a fé em um Deus que recusa atender qualquer petição enquanto não houver santidade total.
Perdi a fé em um Deus que só opera nas micro-realidades.
Perdi a fé em um Deus discriminatório.

Perdi a fé, mas não sou um incrédulo.

Ganhei uma nova fé que celebra a imanência de Deus.
Ganhei uma nova fé que bendiz a compreensibilidade de Deus.
Ganhei uma fé que não espera por intervenções divinas. Creio que os valores do Reino são suficientes para que eu atravesse a vida sem perder a alma.
Ganhei uma fé que não tem expectativas de favoritismo.
Estou feliz pela fé que perdi, mas esfuziante com a nova fé que ganhei.

(Ricardo Gondim em "Direto ao ponto - ensaios sobre Deus e a vida", pág. 103-106 - Doxa)

Fé.


Como não consigo varrer para debaixo dos tapetes misteriosos da teologia, as respostas que preciso dar a mim mesmo, iniciei uma nova jornada para entender o significado da fé.

1. Fé não significa, para mim, uma força projetada na direção de Deus que o induz a agir.

2. Fé já não significa, para mim, uma senha que escancara as janelas das bênçãos celestiais.

3. Para mim fé significa acreditar que os valores, os princípios e as virtudes do Evangelho bastam para que eu enfrente a vida com todas as suas vicissitudes.

4. Fé significa, para mim, que o Espírito de Cristo dá gana de olhar para história com coragem, sem precisar apelar para o mágico, para o feitiço e para o sobrenatural. Por causa da fé não pedimos para ser poupados da dor.

5. A fé bíblica convoca que andemos nas pegadas de Jesus e não encolhamos diante do patrulhamento religioso, da perseguição e da morte, impostos pelos regimes imperialistas.

6. Fé significa, para mim, a possibilidade de rebelião contra o "status quo" porque ele não reflete a vontade de Deus.


Já que abandonei o paradigma de uma fé funcional, utilitária, de causa e efeito, quero, tão somente, ter peito para aceitar o risco de viver sem pé de apoio, de viver a liberdade prometida por Cristo e de almejar uma única segurança: saber-me gratuitamente amado por Deus.


(Ricardo Gondim em "Direto ao ponto - ensaios sobre Deus e a vida", pág. 99-102 - Doxa)

Ações que se eternizam

on terça-feira, 21 de julho de 2009


Weslei Odair Orlandi




Viver é uma dádiva divina. Em Deus existimos, vivemos e nos movemos. Por isso indagar se vale a pena viver é claramente descabido, mas e quanto ao que estamos vivendo? Vale a pena? Penso que algumas das nossas ações do dia a dia estão mesmo destinadas a não se tornarem perenes. Ao contrário disso, serão eternamente efêmeras (se é que esse paradoxo faz algum sentido). Por exemplo, daqui a um século que diferença fará se fui calvo ou se ostentei uma bela cabeleira? Que diferença fará se fui considerado pelos padrões de beleza bonito ou feio? Que diferença fará se andei a pé ou se usufrui dos confortos de uma Ferrari? Que diferença fará se paguei aluguel ou fui dono de um castelo? Creio que não fará diferença alguma! Se fui rico ou pobre, branco, negro ou amarelo, letrado ou iletrado, se conheci lugares pitorescos ou se nunca cruzei as fronteiras do meu estado... Nada disso importará mais. Dentro de alguns anos todas essas coisas haver-se-ão destruídas por si mesmas.
Viver uma vida que vale a pena não é deleitar-se em efemeridades, mas saber dominar a arte de se eternizar dia após outro. Precisamos descobrir a chave para a realização de ações que se imortalizam.
Daqui a cem anos fará (e como!) diferença se eu fui um bom pai, um bom esposo, um bom pastor, um bom cidadão, um bom e fiel servo de Cristo. No futuro, quando chegar a vez dos meus descendentes escreverem suas histórias eu quero fazer parte delas. Quero ser lembrado como um bisavô ou tataravô que viveu dignamente. Afinal, eu sou a continuidade do que meus antepassados foram. Tudo que faço hoje é em última análise a soma de muitas vidas que foram antes de mim. Quando prego, meus pais pregam comigo. Quando tomo decisões, meus avós estão presentes. Não eles, claro, mas seus exemplos e ensinamentos. Dessa forma, acredito que eternizar momentos na vida de outros não só é possível como também é algo que deva ser levado a sério.
Existem pessoas cujas ações nunca serão lembradas – ou se o forem, apenas como infortúnios. Verdade seja dita: um futuro bem sucedido – me refiro aos meus netos, bisnetos, tataranetos e a mim mesmo daqui há um bilhão de anos – será sempre o resultado de um presente – eu e minhas ações – bem decidido.
Você pode não pensar assim, mas antes de me achar um escritor sem noção pense um pouco sobre Zaqueu – sim, ele mesmo, o homem que subiu na árvore para ver Jesus.
Zaqueu tornou-se um herói dos Evangelhos a partir do dia em que foi salvo. Mas ele não foi apenas salvo. Ele tornou-se também referência para o mundo. A fatia que conhecemos da vida desse homem que Lucas registrou em seu relato a Teófilo não é tão espetacular quanto o que restou dela após sua morte. A magnitude da conversão do publicano rico de Jericó está nas engrenagens que ele pôs para funcionar e não nas poucas linhas que Lucas reservou para sua biografia. Por causa de sua decisão inusitada de subir numa árvore para ver Jesus, milhares de pessoas irão entrar no céu um dia. Uma ação que se eternizou. É pena que nos faltem dados estatísticos que apontem quantas pessoas já vieram a Cristo por intermédio de pregações feitas sobre esse homem.
Preciso ser claro com você: precisamos sim nos preocupar com as nossas atitudes e decisões hoje, pois no futuro elas ainda estarão ressoando. Perguntas como “o que estou pondo em movimento hoje?” e, “o que meus atos de agora produzirão de benefício para mim e meus descendentes no futuro e na eternidade?” precisam ser feitas sempre.
Acredite. O seu futuro depende dos valores que forem encarnados hoje. Se a sua eternidade se chamará céu ou inferno, depende. Que ações você tem eternizado? O futuro espiritual de todos depende do quanto Cristo tornou-se permanente neles. Esta é indubitavelmente a razão porque Paulo utilizou-se tantas vezes da expressão “em Cristo”.
Se algum dia alguém se propuser a resumir minha história de vida, espero que seja mais ou menos isso o que terão para escrever: “Ele foi um homem que por causa de suas imperfeições quase pôs tudo a perder, até que um dia alguém o instruiu a ler João 6:27 – ‘não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem lhes dará...´- e assim, as linhas tortas foram suavizadas. Hoje, ele não está mais entre nós, mas seus exemplos sim. Ele já não pode ser visto na terra; repousa agora nos braços do Pai Eterno”.
Esta sim, será uma história digna de ser contada.

Pastor, não psicólogo.


Quando alguém vai até o pastor, não está procurando um psicólogo, mas um pastor. É grande a frustração quando, em vez de pernetrar nos labirintos da alma humana e conduzir as ovelhas de Cristo no caminho da comunhão e da reconciliação, o pastor envereda por conversas, perguntas e preocupações que nenhuma relação têm com a oração, com Deus e com a vida outorgada a ele.


(Eugene Peterson em "A vocação espiritual do pastor", pág. 9 - Ed. Textus)

Encarnação

on sexta-feira, 17 de julho de 2009


Alysson Amorim


Rasgar o mar com a adaga flamejante de um general; arrepender-se; fazer de uma mulher matéria-prima para um bloco salino – tais são operações impossíveis a um Ser eterno.
A mulher corre, olha para trás e é acorrentada ao solo, toda dura e toda branca como eram seus dentes. A operação, se ao final paralisa, tem um final e tem uma gênese – é uma operação realizada na delirante sucessão a que chamamos tempo. Do mesmo modo, o arrependimento implica a negação de um momento em outro e a mão que feriu o mar foi a mesma que fechou a ferida em um segundo momento.
A eternidade, conforme concebida pelos homens, não é em nenhuma de suas variações a mera agregação de passado, presente e futuro – é, na sentença de Borges, “algo mais simples e mais mágico: é a simultaneidade desses tempos.” Na eternidade a sucessão não existe.
Deus, enquanto Ser eterno, vê-se impedido de vestir a capa do general; sofre da terrível limitação que lhe impõe a eternidade. Criou os homens a sua imagem e semelhança e despediu-os para longe de suas mãos. Seu pesadelo é, sendo onipotente, nada poder fazer no fluxo do rio que ele próprio pariu.
Aquele Deus que queima cidades e empunha armas é filho da ânsia dos homens.
O tema do auto-esvaziamento divino sugere uma fascinante inversão: Deus faz-se à imagem e semelhança dos homens; despe-se da onipotência para poder lançar-se no fluxo alucinante da história; troca o poder absoluto pela lágrima frágil. Tudo o que temos do Deus esvaziado é a lágrima rastejando em um rosto solitário, é o sangue cobrindo um braço impotente.
Pedir o estancamento do sangue, do nosso sangue, é não compreender o sentido profundo da encarnação. Quando a divindade decide despojar-se da imobilidade e sentir no peito a correnteza inapelável dos anos, o amor é sua força motriz (Jo 3:16), e o espaço e o tempo os elementos que compõem o cenário de sua atuação (Jo 17:18).
O sentido profundo da encarnação está em que o Deus encarnado não pode mais que o samaritano, mas pode mais – muito mais – do que o Deus eterno.

Seminário Teológico Trindade.

on quarta-feira, 24 de junho de 2009

No dia 29 de junho de 2009, no templo da Igreja do Evangelho Pleno, estaremos realizando
a assembleia de fundação do Seminário Teológico Trindade em Umuarama - Pr.
Os interessados em participar dessa conquista devem estar presentes no local às 20 horas.

Ocupação e tédio.

on sexta-feira, 19 de junho de 2009


O grande paradoxo de nosso tempo é que muitos de nós estamos ocupados e entediados ao mesmo tempo. Enquanto corremos de um evento a outro, indagamos, no fundo de nosso ser, se realmente algo está acontecendo. Enquanto dificilmente conseguimos dar conta de nossas muitas tarefas e obrigações, não estamos tão certos de que isso fará, afinal, qualquer diferença caso não façamos nada.


(Henry Nowven em "Tudo se fez novo", pág. 33 - Ed. Palavra)

Porque Deus não é o número 1.


Weslei Odair Orlandi


Por muito tempo eu ensinei que Deus deve ser o número 1 da minha vida e que todas as coisas devem se tornar secundária. Mudei de ideia. Não penso mais assim e, portanto, não vou ensinar mais que o topo da lista deve ser o lugar de Deus em nossas vidas. Não se assuste. Não abandone a leitura desse artigo e, por favor, não tire conclusões precipitadas. Eu explico por que. Eugene Peterson diz que nós mudamos as palavras e então elas nos mudam. Isso vale também para os conceitos. Se nós os mudamos eles também nos mudam.
O problema de vivermos essa lógica matemática (Deus primeiro e depois outras coisas) é que passamos a ver tudo como uma hierarquia, uma pirâmide. Se colocamos Deus no topo, o que isso realmente significa? Quanto tempo vamos dedicar a ele antes de podermos cuidar das outras coisas? Deus não pode ser o número 1 da nossa vida porque ele não quer ocupar apenas um espaço de nós – neste caso, o topo da lista. Mesmo que pudéssemos dar a ele o maior pedaço da nossa vida, não é isso que Ele quer. Deus nos quer por inteiro e não apenas parte de nós ou do nosso dia. Ele não quer ser o primeiro numa lista de valores. Ele quer estar no centro de tudo. Ele quer viver conosco todas as coisas.
Você pode até achar que isso não tem importância, mas tem. Especialmente porque vivemos num mundo de pessoas ocupadas. Henry Nowven em seu livro “Tudo se fez novo” afirma que em nossa geração “estar ocupado tornou-se um símbolo de status (...) Ser ocupado e ser importante parecem significar a mesma coisa”. Pensando assim torna-se vantajoso dizermos que não temos tempo pra nada, que estamos com a agenda sempre cheia. Só há um problema: com a mesma intensidade que estamos nos ocupando exteriormente, estamos também nos desocupando interiormente. Estamos cada vez mais cheios, e também cada vez mais vazios; cada vez mais ocupados, e também cada vez mais desconectados. Estamos em todos os lugares, mas nunca em lugar algum.
É aqui que precisamos fazer nossa primeira parada e perguntarmos: E Deus? Se não temos tempo para comer, temos tempo para orar? Se não temos tempo para a família, temos tempo para a Bíblia? Se não temos tempo para ir à igreja, temos tempo para ir ao quarto, dobrarmos nossos joelhos e passarmos um tempo em meditação?
Quando Deus se torna um item da nossa lista e não o centro de tudo esse é o resultado. Não conseguimos viver uma espiritualidade autêntica. Corremos o dia todo, a semana toda tentando completar a lista de serviço para depois tirarmos um tempo com Ele e a conclusão é sempre a mesma: nunca ou quase nunca conseguimos. Reflita sobre esse exemplo prático: o domingo tem se transformado para muitos cristãos um dia de atraso e fadiga física e emocional e não o dia de descanso ou o Dia do Senhor como o era anos atrás. Porém, Deus não pede para pararmos com tudo, para nos afastarmos de nossos compromissos e ir viver numa fazenda longe da civilização ou num mosteiro no topo de uma montanha longe de tudo e de todos. Essa nunca foi nem nunca será a solução.
O que nós precisamos é reorganizar a nossa vida; tirar Deus do topo da lista para reconduzi-lo ao centro de tudo. Esta é a lição que aprendemos com a organização do acampamento de Israel durante seus 40 anos de peregrinação no deserto. Naquele período quando paravam para descansar, o tabernáculo era levantado no meio da congregação enquanto todas as tribos permaneciam à volta dele e inclusive com a entrada das tendas voltadas para ele. É o que determinou o Senhor. “Os filhos de Israel se acamparão junto ao seu estandarte, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, de frente para a tenda da congregação se acamparão”, Nm 2:2 (RA). Deus não pediu para estar à frente do acampamento, mas para estar no meio, no centro da vida, decisões e tarefas do povo.
Outro texto digno de nota é Colossenses 1:17. Vejam o que Paulo escreveu: “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”. O que temos aqui é uma declaração inquestionável da centralidade de Cristo ao integrar o universo, sendo o centro de coerência ou de coesão de todas as coisas. Quando se diz mais adiante no mesmo texto que Ele é primogênito, longe de se declarar aí que Cristo foi criado primeiro o que se deve salientar é que ele é o alvo de toda a criação com direito de primogenitura – de herdar todas as coisas. Assim, resta-nos concordar que Deus não pode ser o número 1 da nossa vida senão o centro de tudo. É como se Ele fosse o sol e nós os planetas – aliás uma metáfora silenciosa mas pertinente. Deus no centro, enquanto nós gravitamos ao seu redor.
É pena que Galileu Galilei não tenha sido teólogo. Quem sabe ele não teria nos ajudado saber da centralidade de Cristo há mais tempo. Mas, tudo bem. Cada coisa a seu tempo. Primeiro reconduzimos o sol ao seu devido lugar – um grande avanço; agora reconduzamos Cristo para o centro. Desse modo e somente assim poderemos entender em definitivo o que Paulo pensava quando afirmou “portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” e ainda “quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”, 1 Co 10:31; Cl 3:17.